Os desafios do transporte coletivo no contexto metropolitano

Para qualificar a mobilidade e o desenvolvimento das cidades, é necessário pensar os problemas urbanos em uma escala que ultrapasse os limites municipais e articular soluções ligadas às necessidades e inter-relações de toda a região.

20/08/2015

Foto: Agência Brasília/Flickr Foto: Agência Brasília/Flickr Para qualificar a mobilidade e o desenvolvimento das cidades, é necessário pensar os problemas urbanos em uma escala que ultrapasse os limites municipais e articular soluções ligadas às necessidades e inter-relações de toda a região. Atuando de forma integrada, as regiões metropolitanas dos estados passam a se enxergar como um organismo mais amplo e assumem responsabilidade mútuas na organização, planejamento e execução de serviços.

O Estatuto da Metrópole, sancionado em janeiro deste ano, estabelece fundamentos e diretrizes para a gestão urbana integrada e determina o prazo de três anos para que as cidades construam seus Planos de Desenvolvimento Urbano Integrado (PNDI). Com a nova legislação, as cidades de regiões metropolitanas têm agora suporte legal para se articularem na gestão de funções públicas de interesse comum, como é o caso dos serviços de transporte coletivo.

No Congresso Internacional Cidades & Transportes, o assunto estará em debate na sessão O desafio do transporte coletivo no contexto metropolitano, dia 10 de setembro, às 14 horas. Vicente Loureiro, Subsecretário de Urbanismo Regional e Metropolitano Estado do Rio de Janeiro; Riley Rodrigues, Especialista Sênior em Competitividade Industrial e Investimentos no Sistema da FIRJAN; Cássio Taniguchi, Superintendente-geral da SUDERF; Severiano Macedo, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Cisco; e Flavio Almada, Presidente do MetrôRio, participam do evento para debater como diferentes regiões estão se preparando para atender as premissas do Estatuto e quais os principais avanços até agora.

Com pelo menos 100 milhões de brasileiros vivendo em regiões metropolitanas e aglomerações urbanas e as cidades seguindo um ritmo de expansão muitas vezes mal planejado, são necessárias medidas para orientar o desenvolvimento dos centros urbanos e tornar realidade a mobilidade sustentável.  Ao considerar o contexto metropolitano, para além do municipal, ampliam-se os desafios de gestão. Em paralelo, porém, surgem as oportunidades de trabalhar a mobilidade em uma proporção maior, atingindo mais pessoas e diferentes padrões de deslocamento. Pensar o transporte coletivo em escala metropolitana, a partir do planejamento integrado entre as cidades, permite atender de forma mais direcionada diferentes necessidades de deslocamento – como a de quem trabalha em uma cidade, mas mora em outra.

 

Ações brasileiras

O Estatuto da Metrópole é recente, mas já existem no Brasil casos de regiões metropolitanas que se articularam para resolver questões urbanas. O Rio de Janeiro instalou a Câmara Metropolitana de Integração Governamental e o Grupo Executivo de Gestão Metropolitana, responsável pela contratação e gestão do plano de desenvolvimento da RM, no qual um dos destaques é a mobilidade. O Estado de Minas Gerais desenvolve o Plano Metropolitano de Belo Horizonte e trabalha no Plano de Mobilidade.

Outro exemplo é o Plano de Mobilidade Sustentável da Grande Florianópolis – PLAMUS. O processo de construção do plano envolveu a coordenação de pesquisas, levantamentos, análises e proposições para mapear necessidades de mobilidade na região dos 13 municípios que compõem a RM: Anitápolis, Rancho Queimado, São Bonifácio, Angelina, Antônio Carlos, Águas Mornas, São Pedro de Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz, Biguaçu, Governador Celso Ramos, São José, Palhoça e Florianópolis. O WRI Brasil | EMBARQ Brasil prestou apoio técnico no âmbito da participação social do plano que, desde o início, teve a governança como preocupação, estabelecendo diversos formatos de diálogo e transparência com a sociedade e parceiros. 

O desenvolvimento do plano e as soluções articuladas entre as cidades seguiram uma diretriz fundamental: levar mais integração, sustentabilidade e qualidade de vida às pessoas da região metropolitana de Florianópolis.

 

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