Intercâmbio discute ações positivas de sustentabilidade

Índia, Brasil e China tiveram representantes de quatro cidades em painel

11/09/2015

Representantes de três países (Brasil, China e Índia) se reuniram em painel para dar exemplos de desenvolvimento urbano sustentável (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Representantes de três países (Brasil, China e Índia) se reuniram em painel para dar exemplos de desenvolvimento urbano sustentável (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Mostrar exemplos que funcionam em suas cidades e incentivar outros locais a fazerem o mesmo. Este foi o objetivo do primeiro encontro entre representantes de Beijing e Chengdu, na China; Bangalore, na Índia; e São Paulo, no Brasil, durante o painel ‘Melhores práticas em desenvolvimento sustentável – intercâmbio de experiências da China, Brasil e Índia’, realizado no Congresso Internacional Cidades & Transportes, nesta sexta-feira (11). O debate foi mediado pelo Diretor de Transportes do WRI China, Daizong Liu.

Larissa da Silva, Gerente Global de Parceria do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, explicou um pouco do projeto que possibilitou a troca de experiências entre essas nações, quando o assunto é melhorar a qualidade de vida de seus moradores.

“O projeto permitiu desenvolver uma estrutura conceitual e compartilhar as experiências para promover mais cooperação. Além do transporte, água e energia, incorporamos questões de iniciativas de carbono. Estamos fazendo isso por uma boa estratégia para começar com muito envolvimento do governo, dizendo que podemos ajuda-los, criando ferramentas e desenvolvendo diretrizes que ajudaria as cidades a avaliar e medir seus níveis de carbono e permitir que pudéssemos recomendar ações para viver melhor nesses locais”, explicou Larissa.

A representante da WRI apontou, ainda, algumas das mudanças positivas dos últimos anos:

“Na América Latina, lançamos GPC, uma ferramenta para medir as emissões de carbono nas cidades e que tem sido muito bem aceita internacionalmente. Ano passado, 27 cidades da América Latina e China já mediram suas emissões de CO2 com essa ferramenta. Em Bangalore, lançamos a rede de grandes ônibus, com três corredores arteriais. A China se concentra muito na energia e no transporte. Lá, também temos exemplo de um grupo de empresas que está comprando energia renovável e isso cresce a cada ano. Em Bangalore, conseguimos licença do governo para não pagamos impostos sobre a energia renovável e estamos muito felizes com isso”, detalhou ela.

Analista de Pesquisa do WRI Brasil, Katerina E. Trostmann, explicou como funciona o projeto em São Paulo, que é focada na área do Rio Pinheiro, com cerca de 20 km, entre Vila Olímpia e Santo Amaro.

“Decidimos envolver a sociedade civil desde o início, mantendo a negociação junto aos setores privado e público. Focamos nessa região porque é uma das com maior crescimento, é o novo centro financeiro. Com isso, apareceu a falta de serviço e planejamento. Só há uma linha de trem que atende o pessoal da região, é muito cheio e com certeza impacta a qualidade de vida. Identificamos que seria necessário fazer uma intervenção no transporte público, melhorando o setor. Tratamos, então, do transporte corporativo e a demanda nas grandes corporações. Esperamos, com os resultados, trazer estratégias para que as empresas possam implementar. Nosso principal argumento é que isso vai impactar o lucro e a produtividade da empresa” afirmou Katerina.

Ela explicou, ainda, que fizeram uma competição de projetos de arquitetura e urbanismo, em parceria com a USP. “Recebemos projetos maravilhosos e selecionamos três que são adequados, relevantes e podem ser implementados. Com isso, podemos fazer uma diferença, fazendo um uso melhor do território. É aplicar o talento dessas pessoas na cidade. Ano que vem esperamos finalizar este projeto e ter muito apoio para continuar e juntar pessoas diferentes em torno do mesmo tema, buscando soluções”, definiu ela.

Katerina falou sobre a participação de São Paulo no projeto. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Katerina falou sobre a participação de São Paulo no projeto. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Fazendo coro à Katerina, o ex-subprefeito de Pinheiros, Angelo Filardo, disse que a cidade de São Paulo vive condições de quase colapso de mobilidade, quase crônica, construída por prática de padrões de consumo de países desenvolvidos.

“Muito é dito e pouco é feito. Como resultado, a cidade experimentou uma saturação de trânsito crescente que, junto com a falta de qualidade e confiabilidade de transporte público, que esteve no centro de manifestações importantes em junho de 2013. Minha principal lição à frente do governo de Pinheiros, é que temos que aprender a produzir um consenso local, escolhendo os principais problemas e, de forma coletiva, construir soluções”, concluiu Angelo.

Amit contou como foi a experiência em Bangalore. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Amit contou como foi a experiência em Bangalore. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Amit Bhatt, Chefe de Estratégia de Transporte Urbano Integrado da WRI Índia, afirmou que um dos pontos mais importantes desse projeto é analisar as cidades de uma forma mais holística, ou seja, ao invés de olhar apenas um setor de intervenção, perceber como fazer uma abordagem mais abrangente das cidades. Segundo ele, Bangalore tem 6 mil ônibus que fazem 5 mil viagens ao dia.

“Após coletar os dados, percebemos que algumas intervenções são erradas: o que identificamos é que 90% das viagens acontecem na cidade, mas só é preciso um ponto de transferência. Isso reduziu o tempo de espera em quase 35%, pois desenvolvemos corredores e pontos de coleta. Isso é um grande sucesso e a cidade virou exemplo de como transformar os serviços de ônibus. Outros países estão replicando este conceito. Além disso, analisamos outros setores, como a questão da energia, com o aumento do consumo de energia renovável”, apontou ele.

A China trouxe dois exemplos de ações para o painel. Chao Zhu, Engenheiro do Beijing Transport Research Centre, revelou que o cidade cresceu muito na última década e que a cidade sofreu muita pressão com isso.

“Para reduzir o efeito do crescimento, tomamos algumas medidas, como fazer rodízio de carros, sorteio de número de placas veiculares a serem habilitadas (150 mil por ano) e diferenciar o pagamento de estacionamentos por zonas da cidade e horários. O efeito geral teve resultados positivos, aumentando a velocidade média dos carros na cidade. Estamos felizes com o resultado, mas ainda há mais desafios, como o crescimento da demanda, da população e dos automóveis. Ainda temos pontos a melhorar. A conscientização do cidadão é fundamental”, alertou Zhu.

 Presidente do Sichuan Union Environment Exchange, Jinfeng He, revelou que a cidade já foi considerada como de boa qualidade de vida, mas, nos últimos anos, com a rápida urbanização e industrialização, o aumento da população urbana e a quantidade de carros, os desafios e ameaças apareceram. Por isso foram escolhidos como cidade-piloto do projeto.

“No nosso projeto, abordamos a questão de energia e o uso da água para a cidade. Ele é dividido em três fases: desenho, execução e divulgação para outras cidades, com conteúdo de diminuição de emissão de carbono, otimização do uso da água e o planejamento do sistema de transporte urbano. Para incentivar o uso de transportes limpos, o governo reduziu ou cortou impostos para este tipo de veículo. Estamos estudando novas políticas para serem implementadas”, avisou He.

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