Cidades para fomentar a nova economia do clima

Precisamos nos importar. Cinquenta e quatro por cento da pulação mundial já vive em cidades e as consequências das mudanças climáticas atingem, e atingirão com ainda mais força, os residentes urbanos. Não por acaso, as mais importantes iniciativas em combate às emissões estão nas cidades.

10/09/2015

Rachel Biderman mediou o debate entre os especialistas. (Foto: Benoit Colin / WRI) Rachel Biderman mediou o debate entre os especialistas. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Durante o painel dedicado ao tema no final desta manhã no Congresso Internacional Cidades & Transportes, a Diretora do WRI Brasil, Rachel Biderman, mediou o debate entre Délio Malheiros, Vice-prefeito de Belo Horizonte; Nelson Franco, Gerente de Mudanças Climáticas da Prefeitura do Rio; Thierry Dudermel, Ministro Conselheiro da Delegação Europeia no Brasil; e Todd Litman, Pesquisador do Victoria Transport Policy Institute (Canadá).

Rachel iniciou comentando sobre a importância de os municípios construírem alianças para encontrar formas de combate a um problema de todos, como é a questão climática. Uma das principais alianças nacionais nesse sentido é o CB27 – Fórum das Secretarias de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras, do qual Malheiros e Franco são lideranças. “O CB27 busca trocar e divulgar boas práticas entre as capitais brasileiras. É um momento importante para aprendermos com quem já está fazendo”, explicou Malheiros. “A equipe do Rio de Janeiro, por exemplo, auxiliou a Secretaria de Meio Ambiente de Porto Alegre a desenvolver seu inventário de emissões”, lembrou Franco.

O economista comentou sobre a importância de se planejar e investir em políticas eficazes para o combate às mudanças climáticas a partir da criação de inventários de emissões. “A partir dos inventários temos o norte para as políticas climáticas. O documento mostra quais são os principais emissores: transportes, indústria, ou outro”, comentou. Atualmente, o transporte é responsável por 39% das emissões no Rio de Janeiro. Franco está à frente do plano de mitigação na cidade carioca, que tem meta de reduzir em 20% as emissões até 2020.

Nelson Franco, do Rio de Janeiro. (Foto: Benoit Colin / WRI) Nelson Franco, do Rio de Janeiro. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Malheiros, de Belo Horizonte. (Foto: Benoit Colin / WRI) Malheiros, de Belo Horizonte. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Belo Horizonte é outra capital brasileira que dá exemplo para o combate às questões climáticas. Malheiros lembrou que a capital de Minas Gerais foi eleita a melhor cidade de gestão ambiental pela revista Exame.

“Temos uma política ambiental muito séria. Investimos em tecnologia para que possamos avançar nas questões climáticas. Um exemplo é o estudo para implementação de luzes de LED na iluminação pública”, comentou. Para o vice-prefeito, os investimentos federais devem ser melhor distribuídos para incentivar os municípios.

O arrecadamento com o IPVA, sugere o especialista, poderia ser revertido para iniciativas de combate às emissões, como o incremento do transporte coletivo e não motorizado.

“Precisamos usar este montante arrecadado pelo governo anualmente para estimular o transporte público e desestimular o privado. Precisamos investir em BRT como fez o Rio, Belo Horizonte, retirando milhares de veículos das ruas”, finalizou Malheiros.

 

 

 

 

Experiência internacional

Thierry Dudermel e Todd Litman comentaram através da perspectiva dos países europeus e norte-americanos, que já estão na linha de frente da nova economia do clima há pelo menos três décadas. “Podemos dizer que a União Europeia é uma campeã na luta contra as mudanças climáticas. Isso porque 5% dos fundos regionais são dedicados à sustentabilidade urbana”, pontuou Dudermel.

“A população urbana é a primeira a sentir as consequências da mudança climática. Isso aumenta e fomenta a necessidade de iniciativas para combate-la dentro dos órgãos públicos. É isso que a Europa vem fazendo”, completou.

Dudermel, UE. (Foto: Benoit Colin / WRI) Dudermel, UE. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Para o fundador da Victoria Transport Policy Institute (VTPI), Todd Litman, os planejadores urbanos têm um papel-chave no processo, pois podem construir o “paraíso” onde queremos morar. Litman estuda e acredita na força que comunidades com bons serviços, oportunidades e conectadas à malha urbana pode exercer. “Se as pessoas precisam de transporte para andar longas distâncias, isso exige mais tempo e mais emissões de gases. Nosso objetivo enquanto planejadores é tornar as comunidades mais fortes e independentes”, explicou. “Na cidade e nos bairros nós interagimos, andamos nas ruas e nos conectamos com outros e com as oportunidades”.

O pesquisador fez parte do time que elaborou o relatório “Análise de políticas públicas que não intencionalmente encorajam e subsidiam a dispersão urbana”, (em tradução livre), para o New Climate Economy. No documento, detalha as distorções de planejamento e mercado que acabam incentivando a dispersão urbana e estima o custo deste modelo de desenvolvimento. Um achado importante da nossa pesquisa foi limitar o número de carros nas ruas e abrir espaço às pessoas. “No espaço urbano, você escolhe: ou tem mais pessoas ou mais carros. Você não pode ter os dois”, enfatizou Litman.

Litman, do Canadá. (Foto: Benoit Colin / WRI) Litman, do Canadá. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Ao final da sessão, Dudermel convidou os presentes a participarem do encontro Mudanças climáticas: somos todos responsáveis, que ocorre em outubro no Rio, para discutir a responsabilidade de cada um nessa batalha contra o aumento da temperatura global.

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