O futuro é agora

A sessão “O futuro da mobilidade urbana no Brasil” que aconteceu hoje pela manhã no Congresso Internacional Cidades & Transportes apontou alguns caminhos para melhorar a mobilidade.

10/09/2015

(Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

A grande maioria da população ainda pensa no futuro do passado. No futuro dos Jetsons, no futuro ainda com o carro. “A gente vai ter que começar a voar se quisermos manter todo mundo no sistema individual”, comentou Clarisse Linke, Diretora Executiva do ITDP Brasil. A taxação do uso do carro, por meio de cobrança de pedágios e estacionamento, pode ser uma alternativa para mudar essa tendência de apego ao carro. A sessão “O futuro da mobilidade urbana no Brasil” que aconteceu hoje pela manhã no Congresso Internacional Cidades & Transportes apontou alguns caminhos para melhorar a mobilidade.

Vivemos em cidades com uma taxa de motorização similar às cidades europeias na década de 80. No Brasil ainda não há nenhum município com transporte coletivo equivalente ao transporte das cidades do mundo desenvolvido, com abrangência e qualidade.  “Precisamos construir o futuro olhando para o presente. A solução é destinar o espaço para quem transporta mais gente. Com o poder da tinta e da lei é possível organizar as cidades’”, comentou Luis Antonio Lindau, diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.  Berlin, por exemplo, tem algumas vias com duas faixas para ônibus e táxi e apenas uma para os carros.

Cidades de todo o mundo podem fornecer boas ideias. Mas nem todas inovações podem ser replicadas exatamente como foram implementadas nas suas cidades de origem. “Muitas soluções podem ser tropicalizadas e funcionar nas cidades brasileiras, basta fazer alguns ajustes, conhecer e analisar a realidade local e ter flexibilidade e criatividade para fazer adaptações”, disse Holger Dalkmann, Diretor de Estratégia e Políticas do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis. O ideal é que a cidade tenha várias opções de transporte e que o usuário possa escolher como se deslocar.

(Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentável) (Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentável)

Soluções existem, mas o governo sempre precisa de um empurrãozinho para tomar uma decisão e investir na melhoria da mobilidade da cidade. “O poder público não é ativo, é reativo, com alguns momentos de proatividade”, disse Dario Lopes, Secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades. A partir de 2016, as cidades poderão receber investimentos do governo federal para transporte não motorizado. O Secretário aproveita e dá também um recado para as cidades. “Avancem com seus planos de mobilidade e procurem um parlamentar para garantir orçamento para o transporte não motorizado. Uma outra forma de melhorar a mobilidade é fazer pressão. “Se a sociedade não pressiona, nada anda. É preciso pressionar e essa pressão precisa ser constante em busca da racionalização do transporte público”, reforça Dario.

A participação dos cidadãos é fundamental na construção de uma cidade mais inclusiva. E a Política Nacional de Mobilidade prevê isso. O desafio futuro é como engajar a população nesta discussão. As formas de participação disponibilizadas pelo poder pública envelheceram. As novas tecnologias possibilitam uma ampla gama de formas de participação direta. “É preciso muita ousadia e desejo do poder público para envolver as pessoas. E chegou a hora disso acontecer”, finalizou Clarisse Linke.

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