Ações sustentáveis incrementam economia e desenvolvem cidades melhores

As cidades ocupam 2% do território mundial, mas são responsáveis por 70% das emissões de poluentes em todo o mundo.

11/09/2015

Os centros urbanos continuam crescendo e devem abrigar mais 2,5 bilhões de pessoas e o mesmo número de carros privados até 2050. Precisamos de um novo caminho urbano urgente para frear as duras consequências deste desenvolvimento desordenado. O alerta vem de Ani Dasgupta, Diretor Global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis e porta-voz do New Climate Economy, durante palestra de abertura no último dia do Congresso Internacional Cidades & Transportes, esta manhã. Cerca de 200 pessoas acompanharam a apresentação no Teatro de Câmara na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Assista ao vivo!

Ani durante abertura do segundo e último dia do Congresso no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Ani durante abertura do segundo e último dia do Congresso no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

As mudanças climáticas são uma realidade a ser encarada, e as decisões tomadas hoje vão determinar o futuro do sistema climático no mundo: se não houver ação imediata, a temperatura média no planeta pode estar 4°C mais alta até o final deste século, com impactos extremos e potencialmente irreversíveis para a vida terrestre. E as cidades têm um papel-chave para a transformação.

“As cidades são a melhor invenção da humanidade, mas, nas ultimas décadas, tornaram-se injustas pela forma desconexas como se desenvolveram”, pontuou Ani. Lembrou a dura realidade enfrentada em muitos países em desenvolvimento onde as pessoas passam uma média de quatro horas diárias no trânsito. “Na Cidade do México, por exemplo, muitos trabalhadores chegam a gastar até 40% do salário em transporte. E o tempo perdido no trânsito pode chegar a 5 anos de vida”, alertou. De acordo com Ani, hoje vivemos em espaços urbanos que são obstáculos ao crescimento econômico pois a infraestrutura foi pensada, basicamente, para mover carros e não pessoas. “A infraestrutura ‘carrocêntrica’ exclui e segrega pessoas. Ela definitivamente prejudica a vida urbana”, declarou.

O especialista lembrou que 86% das maiores cidades do mundo hoje estão excedendo os padrões da OMS (Organização Mundial da Saúde) para qualidade do ar, o que resultada em 700 mil mortes ao ano. Mesmo com o cenário desanimador, a boa notícia é que a mudança na realidade depende das próprias cidades e pode iniciar agora.

Os centros urbanos têm o potencial de mudar os paradigmas do desenvolvimento ao conciliar crescimento econômico e sustentabilidade. Este é o principal achado dos relatórios do New Climate Economy, apresentados em dois documentos: “Better Growth, Better Climate” e “Seizing the Global Opportunity”. A iniciativa é liderada por Felipe Calderón, ex-presidente do México, e composta por oito instituições internacionais de pesquisa ambiental, entre elas o WRI – World Resources Institute. Se considerarmos que 60% das cidades ainda precisam ser construídos para que todas as pessoas possam ter moradia, um novo caminho pode e deve ser construído por cidades menos excludentes e poluidoras.

Ani apontou três diretrizes nessa direção: cidades conectadas, com sistemas de trânsito inovadores; compactas, com construções mais sustentáveis e adensadas; e ações coordenadas para conjugar planejamento e investimento. “Se as cidades fossem construídas dessa maneira, a economia movimentaria 3 trilhões de dólares nos próximos anos”, explicou.

Alguns exemplos de projetos nesse sentido são os BRT – Bus Rapid Transit, ciclovias e infraestrutura para pedestres. Desde a implantação do BRT em Curitiba, lembrou Ani, os gastos com transporte não atingem mais de 10% do salário dos curitibanos. Essa é uma mudança de impacto real na economia urbana que mostra como podemos nos beneficiar economicamente de ações sustentáveis. “Os sistemas eficientes de transporte podem gerar 17 trilhões de dólares em economia de energia, e uma redução de até 50% do CO2 que emitimos hoje”, destacou. O especialista destaca a influência positiva de Curitiba para as cidades de todos o mundo. A capital paranaense iniciou o sistema BRT que hoje está em 195 cidades do mundo com mais de 5.229 km de corredores e faixas construídos. Saiba mais no BRTdata.org.

Os relatórios do New Climate Economy são mais uma ajuda aos municípios ao combinar evidências para garantir que diferentes tipos de cidades são possíveis e viáveis também do ponto de vista econômico. “Estes dados precisam chegar aos políticos para que tomem decisões que tornarão a vida de nossos filhos melhor”, finalizou Ani. O caminho para cidades mais igualitárias, acessíveis e sustentáveis já está sendo traçado.

Saiba mais sobre o New Climate Economy.

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