Ônibus nas ruas, ar mais limpo

A tecnologia tem um papel essencial: tornar o transporte mais sustentável para mitigar as mudanças climáticas.

29/07/2015

Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil As emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor de transportes estão crescendo mais rápido que as de qualquer outro setor no mundo. Isso significa que atividades urbanas, como deslocamentos motorizados individuais, opções insuficientes de transporte coletivo e logística de mercadorias mal planejada, precisam ser repensadas para um modelo mais eficiente em termos de consumo energético, porque as consequências à saúde humana e ao meio ambiente são graves.

Nessa transição, a tecnologia tem um papel essencial: tornar o transporte mais sustentável, especialmente o coletivo – elemento-chave para a mitigação das emissões. Alguns exemplos já comprovados mostram os efeitos positivos em apostar numa frota de ônibus mais limpa para as cidades.

Em Brasília, por exemplo, no ano passado, a renovação completa da frota de ônibus, cuja idade média era alta, trouxe um saldo positivo para a qualidade do ar e saúde dos cidadãos. Uma análise feita pelo WRI Brasil | EMBARQ Brasil mostra que a medida, conjuntamente à reestruturação das linhas do transporte coletivo local e ao início das operações do sistema BRT (Bus Rapid Transit) Expresso DF, tem potencial para reduzir 55% das emissões de GEE, o equivalente a 200 mil toneladas por ano.

Agora, a frota do transporte coletivo em Brasília possui a tecnologia Euro5, com diesel de baixo teor de enxofre, que emite menos poluentes locais. Com isso, somente em material particulado, a redução é de 95% em emissões, equivalente a 95 toneladas por ano. O estudo levou em consideração os principais poluentes locais do Distrito Federal: CO, NOx, HC, MP – e o CO2, principal poluente do efeito estufa.

Outra cidade que apostou na renovação da frota foi Curitiba. Desde 2005, os veículos adquiridos deveriam ter a tecnologia Euro III, cuja combustão é menos prejudicial que modelos mais antigos. Ao longo de seis anos, a capital paranaense incorporou quase a totalidade da sua frota em veículos com esta tecnologia. São 1915 ônibus com idade média de 4,6 anos, que resultaram em 35,7% menos emissões que o limite estabelecido pela legislação brasileira. No ano passado, por exemplo, foram feitos 3.153 testes de opacidade, uma média de 12 testes por dia, em todo o sistema. Os bons resultados com a operação deste sistema foram somados, recentemente, à incorporação de veículos híbridos na frota no ano de 2012, o “Hibribus". Movido a eletricidade e diesel, ele substituiu 10 veículos da Linha Interbairros nos dois sentidos.

Cada localidade, porém, possui características únicas no ar que, combinadas com determinado tipo de combustível, resultam em diferentes impactos nas emissões. Uma pesquisa feita por Magdala Arioli, Coordenadora de Projetos de Transporte e Clima da EMBARQ Brasil, e Erin Cooper e Aileen Carrigan, especialista de Clima do WRI Ross Center for Sustainable Cities, buscou desvendar alguns dos impactos dessas combinações no Brasil e na Índia.

A pergunta norteadora do estudo foi a seguinte: qual é o melhor combustível para reduzir as emissões de poluentes? Magdala explica os resultados. “Uma única tecnologia não é a solução para a redução das emissões de poluentes locais e de efeito estufa. No Brasil, por exemplo, descobrimos que o uso do Biodiesel associado a tecnologias de pós-tratamento de gases, e até mesmo o Diesel com baixo teor de enxofre associado à mesma tecnologia de pós-tratamento de gases é mais eficiente. Já no contexto indiano, o melhor desempenho em termos de emissões que encontramos foi o GNV (gás natural veicular) associado a tecnologia de pós-tratamento de gases”.

O tema será debatido no Congresso Internacional Cidades & Transportes, dias 10 e 11 de setembro, no Rio de Janeiro. Inscreva-se agora!

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