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Charlotte Matthews, no lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis no Brasil (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Charlotte Matthews: é possível mudar o mundo

10/09/2015

Hoje com a presença de Charlotte Matthews, Vice-presidente de Sustentabilidade da Related Companies, a cerimônia de lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis no Brasil reuniu novamente especialistas do World Resources Institute (WRI) no palco do Teatro de Câmara da Cidade das Artes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comitiva internacional realiza visita técnica ao BRT do Rio

14/09/2015

Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Após conversas, encontros e trocas de experiência que aconteceram no Congresso Internacional Cidades & Transportes, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, parte da delegação internacional presente no evento aproveitou a oportunidade para conhecer um dos exemplos brasileiros de transporte de massa: o BRT (Bus Rapid Transit) do Rio.

Alemães, chineses e brasileiros puderam conhecer o Centro de Controle Operacional do sistema de BRT da cidade do Rio. O prédio localizado pouco antes das catracas do Terminal Alvorada possui 2,5 mil m² de área construída e tem uma de suas paredes internas revestida por 100 telões, o que faz dele o maior centro de controle de um modal de transporte público do Brasil.

Experiência e objetivos

Affonso Nunes, Coordenador de Comunicação do Consórcio BRT do Rio, e Alexandre Castro, Gerente de Infraestrutura do BRT, com o apoio de Danielly Votto do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, guiaram a visita e apresentaram a história do modal na cidade, sua atual situação e as perspectivas para o futuro. Affonso destacou como o modal, hoje, atende 9 milhões de pessoas e economiza 7,7 milhões de horas a cada mês.

“A experiência com corredores BRT mostra como esse é um modal bastante flexível, pois podemos chegar até 48 mil passageiros por hora-sentido – que é o número obtido no corredor da Avenida Caracas em Bogotá”, destacou Affonso.

Além da ultrapassagem que existe na estação, a flexibilidade destacada pelo guia, está associada a cada projeto especifico, pois se os corredores permitirem ultrapassagem ao longo de sua extensão, os números podem aumentar. “Os corredores transoeste e transcarioca transportam, hoje, mais de 13 mil pessoas por hora-sentido; número que pode ser aumentado com o aumento da frota”, apontou como outro fator de melhoria.

“O corredor transoeste transporta, hoje, 186 mil passageiros por dia, mas nosso objetivo é aumentar sua extensão, número de estações e capacidade de passageiros transportados por dia”, informa Castro. Como o sistema substitui, em média, 126 carros, há um resultado imediato na redução em emissões de dióxido de carbono em torno de 38% nestes corredores.

Durante a visita, ficou claro que a cidade carioca pretende tornar seu BRT o melhor sistema do país. Para isso, junto com os 55km do Transoeste e os 39km do Transcarioca, seram inaugurados, os corredores Transbrasil e Transolímpica, respectivamente com 32 e 22km. Os sistemas, apesar de servirem de apoio às locações chave para os Jogos Olímpicos, estão sendo pensados para melhorar a vida dos habitantes..

Alexandre Castro, gerente de infraestrutura do BRT, recebeu os visitantes junto com Affonso. “Não queremos apenas atender as demandas para as olimpíadas, mas estabelecer um sistema que atenda a necessidade das pessoas, levando em conta a expectativa de aumento do número de veículos privados”, destacou o gerente de infraestrutura do BRT”

Castro, então, levou os visitantes para conhecer o terminal alvorada, onde o movimento é intenso. Os passageiros demoram pouco mais de cinco segundos para passar pelas catracas. “Sistema ágil, mas que sofre com muitas fraudes, pois as pessoas quem tem gratuidade; idosos e estudantes por exemplo, acabam emprestando o Rio Card para outras pessoas”, destacou o gerente de infraestrutura. 

Conhecendo o BRT

Alguns olhares rápidos na direção do grupo de turistas, tão rápidos quanto o tempo para passar o cartão na catraca e entrar no Terminal Alvorada - menos de 10 segundo, segundo Affonso. Juliana Castro da Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE – UFRJ), uma das únicas brasileiras da visita, estava realizando o tour pela terceira vez.

