Comitiva internacional realiza visita técnica ao BRT do Rio

Atividade fez parte da programação do Congresso Internacional Cidades & Transportes.

14/09/2015

Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Após conversas, encontros e trocas de experiência que aconteceram no Congresso Internacional Cidades & Transportes, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, parte da delegação internacional presente no evento aproveitou a oportunidade para conhecer um dos exemplos brasileiros de transporte de massa: o BRT (Bus Rapid Transit) do Rio.

Alemães, chineses e brasileiros puderam conhecer o Centro de Controle Operacional do sistema de BRT da cidade do Rio. O prédio localizado pouco antes das catracas do Terminal Alvorada possui 2,5 mil m² de área construída e tem uma de suas paredes internas revestida por 100 telões, o que faz dele o maior centro de controle de um modal de transporte público do Brasil.

Experiência e objetivos

Affonso Nunes, Coordenador de Comunicação do Consórcio BRT do Rio, e Alexandre Castro, Gerente de Infraestrutura do BRT, com o apoio de Danielly Votto do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, guiaram a visita e apresentaram a história do modal na cidade, sua atual situação e as perspectivas para o futuro. Affonso destacou como o modal, hoje, atende 9 milhões de pessoas e economiza 7,7 milhões de horas a cada mês.

“A experiência com corredores BRT mostra como esse é um modal bastante flexível, pois podemos chegar até 48 mil passageiros por hora-sentido – que é o número obtido no corredor da Avenida Caracas em Bogotá”, destacou Affonso.

Além da ultrapassagem que existe na estação, a flexibilidade destacada pelo guia, está associada a cada projeto especifico, pois se os corredores permitirem ultrapassagem ao longo de sua extensão, os números podem aumentar. “Os corredores transoeste e transcarioca transportam, hoje, mais de 13 mil pessoas por hora-sentido; número que pode ser aumentado com o aumento da frota”, apontou como outro fator de melhoria.

“O corredor transoeste transporta, hoje, 186 mil passageiros por dia, mas nosso objetivo é aumentar sua extensão, número de estações e capacidade de passageiros transportados por dia”, informa Castro. Como o sistema substitui, em média, 126 carros, há um resultado imediato na redução em emissões de dióxido de carbono em torno de 38% nestes corredores.

Durante a visita, ficou claro que a cidade carioca pretende tornar seu BRT o melhor sistema do país. Para isso, junto com os 55km do Transoeste e os 39km do Transcarioca, seram inaugurados, os corredores Transbrasil e Transolímpica, respectivamente com 32 e 22km. Os sistemas, apesar de servirem de apoio às locações chave para os Jogos Olímpicos, estão sendo pensados para melhorar a vida dos habitantes..

Alexandre Castro, gerente de infraestrutura do BRT, recebeu os visitantes junto com Affonso. “Não queremos apenas atender as demandas para as olimpíadas, mas estabelecer um sistema que atenda a necessidade das pessoas, levando em conta a expectativa de aumento do número de veículos privados”, destacou o gerente de infraestrutura do BRT”

Castro, então, levou os visitantes para conhecer o terminal alvorada, onde o movimento é intenso. Os passageiros demoram pouco mais de cinco segundos para passar pelas catracas. “Sistema ágil, mas que sofre com muitas fraudes, pois as pessoas quem tem gratuidade; idosos e estudantes por exemplo, acabam emprestando o Rio Card para outras pessoas”, destacou o gerente de infraestrutura. 

Conhecendo o BRT

Alguns olhares rápidos na direção do grupo de turistas, tão rápidos quanto o tempo para passar o cartão na catraca e entrar no Terminal Alvorada - menos de 10 segundo, segundo Affonso. Juliana Castro da Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE – UFRJ), uma das únicas brasileiras da visita, estava realizando o tour pela terceira vez.

“É nítido como o BRT é a preferência carioca, tanto que quando inaugurou, os operadores não estimavam uma demanda tão grande. Até mesmo foi identificada uma demanda pendular das pessoas que acabavam voltando em direção ao BRT por sua preferência ao modal”, disse Juliana. Além disso, notou a implementação de mais ônibus alimentadores e a remodelação do Terminal Alvorada, a integração do BikeRio aos terminais, em favor da demanda.

GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit, Sociedade Alemã de Cooperação Internacional), organização que atua oferecendo serviços no setor de cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável foi representada pela alemã Elena Scherer. Para ela, a visita técnica foi muito enriquecedora, pois Castro e Affonso não deixaram de apontar as falhas e erros do sistema.

“É preciso saber os defeitos, que há vandalismo e quebra, por exemplo. E como é feita a manutenção dos ônibus, etc. Isso nos mostra como a operação se desdobra para ajustar varias coisas em função do comportamento do usuário para poder melhorar a qualidade do serviço”, disse Elena.

  Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Michael Glotz Richter, gerente de transportes de Bremen, corroborou a visão de sua conterrânea e destacou como o Rio de Janeiro mostra, na prática, que o BRT é uma solução eficiente e de rápida implementação. “Não apenas para os grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016, mas, acima disso, para o futuro das pessoas. O sistema projetado aqui é uma preparação para que no futuro as pessoas não precisem tanto do carro.”, concluiu Michael.

Para Li Ming, um dos integrantes da Beijing Transportation Research Center, a parte que se destaca do projeto de BRT do Rio,  é a comunicacional. “Eles fizeram um ótimo trabalho em comunicação, principalmente na educação do público para usar o sistema. Há publicações, vídeos e propagandas. Na China, a maioria das empresas de operação de ônibus não tem essa preocupação com a comunicação. Foi uma ótima experiência”, disse.

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