Oficina Solutions apresenta soluções de mobilidade urbana inovadoras

O Coordenador de Projetos da Wuppertal Institute for Climate, Oliver Lah, foi apresentado como moderador por Magdala Arioli, Coordenadora de Projetos e Transporte e Clima do WRI Cidades Sustentáveis nos primeiros minutos da oficina que seguiu durante a tarde desta quarta-feira (9) do Congresso Internacional Cidades & Transportes. 

09/09/2015

(Fotos: Luísa Schardong / WRI Cidades Sustentáveis) (Fotos: Luísa Schardong / WRI Cidades Sustentáveis)

A intenção do projeto de conectar as cidades é fazer com que o cenário seja de compreensão mútua, para que os pares entendam os problemas relacionados e possam resolve-los de maneira eficiente.  É preciso identificar as diferenças entre as cidades, governos e prefeitos, ainda assim algumas das diretrizes de análise dos projetos permanecem iguais: congestionamento, acesso, qualidade do ar, segurança, eficiência econômica, segurança energética, meio ambiente.

Ao fim de sua exposição, Oliver enfatizou a importância de pensar a logística urbana e criar laços empáticos com os outros membros da sociedade civil, de políticos a vizinhos. Apenas assim, as trocas de informação podem continuar acontecendo para o crescimento conjunto.

Inovação e eficiência

Michael Glotz Richter, gerente de transportes da cidade de Bremen, na Alemanha, apresentou formas de construir uma cidade inovadora que seja ao mesmo tempo eficiente e orientada para o transporte não motorizado. “Para isso é preciso fazer com que o processo se inicie durante o processo de aprendizado escolar, ainda no ensino básico”, disse. Tais políticas acabam resultando nos hábitos dos mais de meio milhão de moradores da cidade alemã, onde 25% dos deslocamentos são feitos de bicicleta.

O gestor público alemão asseverou como possuir uma bicicleta é benéfico desde a saúde até a economia local. Além da iniciativa de apoio às bicicletas, a cidade de Bremen é a única da Europa com uma estratégia ambiciosa para substituir a posse do carro por um compreensivo serviço de car-share. Atualmente, 60 estações estão espalhadas pela cidade e a previsão é que haja 80 delas até o fim de 2015. “Quando preciso de um carro, tenho um a minha disposição, então eu pago para ter ele por algumas horas. Isso, sim, é conveniência”, disse Michael, ao apontar os dados do sistema de car-sharing no painel: cada carro disponibilizado no sistema de car-share substitui 11 carros privados.

Durante sua apresentação, Michael sinalizou como o projeto SOLUTIONS proporcionou a troca de experiências entre Bremen, na Alemanha, e Belo Horizonte, Minas Gerais. Convidou, por fim, todos os participantes da oficina para participar da 3ª Conferência Europeia sobre os planos de mobilidade urbana sustentável que acontecerá em Bremen nos dias 12 e 13 de abril de 2016.

Transporte: um tema político

“Fazer transformação sem vontade política é muito difícil. Transporte é um tema político. Os técnicos apontam as soluções, mas as decisões acabam sendo sempre políticas”, asseverou Adriana Lobo, Diretora Presidente da EMBARQ México, ao apresentar seu painel sobre os rumos necessários para obtermos melhores sistemas de transportes integrados.

Na América Latina continuamos vendo o desenvolvimento urbano através da priorização de vias para automóveis. Para planejar isso de melhor maneira é preciso ter visão de largo prazo. “Em alguns lugares do México, o transporte público chega a ser de 14% do total e, infelizmente, esse baixo número não acontece por substituição por bicicletas ou caminhadas, mas por mais carros particulares”, destacou a palestrante.

Para mudar isso, segundo Adriana, é preciso trabalhar ponto a ponto, mas sem deixar de ter uma ideia de figura final a ser obtida para não perder a visão de conjunto da integração. “Para isso, é preciso priorizar a otimização da infraestrutura, pois as vias públicas dão estrutura para o corpo da cidade e acabam definindo como ela vai se conectar”.

O espaço viário é restrito e tem cada vez mais atores e veículos para dividir o mesmo espaço, portanto, não parece mais recurso infinito como parecia quando as cidades começaram a ser construídas. Isso obriga que pensemos melhor o uso desses espaços, de maneiras mais sociais e compartilhadas. “Quando vemos que mais de 40% dos mortos são pedestres, sabemos que isso é preciso mudar e repensar o funcionamento de nossas cidades”, asseverou.

Os sistemas de bicicleta, integração tarifária e a tecnologia com seu caráter inovador de criar possibilidades de serviço podem alterar a realidade das cidades. Por fim, em sua exposição, Adriana Lobo destacou a importância da imagem que passamos do transporte público. “É primordial, pois é preciso mostrar a qualidade desse produto, a comunicação direta com a população é extremamente necessária”

Tecnologia deve ser apoio, não solução

A quarta palestrante da oficina, Suzanne Hoadley, Senior Manager da Polis Network, apresentou alguns sistemas em que tecnologias podem ajudar a alterar a realidade das cidades. “Ainda assim, o fator tecnológico não pode ser considerado como o único salvador, pois as obrigações com a qualidade do ar, saúde dos cidadãos, estradas mais seguras, a promoção de diferentes modais e o controle de tráfego precisam continuar sendo prioridades”, afirmou.

Após, Suzanne, apontou alguns motivos para os quais sistemas tecnológicos podem promover melhorias para as cidades.  Uma das tecnologias apresentadas foi o Pedestrian Scoot, um sensor que calcula o número de pessoas esperando para atravessar e, de acordo com a quantidade detectada, o equipamento prolonga o tempo para que mais pessoas atravessem. Ou seja, ele oferece mais eficiência e otimização nas viagens a pé. Iniciativa que faz parte dos esforços de Londres para reduzir em 40% o número de pedestres mortos ou feridos até 2020.

Ressaltou também os aplicativos para ciclistas que reforçam a rede de pessoas que utilizam esse modal. “Iniciativas como essa fornecem dados sobre os tipos de rotas que os ciclistas vão enfrentar, entretanto, tais dados abertos, se utilizados de maneira apropriada pelos governos, pode resultar em melhores cidades para todos”

Por fim, ressaltou a como dados abertos e colaborativos podem ajudar os tomadores de decisão, pois assim são abastecidos com informações e ferramentas necessárias para tornar a mobilidade sustentável uma realidade.

Saiba mais sobre o Projeto Solutions

Projeto SOLUTIONS (Sharing Opportunities for Low Carbon Urban Transportation) é uma iniciativa da União Europeia que reúne 23 organizações, 20 cidades com assistência direta e indireta, e mais de 70 especialistas no desenvolvimento e implementação de uma agenda de cooperação global por soluções de baixa emissão de carbono em transporte público, infraestrutura de transportes, logística urbana, planos de mobilidade urbana, gestão das redes de mobilidade urbana e veículos não poluentes.

A intenção do programa é facilitar o diálogo e intercâmbio de iniciativas de mobilidade sustentáveis, promoção de políticas públicas de sucesso, fornecendo orientação e aconselhamento personalizado para os representantes municipais.

Acompanhe o Congresso:

Entre 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

WRI BRASIL Marca 10 Anos Patrocinadores