Transporte Metropolitano desafia governantes à gestão integrada

Nesta sexta-feira (11), O painel “O Desafio do Transporte Coletivo no Contexto Metropolitano” discutiu qual o caminho para atender as premissas do estatuto durante o Congresso Internacional Cidades e Transportes.

11/09/2015

Painelistas discutem como melhorar o transporte coletivo metropolitano (Foto: Luísa Schardong) Painelistas discutem como melhorar o transporte coletivo metropolitano (Foto: Luísa Schardong)

O Estatuto da Metrópole, lançado em 2015, veio complementar a constituição de 1988 no que diz respeito à gestão de questões metropolitanas e aglomerações urbanas. Nesta sexta-feira (11), O painel “O Desafio do Transporte Coletivo no Contexto Metropolitano” discutiu qual o caminho para atender as premissas do estatuto durante o Congresso Internacional Cidades e Transportes.

O documento trouxe desafios, uma vez que propõe um esquema de governança interfederativa. Ou seja, as decisões relacionadas às regiões metropolitanas devem ser tomadas pelo conjunto de governantes, além de sugerir outras estratégias, como a criação de uma organização técnica administrativa, a locação de recursos conjunta e a participação social.

“O estatuto criou oportunidades de resolvemos problemas que estão causando macrocefalia urbana. Esse desequilíbrio de concentração de funções como saúde, empregos, educação tem um impacto enorme sobre economia e gera uma crise no transporte público. Você sobrecarrega o sistema de transporte, gera uma super demanda. Temos que criar de fato um sistema de transporte em rede nacional, com uma rede de cidades mais equilibradas e provendo condições de consolidar áreas mais desenvolvidas e desenvolver as que não são”, apontou Riley Rodrigues,Especialista Sênior em Competitividade Industrial e Investimentos no Sistema Firjan.

A ausência de serviços essenciais nos municípios localizados fora do núcleo principal da metrópole acarreta em viagens desnecessárias e levanta a necessidade de pensar os problemas da região como um todo, considerando a possibilidade de alcançarmos a melhora não só nos transportes, mas em todos os serviços na intenção de construirmos metrópoles mais sustentáveis e justas. "Não podemos reforçar centralidades existentes. Regiões metropolitanas têm potencial de absorver serviços, comércio, tudo o que pode diminuir a necessidade de deslocamentos até os grandes centros. Fazendo um esforço de planejamento para desenhar isso e trabalhar para que transporte, saneamento, serviços públicos e empregos sejam melhor distribuídos, em algum tempo poderemos ter revertido essa questão", pontuou Vicente Loureiro, Diretor Executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental.

No entanto, o transporte intermunicipal não é uma questão apenas do estado ou de seus usuários. A população como um todo é diretamente afetada pela qualidade do serviço e deve se envolver no trabalho para melhorar o sistema. Considerando que o planejamento e a execução das funções públicas são de interesse comum e que esses interesses são superiores aos interesses locais, o estatuto é um divisor de águas para o Brasil e funciona como base para que as metrópoles enfrentem suas questões com o apoio da população. "Compete a nós, sociedade organizada, fazer o estatuto pegar. E, para isso, temos que criar a estrutura de governança interfederativa. Um conselho reunindo representantes do poder público, privado e da sociedade civil para debater as questões metropolitanas", colocou Luiz José Predetti, Diretor da Emplasa.

A melhoria do sistema de transporte intermunicipal nas regiões metropolitanas implica em diversas mudanças diretas na rotina das cidades, dos cidadãos e do país, uma vez que há a perda de produtividade, de tempo, gastos com combustíveis e manutenção, emissão de poluentes, desconforto e impactos na saúde de quem passa um tempo considerável nos engarrafamentos, seja em transporte individual ou em coletivos que se sobrepõem nas vias que ligam as cidades.

Além de otimizar ou eliminar o gargalo no sistema de transporte, as mudanças nessa infraestrutura trazem autonomia e participação popular no constante desenvolvimento de um serviço de transporte de qualidade. “Mais de 90% dos usuários do transporte coletivo são usuários dos sistemas de comunicação, como o celular. Se ele tem acesso às informações, ele vai eleger melhores rotas e evitar ônibus e metrôs superlotados. Isso gera um impacto positivo na qualidade do transporte e na operação dele. A partir disso, as pessoas também podem contribuir com informações para o sistema, facilitando que seja definda a quantidade de ônibus necessárias para um determinado trajeto, por exemplo”, explicou Severiano Macedo, Gerente de Desenvolvimento de Negócio da Cisco.

Conquistar o apoio popular na defesa da melhoria dos transportes públicos também é um desafio. De acordo com Flávio Almada, Presidente do MetrôRio, os órgãos envolvidos devem mostrar que a mudança no sistema é uma questão de projeto de estado e não de governo e jogar luz sobre a importância desse planejamento. “É fácil mostrar a capacidade que você tem de ter financiamentos, porque, a partir dela, há uma taxa de retorno econômico e social espantosa. As entidades precisam ter fundos onde possam sustentar projetos, estudos e financiar empreendimentos”, explicou ele.

A urgência de pensar as cidades de forma conjunta foi reiterada por Renato Ribeiro, Secretário de Regulação de Transportes de Minas Gerais, que também pontuou a necessidade de colocar em prática os projetos: "Um plano é uma diretriz do que temos que fazer. Tem que haver um compromisso para cumpri-lo. Precisamos criar uma gestão de mobilidade, pensar em gerenciar os sistemas com qualidade".

A mudança do cenário de caos e vulnerabilidade social nos municípios metropolitanos também implica em investimentos exteriores. No Rio de Janeiro, por exemplo, as cidades ao redor da capital recebem menos investimentos de empresas, devido à ausência de segurança, de organização urbana e até de regiões pouco habitadas. Precisamos estimular habitação social e empregos nas áreas metropolitanas e encontrar mecanismos para reveter o ambiente das cidades, para que haja atração de negócios para além do comércio nesses municípios”, colocou GuilhermeMedeiros, Coord. Do Departamento Técnico da SC Parcerias S.A. E Coord. Do Plamus – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis.

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