“É nítido como o BRT é a preferência carioca, tanto que quando inaugurou, os operadores não estimavam uma demanda tão grande. Até mesmo foi identificada uma demanda pendular das pessoas que acabavam voltando em direção ao BRT por sua preferência ao modal”, disse Juliana. Além disso, notou a implementação de mais ônibus alimentadores e a remodelação do Terminal Alvorada, a integração do BikeRio aos terminais, em favor da demanda.

GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit, Sociedade Alemã de Cooperação Internacional), organização que atua oferecendo serviços no setor de cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável foi representada pela alemã Elena Scherer. Para ela, a visita técnica foi muito enriquecedora, pois Castro e Affonso não deixaram de apontar as falhas e erros do sistema.

“É preciso saber os defeitos, que há vandalismo e quebra, por exemplo. E como é feita a manutenção dos ônibus, etc. Isso nos mostra como a operação se desdobra para ajustar varias coisas em função do comportamento do usuário para poder melhorar a qualidade do serviço”, disse Elena.

  Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Sergio Trentini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Michael Glotz Richter, gerente de transportes de Bremen, corroborou a visão de sua conterrânea e destacou como o Rio de Janeiro mostra, na prática, que o BRT é uma solução eficiente e de rápida implementação. “Não apenas para os grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016, mas, acima disso, para o futuro das pessoas. O sistema projetado aqui é uma preparação para que no futuro as pessoas não precisem tanto do carro.”, concluiu Michael.

Para Li Ming, um dos integrantes da Beijing Transportation Research Center, a parte que se destaca do projeto de BRT do Rio,  é a comunicacional. “Eles fizeram um ótimo trabalho em comunicação, principalmente na educação do público para usar o sistema. Há publicações, vídeos e propagandas. Na China, a maioria das empresas de operação de ônibus não tem essa preocupação com a comunicação. Foi uma ótima experiência”, disse.

O Rio de amanhã já chegou

12/09/2015

Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Dar uma nova chance a áreas esquecidas e degradadas é abrir perspectiva para uma cidade mais próspera. Muitas megalópoles estão apostando no aproveitamento e na revitalização de espaços que já existem em sua mancha urbana, porém estão mal aproveitados. Nessa manhã (12), um grupo de 42 técnicos e pesquisadores nacionais e internacionais conheceu de perto o Porto Maravilha, projeto que está resgatando 5 milhões de metros quadrados na região portuária do Rio de Janeiro. A visita técnica fechou as atividades da Cúpula de Prefeitos e do Congresso Internacional Cidades & Transportes, que aconteceram na última semana, reunindo mais de mil participantes na Cidade das Artes. A organização foi do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

  Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Diego Blanc, Assessor Chefe de Relações Internacionais do Gabinete do Prefeito, recepcionou os técnicos apontando os principais objetivos e meios para execução de um dos projetos mais ambiciosos que a cidade já viveu. “Há um investimento total de 8 bilhões de reais, montante que já nos foi repassado por meio da maior iniciativa público privada do Brasil”, explicou Blanc. O projeto iniciou em 2009, por decisão do prefeito Eduardo Paes, anfitrião da Cúpula de Prefeitos, e teve como momento emblemático a demolição do Elevado da Perimetral, no ano passado. O principal objetivo é resgatar a vida urbana que outrora vibrava na região com movimento de navios, comércio, moradias e oportunidades de emprego. Com o passar dos anos, porém, a área foi sendo esquecida, tornou-se um local perigoso e desvalorizado.

Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Quem circula pela Praça Mauá hoje, no entanto, pode perceber que o futuro já é realidade. A área já conta com o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Amanhã (MAM), passeios urbanos verdes e revitalizados com iluminação, bancos e áreas de convívio, bem como serviços e novos empreendimentos. Até dezembro de 2016, a infraestrutura geral do Porto Maravilha contará com:

  • Construção de 4,8 km de túneis;
  • Reurbanização de 70 km de vias e 650.000 m² de calçadas;
  • Reconstrução de 700 km de redes de infraestrutura urbana (água, esgoto, drenagem);
  • Implantação de 17 km de ciclovias;
  • Plantio de 15.000 árvores;
  • Demolição do Elevado da Perimetral (4,8 km);
  • Construção de 28 km de VLT - Veículo Leve sobre Trilhos

As metas passam por criação de habitações de interesse social; instalação de creches, UPAs e escolas que atendam a densidade populacional prevista; integração entre os diversos modais de transporte público, facilitando a acessibilidade e a comunicação com outras áreas; geração de empregos diretos e permanentes na região; regularização e formalização das atividades econômicas; formação profissional; criação de programas sociais e culturais; e apoio a iniciativas de desenvolvimento comunitário.

