A mudança começa na visão das cidades

Sessão debateu a importância de estabelecer metas e do planejamento estratégico para concretizá-las.

10/09/2015

Especialistas durante o painel que debateu o planejamento estratégico das cidades (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Especialistas durante o painel que debateu o planejamento estratégico das cidades (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Como as cidades podem desenvolver um planejamento estratégico para o futuro e deixar às pessoas um legado que transcenda os diferentes mandatos? Para responder essa pergunta, a sessão “A importância de ter uma visão de cidade” reuniu esta manhã no Teatro de Câmara da Cidade das Artes um time de especialistas: Andrew Steer, Presidente e CEO do WRI; Judith Pollock, Vice-diretora da Shell Foundation; Rodrigo Rosa, Assessor Especial da Prefeitura do Rio de Janeiro na C40; Nina Lualdi, Diretora de Iniciativas Transformacionais e Investimentos Estratégicos da Cisco no Brasil; Ciro Biderman, Chefe de Gabinete da SPTRANS; e Sérgio Duarte, Diretor da FIRJAN.

Com a moderação de Ana Nassar, Gerente de Políticas do ITDP Brasil, os participantes debateram os possíveis caminhos que podem ser trilhados pelas cidades brasileiras rumo a um futuro planejado e de desenvolvimento sustentável. Tópicos como o processo de construção da visão, o que fazer para que as medidas tomadas se perpetuem em longo prazo e formas de mensurar e monitorar as metas estabelecidas nortearam uma discussão rica em referências e troca de conhecimento.

Onde se está, aonde se almeja chegar e o que é necessário para atingir os objetivos são questões que gestores e tomadores de decisão devem ter em mente quando assunto é planejar para o futuro. Assim pensa Andrew Steer, Presidente do WRI, e primeiro a falar na sessão. Na concepção de Andrew, a construção da visão de cidade é o primeiro e essencial passo a ser dado: “A visão é necessária porque ela motiva as mudanças. A visão de uma cidade é a primeira responsável pelas mudanças nessa cidade. Mas além da visão, é preciso planejamento de ações integradas entre as diferentes instâncias da administração municipal”.

Andrew Steer, Judith Pollock e Rodrigo Rosa na conversa sobre como deixar para as cidades um legado que transcenda mandatos (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Andrew Steer, Judith Pollock e Rodrigo Rosa na conversa sobre como deixar para as cidades um legado que transcenda mandatos (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Ciro Biderman falou sobre a importância do comprometimento dos prefeitos com a visão de cidade (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Ciro Biderman falou sobre a importância do comprometimento dos prefeitos com a visão de cidade (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Para que a visão prospere e se transforme em mudanças sentidas na prática pela população, porém, um elemento é fundamental: a liderança e o comprometimento do prefeito ou prefeita. No caso de São Paulo, conforme conta Ciro Biderman, representante da prefeitura no evento, foi o que fez toda a diferença: “No caso da nossa cidade, foi essencial ter um prefeito passando sua visão para os secretários e demais integrantes da equipe. Dividindo suas metas com a população e estabelecendo estratégias. A mudança do carrocentrismo é lenta, e provavelmente ainda vai demorar, mas é preciso persegui-la sempre, e é o que estamos fazendo”.

Ações alinhadas com estratégias estabelecidas a partir de uma visão de cidade são essenciais para o desenvolvimento sustentável das cidades. Essa cultura de planejamento e gestão, característica do setor privado, se integrada à administração municipal, pode beneficiar pessoas e cidades ao estabelecer uma continuidade administrativa capaz de transcender mandatos. Sérgio Duarte, ao compartilhar um pouco de sua experiência na FIRJAN, confirma essa premissa: “O planejamento estratégico de longo prazo é fundamental para o sucesso. Mas muitas vezes faltam ferramentas para os gestores públicos; e esse é um aspecto em que a indústria pode ajudar as cidades. Oferecendo índices e dados que podem orientar no processo de planejamento e construção da visão que vai nortear as ações. A troca de experiências entre o setores público e privado é uma grande oportunidade para ambos os lados”.

O planejamento é a chave para o desenvolvimento das cidades. Visando a um futuro mais próspero e sustentável, são as ações estratégicas, previamente pensadas e posteriormente bem executadas, que movem o crescimento dos centros urbanos: “Às vezes pensamos em uma visão que parece impossível, loucura, mas no momento em que se começa a trabalhar para atingi-la ela passa a se mostrar viável. Assim começam as mudanças. Sem estabelecer metas – qual é sua visão e seu objetivo –, não se chega a lugar nenhum. O caminho começa com a visão, e depois disso é extremamente importante planejar e executar”, comenta Nina Lualdi.

Nina Lualdi: é preciso estabelecer uma meta e agir para concretizá-la (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Nina Lualdi: é preciso estabelecer uma meta e agir para concretizá-la (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Rodrigo Rosa, reforçando a mensagem de seus colegas, atenta também para outro pilar do sucesso da visão de cidade: o apoio da população. “Uma cidade vale pela solidez do conjunto de valores que tem, e o planejamento é o que vai concretizar esses valores. Mas, para que tudo isso seja possível, o confiança e a participação das pessoas são fundamentais. O engajamento da população com a visão da cidade é um dos pilares para o sucesso”, afirma.

E o que é possível fazer para engajar a população – para mostrar as pessoas o que a cidade deseja e contar com o suporte e participação popular na tomada de decisões? Judith Pollock traz uma resposta simples e direta: “Atingir transformações é um desafio, e se você, como líder municipal, não tiver todos embarcados nessa jornada com você, a mudança será muito mais difícil. A visão de cidade – alinhada com a população – é o que vai impulsionar essa mudança”. Na síntese da moderadora Ana Nasser: “Estamos falando de conquistar corações e mentes a partir de uma visão de cidade que engaje as pessoas e transforme as cidades”.

 

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