Oficina de capacitação debate medidas para qualificar a acessibilidade e a segurança do transporte ativo

Cada vez mais, cidades brasileiras encontram-se frente ao mesmo desafio: oferecer infraestrutura e segurança frente a uma participação cada vez maior dos meios de transporte não motorizados na distribuição modal das cidades.

09/09/2015

Cerca de 50 participantes acompanharam o debate sobre as condições necessárias para o uso da bicicleta como meio de transporte e o que as cidades podem fazer para promovê-lo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Cerca de 50 participantes acompanharam o debate sobre as condições necessárias para o uso da bicicleta como meio de transporte e o que as cidades podem fazer para promovê-lo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Dando início às atividades que fazem parte da programação do Congresso Internacional Cidades & Transportes, a Oficina Giz de Capacitação reuniu esta manhã profissionais de diferentes cidades e setores, interessados em aprender mais sobre como garantir segurança para os ciclistas a partir da infraestrutura urbana. A oficina foi coordenada por Manfred Breithaupt, Assessor de Transportes Sênior da GIZ, e contou com a participação de Zé Lobo, fundador da ONG Transporte Ativo; e Warner Vonk, cofundador da Buus.

O crescente número de carros nas ruas prejudica a qualidade de vida e causa prejuízos sociais, ambientais e econômicos. Cidades em todo o mundo sofrem com as elevadas taxas de motorização – em São Paulo, por exemplo, campeã entre as brasileiras, existem 465 carros para cada mil habitantes. Para mudar esse paradigma, é preciso promover uma distribuição mais igualitária do espaço viário e, principalmente, investir em transporte coletivo e não motorizado: “Os veículos ocupam espaços que poderiam ser destinados a pedestres, ciclistas, modais coletivos e mais sustentáveis. Nós sabemos muito bem o que influencia positivamente a vida nas cidades: transporte coletivo de qualidade, infraestrutura abrangente, acessibilidade, espaços públicos. Precisamos enfrentar o problema com comprometimento”, observou Breithhaupt.

MANFRED BREITHAUPT, COORDENADOR DA OFICINA (FOTO: SERGIO TRENTINI/WRI BRASIL CIDADES SUSTENTÁVEIS) MANFRED BREITHAUPT, COORDENADOR DA OFICINA (FOTO: SERGIO TRENTINI/WRI BRASIL CIDADES SUSTENTÁVEIS)

Uma cidade que mova pessoas, não veículos: especialista holandês da área de transporte urbano sustentável, Warner Vonk frisou a importância de se refletir sobre o uso do carro – de atentar para um uso que, sendo muitas vezes irracional, torna-se tão prejudicial para a qualidade de vida nas cidades. Conforme Vonk, é possível qualificar a mobilidade nas áreas urbanas investindo em alguns pontos-chave: “Planejamento participativo, para envolver a população; gestão de demanda de viagens, para racionalizar o uso do automóvel; e desenho urbano, para qualificar a infraestrutura e a acessibilidade do transporte não motorizado, estão entre as principais medidas que as cidades podem adotar. Sabemos que não é fácil, mas a troca de experiências e conhecimento é um grande passo que podemos dar rumo a uma mobilidade mais igualitária e sustentável”.

Warner Vonk (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Warner Vonk (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Redistribuir o espaço público e redesenhar o sistema viário são condições essenciais para qualificar a mobilidade por bicicleta e efetivamente fazer deste um meio de transporte seguro e viável. Convidando os participantes da oficina a pensar mais atentamente no que a bicicleta representa para as cidades, Zé Lobo apresentou um panorama do modal no Brasil, quarto maior produtor mundial. O especialista atentou para os reflexos do uso da bicicleta na vida urbana: “Nos últimos dez anos, o número de fabricantes de bicicletas no Brasil aumentou 35%. E tanto o uso quanto a infraestrutura cicloviária vêm crescendo também, o que gera impactos positivos para a mobilidade e para o dia a dia nas áreas urbanas. Hoje as bicicletas fazem parte do cenário das cidades. As cidades que investiram em infraestrutura cicloviária são as cidades que viram aumentar a segurança, a saúde e a qualidade de vida”.

Zé Lobo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Zé Lobo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Ao longo da oficina, os participantes discutiram maneiras de transformar o ambiente urbano, a fim de torná-lo de fato seguro e acessível para pedestres e ciclistas. Experiências nacionais e internacionais abordadas mostram que os caminhos são múltiplos e se complementam. “Não existe uma receita pronta. Por isso o diálogo é sempre tão importante; essencial para chegarmos aonde queremos em termos de cidades mais acessíveis. A convivência harmoniosa entre os modais é possível”, garante Vonk. Distribuição equilibrada do espaço viário, desenho urbano com prioridade aos modais não motorizados, criação de espaços públicos, oferta de uma rede de transportes integrada – juntos, todos são elementos que garantem segurança e acessibilidade e, assim, contribuem para fazer das cidades lugares melhores para as pessoas.

Grupo de participantes da oficina, na Cidade das Artes (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Grupo de participantes da oficina, na Cidade das Artes (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Sobre os organizadores

GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit, Sociedade Alemã de Cooperação Internacional) é uma organização que atua em diversas partes do mundo oferecendo serviços no setor de cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável. Um deles é o projeto SUTP – Sustainable Urban Transport Project (em português, Projeto de Transporte Urbano Sustentável) foi criado para ajudar cidades em desenvolvimento a alcançarem suas metas de transporte sustentável e, para isso, atua por meio da disseminação de informações a respeito de boas práticas e experiências internacionais de sucesso, orientação política, treinamento e capacitação. O projeto já realizou mais de 140 cursos em cidades da Ásia, da África e da América Latina.

 

Acompanhe:

Nos dias 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

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