Brittany Lane, colaboradora de Governança do WRI, questionou o assessor Diego Blanc sobre como deve ser o processo de habitação social na região. Blanc explicou que há previsão de novas moradias bem como projetos para capacitar os atuais moradores em serviços originados a partir da revitalização do espaço. “Vamos capacitar os residentes para que encontrem trabalho aqui. Assim, evitaremos que tenham que se deslocar por horas para acessar empregos e oportunidades em outros bairros distantes do porto”, informou Blanc.

Para coordenar o processo de implantação do Porto Maravilha, foi criada a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP),empresa de economia mista, controlada pela Prefeitura. A CDURP tem como principais funções implementar e gerir a concessão de obras e serviços públicos na região, além da administrar os recursos patrimoniais e financeiros referentes ao projeto.

Os donos de prédios abandonados também estão sendo estimulado a participem de forma direta no processo. Caso isso não aconteça, a Prefeitura cobrará impostos mais caros de empreendimentos inativos. “Isso faz com que a maioria queira investir, ou então, venda seu local para quem realmente tem interesse em fomentar a região de forma econômica e social”, esclareceu Diego Blanc.

Assim, uma antiga área tornou-se a mais nova atração turística do Rio e um espaço de convívio e oportunidades para os cariocas.

Saiba mais sobre o Porto Maravilha.

Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Fernanda Boscaini/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Chega ao fim o Congresso Internacional Cidades & Transportes

11/09/2015

Equipe do WRI Brasil Cidades Sustentáveis no encerramento do Congresso Internacional Cidades & Transportes (Foto: Luke Garcia/WRI Cidades Sustentáveis) Equipe do WRI Brasil Cidades Sustentáveis no encerramento do Congresso Internacional Cidades & Transportes (Foto: Luke Garcia/WRI Cidades Sustentáveis)

Dez anos cumpridos. Depois de três dias de conversas, encontros, trocas de experiência e conhecimento, chega ao fim o Congresso Internacional Cidades & Transportes.Durante os três dias de evento, passaram pela Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, mais de 140 palestrantes de 19 países, prefeitos e representantes de mais de cem prefeituras brasileiras e um público estimado em pelo menos mil pessoas.

Os debates foram enriquecedores, e os aprendizados compartilhados permanecerão com aqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar esses momentos. Rejane Fernandes (foto), Diretora de Relações Estratégicas e Desenvolvimento, encerrou o dia agradecendo a todos: “Foi um prazer imenso realizar esse evento. Por dez anos, ajudamos prefeitos e cidades a concretizarem projetos ambiciosos, que mudaram a realidade de muitas pessoas. Somos agora o WRI Brasil Cidades Sustentáveis, e o nosso trabalho continua: pela mobilidade, pela sustentabilidade, por cidades cada vez melhores”.

(Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Na Cúpula de Prefeitos, que abriu em grande estilo as comemorações de dez anos de atuação da EMBARQ Brasil, Mary Jane Ortega, Enrique Peñalosa, Ken Livingstone, Jaime Lerner e Sam Adams protagonizaram um debate inspirador, capaz de despertar em todos o que era o objetivo desse evento: a vontade de agir e mudar a realidade.

No lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, Charlotte Matthews declarou: é possível mudar o mundo. No embalo desse sentimento, cada painel apontou ao público, sob diferentes perspectivas, caminhos para concretizar essa mudança. Desenvolvimento urbano, clima, transporte coletivo e não motorizado, sustentabilidade, acessibilidade; dentro dos limites da cidade e no contexto metropolitano; na imprensa, na esfera política e na sociedade civil – é possível agir em diversas frentes e de diversas maneiras.

