Painel traz exemplos práticos para reduzir emissão de carbono

Cidades do Brasil e do mundo mostram o que fazer para ajudar a melhorar a qualidade de vida dos moradores

10/09/2015

Representantes de cidades brasileiras e do exterior se reuníram para contar suas experiências com a redução de emissão de carbono. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil) Representantes de cidades brasileiras e do exterior se reuníram para contar suas experiências com a redução de emissão de carbono. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil)

O painel ‘Oportunidades para reduzir a emissão de carbono nas cidades’ do Congresso Internacional Cidades & Transportes, na tarde de hoje (10), foi repleto de boas ideias para se colocar em prática e melhorar a qualidade de vida das pessoas nos centros urbanos. Apresentando os palestrantes, o Coordenador de Projetos da Wuppertal Institute for Climate, Environmental  and Energy, Oliver Lah, explicou o projeto SOLUTIONS da União Europeia, que promove o intercâmbio de experiências entre 10 cidades do mundo, divididas em duplas, sobre suas atitudes para melhorar as emissões de carbono e o transporte da população. Entre as participantes estão: Belo Horizonte e Curitiba, no Brasil; Budapeste, na Hungria; Barcelona, na Espanha; Leon, no Mexico; e Bremen, na Alemanha.

“O projeto visa ajudar a melhorar o transporte e desenvolver estudos de viabilidades, divididos em diretrizes e recomendações, além de estudar as especificidades políticas para tal. Há uma diversidade de equipes e a dupla Belo Horizonte/ Bremen é nosso ‘dream team’. É muito encorajador ver esse apoio mútuo”, elogiou Lah. O especialista sugeriu, ainda, uma solução para melhorar a emissão de carbono: “Um incentivo para evitar o uso do carro é fazer doer no bolso, seja na hora de comprar o veículo ou a gasolina. Deve haver medidas fiscais para que isso seja viável. Há países em que um carro custa até duas vezes mais do que em outros”, opinou o mediador. 

Coordenador de Projetos da Wuppertal Institute for Climate, Environmental  and Energy, Oliver Lah, explicou o SOLUTIONS. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Coordenador de Projetos da Wuppertal Institute for Climate, Environmental and Energy, Oliver Lah, explicou o SOLUTIONS. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

O Gerente de Projetos de Sustentabilidade Urbana da cidade de Bremen, Michael Glotzrichter, falou um pouco sobre a experiência de intercâmbio com BH.

“O foco do nosso plano é a qualidade do espaço urbano, pois se trata de caminhar e andar de bicicleta. Isto não é só uma questão técnica. Do total da nossa população, 25% usa bicicleta e outros 25%, andam a pé. Quase não temos tráfego. Isso faz parte de um debate político intenso e do nosso sistema de mobilidade urbana. Temos redes de ruas para bicicletas e isso fez parte da nossa troca com BH. Foi um exercício muito divertido, gostoso de fazer e aproveitamos muito. Planejamento de transporte não é algo que acontece de uma maneira matemática de algoritmo, é um processo político. Precisamos do apoio das pessoas, dos políticos e da mídia”, definiu Michael.

Marcelo Cintra do Amaral, Coordenador de Políticas de Sustentabilidade da BHTrans, afirmou que sua parceria com o Bremen começou há pouco mais de um ano e que tem sido uma constante inspiração, apesar de as cidades serem muito diferentes.

“As medidas que queremos reproduzir seriam sobre as bicicletas, apesar de uma realidade totalmente diferente. Bremen é mais plana. Em BH, no último levantamento, tínhamos menos de 0.5% das viagens feitas com bicicletas. Nosso objetivo é chegar a 6% das viagens. Sobre a contagem de emissão, temos um plano de redução de gases de efeito estufa, com indicadores, que faz parte do plano de mobilidade. Porém, como vamos medir exatamente, só se fizermos uma simulação que ainda não está prevista", explicou Amaral.

A Coordenadora de Projetos de Transporte e Clima da WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Magdala Arioli, está apoiando BH na implementação do projeto. "Muitas vezes pensam que essas soluções não são possíveis na realidade do Brasil, mas BH mostra que é querer, eles são engajados. Vamos fazer um projeto incrível, espero que até o final deste projeto tenhamos um projeto-piloto da ‘Zona 30’ e que isso sirva de exemplo para outras cidades do Brasil", encoraja Magdala.

Considerada um exemplo pelo mediador do painel, quando o assunto é mobilidade, Curitiba foi representada pela Engenheira da URBS, Rosângela Maria Battistella. "Mesmo que sejamos pioneiros do BRT no Brasil, tivemos uma troca importante em Leon. Sempre quem copia seu projeto, faz melhorado. Lá, vimos os defeitos do nosso projeto e usamos esta experiência para melhorar. Além disso, vimos a importância da bicicleta numa cidade plana, como Leon, e não a usávamos muito. Mesmo com os benefícios da bicicleta, a solução não é só ela ou transporte coletivo, mas um conjunto de medidas, como usar o carro conscientemente, participar do carona solidária. Mas, para mudar paradigmas da cidade, romper barreiras, como foi o caso de Curitiba em relação à bicicleta, é preciso ter vontade da população e política", afirmou Rosângela.

Gisela Mendes, Coordenadora da EMBARQ México, falou sobre a troca de experiências com Curitiba e pontuou uma diferença: no México o transporte é responsabilidade do Estado e não do município. "Graças à Curitiba, temos a ideia da liderança local. Quando se faz essa associação, como fortalecer a institucionalidade, conseguimos melhorar a gestão para que Leon diga, de fato, que tem um sistema operando há 30 anos. O importante é considerar tudo para gerir a mudança, como o período de governo menor, a metodologia, são peças de um quebra-cabeça", analisou Gisela.

Promovendo mudanças também na Turquia, a Coordenadora de Projetos e Programas da EMBARQ local, Pinar Köse, revelou que eles conseguiram superar os problemas e ofereceu um melhor serviço aos usuários. "Descobrimos que tínhamos que mudar as políticas e adaptar à realidade local. Tentamos mudar o sistema de transporte, com novos ônibus e uma estrutura melhor. Com isso, a população escolheu o transporte público e não o privado. Fomos aprendendo com o 'Solutions'. Os projetos terão impacto sobre nossos planos e pensamos em fazer estações para bicicletas", disse Pinar.

WRI BRASIL Marca 10 Anos Patrocinadores