O Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável tem o poder de mudar os paradigmas da urbanização

No momento em que vários países investem em habitação de interesse social e sistemas de transportes, entre eles o Brasil, as diretrizes do DOTS – Desenvolvimento Orientado Pelo Transporte Sustentável têm o potencial de consolidar corredores de desenvolvimento e impactar diretamente a economia.

10/09/2015

Na tarde de hoje (10), o público presente no Teatro de Câmara da Cidade das Artes teve a oportunidade de acompanhar uma discussão enriquecedora a respeito das potencialidades de transformação do DOTS. Com a moderação de Clayton Lane, Diretor Ajunto do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, participaram da conversa Nívea Oppermann, Diretora de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil Cidades Sustentáveis; Victor Rico, Diretor Representante da CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) no Brasil; Amit Bhatt, Chefe de Estratégia de Transporte Urbano Integrado da EMBARQ Índia; Clare Healy, Gerente de Desenvolvimento Orientado pelo Transporte da C40; Ana Paula Maciel, da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades; e Daisy Dwango, Diretora de Planejamento e Políticas de Transporte de Joanesburgo (África do Sul).

Painelistas na sessão 'A promoção do Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável' (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Painelistas na sessão 'A promoção do Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável' (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

O poder de transformação do DOTS

O DOTS, termo originado do inglês TOD (Transit-Oriented Development) é um modelo de planejamento urbano que promove a criação de cidades compactas, de alta densidade populacional, com diversidade de usos, serviços e espaços públicos e que favoreçam a mobilidade sustentável e o desenvolvimento econômico. O que confere ao DOTS esse potencial de transformação é também o seu eixo principal: o planejamento – como explicou Nívea Oppermann: “Analisando a realidade que temos no brasil hoje, o que se observa é uma dificuldade muito grande do poder público e da população em geral de valorizar o planejamento. As cidades cresceram de forma muito disperso. O DOTS propõe um modelo de cidades coordenadas, conectadas e compactas. Uma boa cidade é aquela que oferece boa infraestrutura, bons serviços, e uma cidade dispersa dificilmente é capaz de fazer isso. O DOTS muda esse paradigma”.

Nos Estados Unidos, cidades dispersas custam à economia 1 trilhão de dólares por ano, de acordo com um estudo do New Climate Economy publicado este ano. Estes custos incluem gastos com infraestrutura, serviços públicos e transporte. Um dos princípios do DOTS é o investimento em sistemas de transporte coletivo de qualidade – que torna as cidades mais conectadas, reduzindo os gastos com os deslocamentos: “Um dos maiores benefícios do DOTS é a promoção de corredores de desenvolvimento. Ao implantar um sistema de BRT, por exemplo, áreas distantes passam a estar conectadas e todo o percurso entre elas, ligado por esse sistema de transporte coletivo de qualidade, se desenvolve economicamente, atrai um fluxo maior de pessoas, torna-se mais dinâmico”, analisou Amit.

Amit Bhatt e Victor Rico (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Amit Bhatt e Victor Rico (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

São sete as diretrizes de planejamento propostas pelo DOTS: transporte coletivo de qualidade, mobilidade não motorizada, gestão de demanda de viagens, uso misto do solo, centros ativos, espaços públicos e participação social. Juntos, esses elementos dão forma a um complexo processo de planejamento que, na prática, transforma a realidade. Um dos exemplos de aplicação bem sucedida dos princípios do DOTS é o projeto Minha Casa, Minha Vida de Rio Grande, como contou Ana Paula Maciel (foto abaixo): “Nós já tivemos uma experiência de sucesso com a aplicação do DOTS em Rio Grande, com o apoio da EMBARQ Brasil. Lá, o empreendimento foi inserido dentro da malha urbana, com infraestrutura de transporte acessível. Os resultados foram positivos, de forma que nessa nova fase do programa queremos obter o mesmo sucesso em novos empreendimentos e ampliar o modelo proposto pelo DOTS nas cidades brasileiras”.

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Daisy Dwango (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Daisy Dwango (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Ao falar da aplicação dos conceitos trazidos pelo DOTS, é essencial atentar para o contexto local. Diferentes cidades em diferentes países têm também necessidades diferentes: “A urbanização em um país desenvolvimento é diferente da urbanização em países desenvolvidos.

Assim, falar de DOTS na América Latina é falar da necessidade de adaptar esses elementos ao contexto e às necessidades das cidades latino-americanas”, ponderou Victor Rico.

Daisy Dwango, por sua vez, complementou o debate com a visão do contexto sul-africano, direto da cidade de Joanesburgo: “Na minha visão, DOTS se resume à melhora da qualidade de vida.

Em Joanesburgo, trabalhamos para desenvolver mecanismos de financiamento que possam fomentar a aplicação cada vez mais ampla das diretrizes de planejamento do DOTS, em busca de mudanças positivas para todas as partes envolvidas – cidades, pessoas, gestores”.

 

 

 

 

 

O DOTS é uma ferramenta para encaminhar as cidades ao desenvolvimento sustentável, promovendo o crescimento urbano coordenado e planejado. “O aspecto mais importante do DOTS é este”, pontuou Clare Healy, “é um modelo de planejamento que permite às cidades se desenvolverem economicamente de uma maneira mais saudável e socialmente inclusiva”.

Clare Healy, no centro, e Nívea Oppermann, à direita (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Clare Healy, no centro, e Nívea Oppermann, à direita (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

WRI BRASIL Marca 10 Anos Patrocinadores