Ao longo de dez anos, a EMBARQ Brasil trabalhou com as cidades brasileiras para tornar realidade o transporte sustentável. Foram inúmeros projetos, alinhamentos estratégicos, planos de mobilidade, pesquisas, entre tantas outras iniciativas para melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas e fazer das cidades brasileiras lugares melhores para as pessoas. Para marcar essa década, a EMBARQ Brasil lançou o livro Mobilidade em 1 Instante, com fotografias e histórias de dez das cidades que fizeram parte da nossa história. Nas palavras de Rejane, “são momentos de mobilidade – um passeio na praça, um encontro, um olhar. É um presente da EMBARQ Brasil para as cidades com as quais trabalhamos e para todos aqui”.

A EMBARQ Brasil é agora o WRI Brasil Cidades Sustentáveis. O Congresso acabou, o nome mudou, mas o trabalho continua – sempre – por cidades melhores, mais humanas e sustentáveis.

Como financiar sustentabilidade nas cidades brasileiras?

11/09/2015

Painelistas discutem como financiar sustentabilidade nas cidades (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Painelistas discutem como financiar sustentabilidade nas cidades (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Como aliar o crescimento econômico com ao desenvolvimento sustentável? E quais os desafios enfrentados no Brasil para conseguir financiamento de projetos? O painel “Financiando a Sustentabilidade nas Cidades” debateu, na tarde desta sexta-feira (11), essas questões e pontuou a necessidade de uma boa gestão para definir o planejamento de projetos.

A despeito de programas e recursos oferecidos aos municípios pelo Governo Federal com o objetivo de reestruturar as cidades, o financiamento acaba levando um longo tempo para chegar às prefeituras contempladas. A dificuldade do recebimento da verba devido à concentração de recusos no governo centrao e o procedimetno demorado a liberação do dinheiro gera arasos e uma defasagem no município, que, por sua vez precisa colocar mais orçamento no projeto, já que os custos da obra costumam aumentar ao longo do tempo.

“A burocracia no Brasil é um dos custos que precisa ser vencido se quisermos promover investimentos pesados em infraestrutura para atender as demandas reais e instantâneas”, apontou Eduardo Leite, Prefeito de Pelotas (RS).

Leite também pontuou que cidades de médio porte, como a que ele governa, sofre mais para fechar parcerias com a iniciativa privada. “As bicicletas de alugel, por exemplo, foram implantadas nos grandes centros. Só que os bancos não financiam isso para as cidades de médio porte, porque o interesse deles é investirnos grandes centros. Então, nós é que vamos financiar as bicicletas como uma forma de investir no trânsito de Pelotas. O poder público deve atuar onde não há interesse privado”, definiu.

 

Eduardo Leite, prefeito de Pelotas (RS), e Holger Dalkmann, Diretor de Estratégia e Políticas do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, discutem os desafios da sustentabilidade nas cidades brasileiras (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Os municípios que abrem licitações para elaboração de projetos por parte de empresas privadas ou consórcios enfrentam outro tipo de dificuldade quando delegam a elaboração de projetos. É o caso da Prefeitura de São Paulo, que pediu planejamento de um projeto de reorganização urbana e ainda não tem o projeto em mãos. “Já passaram-se três anos da licitação e a cidade ainda não tem um plano. Há muitos problemas, não só na forma como o projeto foi estruturado, mas do lado dos consórcios finalistas, que agora não estão mais interessados em falar do projeto porque estão envolvidos com outros assuntos”, exemplificou Camila Simas, Colaboradora da RTKL.

Para ser bem sucedido na implementação de projetos, prefeitos precisam trabalhar por uma boa gestão. A implementação de planos sustentáveis de acordo com Hector Gomez, Country Manager da IFC no Brasil, enfrenta outros desafios, como a divisão de recursos e o timing para a implantação. Além disso, ele apontou planejamentos a longo prazo, ciclo político e questões relacionadas à escala e a à relação dos governos com bancos financiadores: “No Brasil, projetos são gigantescos e com muito risco ou são muito pequenos. E as ações de financiamento são restritas, já que alguns bancos têm experiências ruins com as autoridades e isso acaba atrapalhando os investimentos e a avaliação do cliente”.

