Como o uso de dados abertos pode transformar as cidades do futuro

O crescimento da quantidade de dados disponíveis levanta questionamentos sobre o uso que fazemos desses dados.

18/08/2015


dados dados O crescimento exponencial da quantidade de dados disponíveis tanto para os cidadãos quanto para os tomadores de decisão torna pontuais certos questionamentos acerca da forma que fazemos o uso dessas informações. É preciso partir da lógica de que vivemos, hoje, em dois mundos: o mundo físico e o mundo digital. É cada vez maior o número de iniciativas tecnológicas que transcendem a barreira para a realidade física. Computação na nuvem, big data, e dados abertos fornecem às cidades novas perspectivas para melhorar a integração e eficiência de seus serviços. O uso adequado de tais ferramentas permite que as comunidades tenham mais interação direta com suas cidades e governanças.

De acordo com relatório da Cisco, em 2019, o tráfego online será equivalente a 64 vezes o volume de toda a internet em 2005. Imagine a quantidade de dados diários que os usuários vão gerar. Para debater sobre o assunto, o arquiteto de tecnologia da Future Cities e gerente do OpenGlasgow, Colin Birchenall, participa do painel Cidades, dados abertos e transparência, composto, por Gustavo Maia, co-fundador do Colab, eleito o melhor aplicativo para questões urbanas do mundo pelo concurso AppMyCity; assim como Cesar Taurion, Fundador e CEO da Litteris Consulting; Nina Lualdi, Diretora de Iniciativas Transformacionais e Investimentos Estratégicos da CISCO no Brasil; e Alessandro Saraceni, Gerente de Programas da Transport Systems Catapult, do Reino Unido. A mesa será mediada por Ciro Biderman, Chefe de Gabinete da SPTRANS.

 

Cidades, dados abertos e transparência

Todos podem ajudar na tomada de decisões que impactam a cidade, tais como a resiliência econômica e crescimento, qualidade de vida, bem-estar e sustentabilidade ambiental” é o que diz Colin Bichernall, Gerente do Programa Open Glasgow e palestrante do Congresso Internacional Cidades & Transportes, no Rio de Janeiro.

Colin e sua equipe acreditam que a cidade é feita pelas pessoas; tanto na tomada de decisões como no aspecto criativo. Glasgow é a maior cidade da Escócia e a terceira maior do Reino Unido. Há alguns anos, a cidade venceu um concurso com outros 29 municípios e ganhou um financiamento de 24 milhões de libras para implementar o programa Open Glasgow, parte do Glasgow Future Cities (GFC), um projeto que intenciona colocar os habitantes da cidade na linha de frente da integração e inovação tecnológica.

O programa vê cada habitante como um denominador comum do caráter e da história da cidade. Hoje, praticamente todos os resultados da atividade humana e do conhecimento são capturados através da Internet, dispositivos ou sensores. Para o Open Glasgow estes dados são matéria-prima. Para melhorar a realidade sustentável da cidade, por exemplo, o programa mapeou os principais pontos de reciclagem e desenvolvedores de painéis solares fotovoltaicos. Dessa forma, usando dados abertos, desenvolveram um mapa de energia renovável com as principais informações para os cidadãos.

A ideia do gerente do programa, Colin Bichernall, passa por uma análise crua dos dados. Para ele, se temos as matérias-primas corretas, podemos criar projetos incríveis. Ter os dados abertos e saber aproveitá-los para beneficiar a própria cidade empodera os moradores e encoraja a criação de novas soluções para antigos problemas urbanos. O acesso à informação é primordial para que possamos transformá-la em ferramentas que tornem mais fácil a vida nos centros urbanos.

Apesar de as cidades já possuírem altas quantidades de dados, ainda não são totalmente aproveitados novas técnicas e mecanismos que permitam a utilização dessas informações de modo inovador. Colin Bichernall defende que para resolver os problemas urbanos, é preciso criar uma cultura open data, e usar ferramentas efetivas de aplicação dos dados que já existem, a fim de facilitar a rotina das pessoas.

Os governos, grupos comunitários e indivíduos; todos têm (e produzem a todo momento) dados sobre as próprias cidades. Nos últimos anos passamos por uma mudança forte de cultura, pois muitos desses dados não estavam disponíveis, mas agora estão sendo abertos, e proporcionando espaço para compartilhamento. Assim, a partir da experiência de uma pessoa muitos outros cidadãos podem se beneficiar.

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