Os dados são o novo petróleo

Em sessão organizada pela Embaixada Britânica, Reino Unido traz experiências de inovação e tecnologia

11/09/2015

Painelistas do Reino Unido durante o Congresso. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Painelistas do Reino Unido durante o Congresso. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Pesquisadores, engenheiros, jornalistas, gestores públicos... Nos últimos dois dias,o Congresso Internacional Cidades & Transportes povoou a Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, com pessoas de diferentes perfis. A Embaixada Britânica no Brasil e o UK Trade and Investment aproveitaram o terreno fértil e realizaram uma sessão para discutir as experiências de inovação e tecnologia que o Reino Unido pode compartilhar com outros países.  

O clima foi de troca. E o intercâmbio ficou evidente já pela composição da mesa: entre os britânicos Adam Rae (Future Cities Catapult) e Alessandro Saraceni  (Transport Systems Catapult), estava o brasileiro Eduardo Lazzarotto, que deixou Porto Alegre para um mestrado no Reino Unido e continuou por lá para trabalhar na Legion, uma companhia de desenvolvimento de softwares.  A empresa produz simulações que mostram a interação de pedestres com infraestruturas, prevendo como governos e empresas podem tornar mais eficientes os espaços de grande circulação de pessoas, como aeroportos, estações de trem e estádios esportivos. Segundo Lazzarotto, o conhecimento da companhia já chegou ao Brasil: há alguns anos, ela tem como clientes os operadores de trens e metrôs de São Paulo.

Adam Rae também comemorou uma parceria recente com a cidade de Belo Horizonte, com apoio do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, onde a Future Cities Catapult desenvolveu um trabalho sobre infraestrutura inteligente. Segundo os representantes das empresas britânicas, isso é o que o Reino Unido mais quer: que o conhecimento construído localmente ultrapasse as fronteiras nacionais e alcance outros territórios, ajudando-os a enxergar soluções inovadoras e eficientes para as cidades. "A maioria das empresas do Reino Unido está disposta a ajudar e a ensinar outros países", ressaltou o brasileiro da Legion.

E o Brasil, por seu tamanho e importância global, é um dos alvos dessa troca. "Cerca de 80% da nossa população está vivendo em cidades, e não só no Reino Unido, como no Brasil", comparou Rae. "Por isso, nossos projetos estão focados nelas". A Future Cities Catapult, por exemplo, procura integrar diferentes atores - universidades, empresas e governos -  e modelos - econômicos, de mobilidade etc - para que os governos tomem decisões mais embasadas em relação às cidades. "Combinando tudo isso de forma eficaz, podemos justificar certas intervenções mais adequadas", explicou, e deu exemplos: "Ao apoiar áreas verdes nas cidades, eu tenho um impacto não só no meio ambiente, mas também na saúde da população".

É isso também o que Alessandro Saraceni procura fazer na Transport Systems Catapult: usar dados e tecnologias integradas para solucionar problemas de forma mais fácil, rápida e barata. Ele deu o exemplo de um sensor que foi desenvolvido para monitorar informações como temperatura e umidade em túneis que estavam sendo construídos em seu país. "Para um operador fazer isso seria muito mais perigoso. Levamos apenas algumas horas para colocar os sensores. O operador, então, voltou para o centro de controle, onde recebe todos os dados do túnel. Isso acelerou as operações, economizamos muito dinheiro e o ambiente ficou mais seguro".

Na plateia, muita gente ficou interessada nas experiências de inovação. Gestores de algumas cidades do Brasil fizeram perguntas e trocaram ideias de como trazer para o país essas soluções tecnológicas. E uma previsão foi colocada à mesa: "O petróleo fez a Revolução Industrial. Acreditamos que, hoje, os dados são o novo petróleo", apostou Alessandro Saraceni.

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