Por causa dos desafios e da incompatibilidade com as estruturas do país, a União Europeia (UE) acabou por mudar a forma de trabalhar no país. Depois de anos trabalhando para implementar projetos idealizados por organizações civis e pelas municipalidades, a UE vai lançar um novo edital voltado para as associações de autoridades locais, que tem um estatuto que facilita o trabalho. “Esperamos atingir um número maior de projetos. Agora vamos trabalhar para que os getores públicos consigam ter um papel importante na governança e alcancem os resultados esperados. Vamos investir no empoderamento dos gestores e da sociedade civil, para que eles cobrem a implementação das políticas públicas”, colocou Denise Verdade, Assessora de Cooperação da União Europeia.

Contudo, a experiência de investimentos entrangeiros no Brasil não é vista como negativa ou trabalhosa por todos. Antonio Juan Sosa, Vice-Presidente de Infraestrutura do Banco de Desenvolvimento da América Latina, deu seu parecer sobre os projetos que apoia. “Normalmente, eles são muito bem desenvolvidos, há uma disciplina por parte das cidades. Pela lei brasileira, os financiamentos têm que ter garantia soberana sobre o projeto e isso facilita muito. Examinamos os documentos como se fôssemos oferecer um empréstimo direto”, contou ele.

O moderador Holger Dalkmann, Diretor de Estratégia e Políticas do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, encerrou o painel dando um gás nos investimentos em sustentabilidade. “Devemos criar projetos mais preparados, com mais capacidade, e o dinheiro fluirá, mesmo em tempos de crise”, concluiu ele.

Por Elis Bartonelli.

Tecnologia limpa não é para o futuro, mas para o presente

11/09/2015

Para painelistas, tecnologia limpa já é uma realidade. (Foto: Luisa Chardon / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Para painelistas, tecnologia limpa já é uma realidade. (Foto: Luisa Chardon / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Por que precisamos de tecnologia limpa no setor de transportes? A pergunta abriu o painel Transferência de Tecnologia Limpa na América Latina e Caribe, no último dia do Congresso Internacional Cidades & Transportes. E a resposta veio curta: "É muito básico. O setor de transportes é um dos maiores emissores de CO2 e de poluição, impactando a saúde dos nossos cidadãos. Além disso, ela é também uma oportunidade: pode aumentar empregos e dar apoio ao crescimento do PIB", resumiu o moderador da sessão, Benoit Lefevre, Diretor de Clima e Energia do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis.

E não para por aí. Lefevre ressaltou que isso não é mais uma coisa para o futuro. É algo para o presente. "Temos cada vez mais investimentos na área. A tecnologia limpa já está acontecendo, não é ficção científica. Ela já existe e o mercado já está pronto", garantiu, mas com uma ressalva: "Mas isso não está acontecendo tão rápido na América Latina".

Ainda há obstáculos. E para superá-los, Dario Hidalgo, Diretor de Transporte Integrado do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, acredita que é preciso foco. "Devemos olhar localmente. Não existe resposta global. Sabemos que temos barreiras, e na América Latina temos barreiras muito específicas", disse.

Mas para Manuel Oliveira, Diretor Regional para América Latina da C40, o cenário na região está mudando aos poucos. "A questão do transporte é um tema crítico. Mas vamos nos unir para demonstrar que as cidades do mundo e da América Latina não estão condenadas a continuar sofrendo os efeitos dos combustíveis fósseis. Uma coisa que as cidades não querem é continuar os erros sucessivos que outras cometeram", declarou. "Existem recursos, existe tecnologia e existe decisão política para avançar de forma bem mais acelerada".

Algumas provas disso vêm do setor privado. É o caso da empresa Build Your Dream, que se tornou a maior fabricante de baterias do mundo, fornecendo o produto para ônibus elétricos. Eles apostaram no setor, e foram insistentes no Brasil. "Primeiro tivemos a briga de colocar o transporte público na agenda, pois a maior parte dos investimentos ia para infraestrututra de transportes individuais", recordou Adalberto Maluf, Diretor de Relações Governamentais e Marketing da BYD. Mas os avanços começaram a aparecer. "Para quem não sabe, na última quarta-feira foi aprovada a Proposta de Emenda Constitucional no Senado colocando o transporte público como serviço essencial, junto com saúde e educação. É um ganho muito grande".

