Planos de mobilidade: transporte sustentável em 1º lugar

As mudanças da Política Nacional de Mobilidade Urbana para as cidades brasileiras.

22/07/2015


Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil O ano de 2012 marcou uma nova e importante etapa para as cidades brasileiras, quando a Política Nacional de Mobilidade Urbana entrou em vigor. A partir da nova legislação, espera-se reestabelecer a configuração da mobilidade com o transporte coletivo e sustentável no topo das prioridades.

Pela primeira vez, o país recebeu uma injeção de R$ 30 bilhões advindos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para que mais de 60 cidades tornassem projetos de mobilidade urbana uma realidade e melhorassem a vida da população. A condição para acessar os recursos, contudo, exigia que os municípios a partir de 20 mil habitantes e integrantes de regiões metropolitanas deveriam entregar seus planos de mobilidade até abril de 2014.

Nem todos cumpriram a norma, prejudicando futuros projetos, mas outros trabalharam para desenvolver planos consistentes em tempo hábil. Dois exemplos vêm do estado de Santa Catarina. É o da cidade de Joinville e o da região da Grande Florianópolis, onde o desenvolvimento dos planos contou com um apoio-chave, a população, e também com o auxílio de especialistas internacionais para solucionar problemas locais. Conheça um pouco sobre essas histórias.

Colaboração e visão para o PlanMob Joinville

Com 500 mil habitantes, Joinville é o município mais populoso do estado. No horizonte, a ambição de se tornar uma cidade onde os deslocamentos a pé, por bicicleta e transporte coletivo sejam a primeira opção dos moradores. A visão foi preponderante para a construção de um plano ambicioso, voltado mais às pessoas e menos ao transporte individual motorizado.

Sancionado em março deste ano pelo prefeito Udo Döhler e pelo Ministro das Cidades, Gilberto Kassab, o PlanMob Joinville foi construído a múltiplas mãos, com participação ativa da população e apoio técnico do WRI Brasil | EMBARQ Brasil na metodologia e melhores práticas. Algumas das metas:

  • Transporte a pé: 15 minutos será o tempo máximo de caminhada para acessar áreas verdes urbanas de lazer e recreação; cortar pela metade o número de acidentes e de vítimas fatais no trânsito até 2020.
  • Bicicleta: implantar 730 km de vias cicláveis até 2025; obter 20% dos deslocamentos por bicicleta até 2025.
  • Ônibus: ter 40% de deslocamentos por ônibus até 2030; obter 50% de aumento na velocidade operacional média até 2025.

Um novo fôlego para a Grande Florianópolis

O PLAMUS - Plano de Mobilidade Urbana da Grande Florianópolis foi um estudo de um ano que mapeou desafios e propôs soluções para a mobilidade urbana dos 13 municípios da região metropolitana: Anitápolis, Rancho Queimado, São Bonifácio, Angelina, Antônio Carlos, Águas Mornas, São Pedro de Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz, Biguaçu, Governador Celso Ramos, São José, Palhoça e Florianópolis. O WRI Brasil | EMBARQ Brasil apoiou a comunicação e as oficinas de participação social do projeto, pontos-chave em seu desenvolvimento.

De acordo com o estudo, 1,7 milhão de viagens são realizadas por dia na região metropolitana. Destas, 48% por automóvel ou motocicleta – índice bem superior à média nacional de 38% – 24% por transporte coletivo e 25% a pé ou bicicleta. Outros números que impactam são em relação ao aproveitamento do espaço na ponte que liga a ilha ao continente. 75% dos deslocamentos são feitos por carros, que ocupam 90% da capacidade da ponte, e 3% são por ônibus, que levam 10 mil pessoas por hora e ocupam apenas 1% da capacidade.

Para mitigar a mobilidade urbana, estão previstos investimentos em transporte coletivo de qualidade e boas calçadas para incentivar trajetos a pé e o uso da bicicleta. No total, estão previstos 70 km de corredores exclusivos ao ônibus nas regiões norte, sul e leste da ilha e também no continente, com R$ 411 milhões já alocados pela Caixa. A capital catarinense também contará com o SAO – Sistema de Apoio à Operação, um controle de operação com tecnologia para gerenciar a operação, além de um Sistema de Informação ao Usuário através de aplicativo para smartphones com rotas, linhas que passam na região e horário dos ônibus.

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