Mas para Renato Boareto, Coordenador de Mobilidade Urbana do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), muito mais precisa ser feito. "Não adianta melhorar a tecnologia do ônibus se ele fica preso no congestionamento. Temos que combinar desenvolvimento tecnológico com priorização do transporte público", defendeu. "O transporte público tem que ser visto como parte da solução dos problemas ambientais, e não como causa".

Um dos entraves para essas mudanças, porém, foi apontado por todos os participantes do painel: os custos. Em geral, nem governos tampouco empresas querem arcar com eles para possibilitar mudanças profundas. Mas Manuel Oliveira, do C40, diz que a conta está sendo feita de forma errada. "Se for feita uma análise de 12, 15 anos, os ônibus híbridos e elétricos são menos caros que os convencionais. Isso se somarmos os custos de saúde da população, por conta das emissões de poluentes. Mas as cidades da América Latina continuam não incluindo os mortos e doentes nesses custos".

Outro empecilho são as incertezas de se adotar uma tecnologia nova: "Tem uma coisa que empresário tem horror: risco. Enquanto não tiver risco pequeno para o empresário, que é quem bota dinheiro no negócio, a gente não vai andar com a velocidade que deve".

 Para mudar isso, é preciso que os governos incentivem esses mercados emergentes. "Existe a necessidade de consistência de políticas públicas para que o setor privado tenha menos medo e adote as tecnologias limpas",  apontou Erica Marcos, Coordenadora Global de Iniciativas de Carga Urbana do Smart Freight Centre. "Deve haver o reconhecimento das empresas que optam por energias limpas".

De qualquer forma, Erica diz que não dá para esperar esse movimento para começar a agir. Afinal, as mudanças climáticas já estão batendo à porta. Segundo ela, a iniciativa privada precisa sair na frente nessa discussão. "Quando uma empresa começa a fazer algo inovador, ela inspira os parceiros e concorrentes. É uma questão de liderança. A partir do momento que você se propõe a ser um front runner, você acaba reverberando suas boas práticas de cima para baixo".

Em última instância, se governos e empresas não agirem, é a própria sociedade civil que vai iniciar a transformação. "Todos vivemos com ar poluído, nos incomodamos com o ruído dos motores a combustão... Algumas tecnologias são tão poderosas que geram demanda por parte da população. As grandes operadoras terão que se adaptar", disse Maluf. E sentencia: "O poder público e as companhias podem fazer com que as mudanças aconteçam mais rápidas ou mais devagar. Mas que o futuro será das tecnologias limpas, isso eu tenho certeza".

Projetos integrados melhoram a qualidade de vida nas cidades

11/09/2015

(Foto: Luke Garcia/WRI Cidades Sustentáveis) (Foto: Luke Garcia/WRI Cidades Sustentáveis)

 "Projetos soltos não atendem mais às cidades, precisam ser integrados e multissetoriais". Esse pensamento, proferido inicialmente por Andrés Alcalá, executivo principal de Análises e Programação Setorial no Uruguai do CAF- Banco de Desenvolvimento da América Latina, permeou vários momentos da Sessão CAF "Mobilidade Urbana Sustentável e Desenvolvimento Integrado", realizada na manhã de hoje no Congresso Internacional Cidades & Transportes.

José Fortunati, Prefeito de Porto Alegre, incluiu, durante o debate, a necessidade de integração de ações de requalificação urbana no contexto da atual crise econômica pela qual passa o Brasil. "Apesar da crise, que está atingindo os municípios de maneira tão intensa, temos que continuar a governar. As parcerias multilaterais e agências de fomento podem nos ajudar e apontar novas saídas, outros caminhos", resumiu.

Também participaram do evento Antonio Juan Sosa , vice-presidente de Infraestrutura do CAF; Verena Andreatta, Secretária de Urbanização de Niterói; Samuel Dias, Secretário de Infraestrutura de Fortaleza; David Willecomme, Diretor-Adjunto da AFD; Carsten Sandhop, Diretor do KFW e Victor Rico, Diretor-Representante do CAF no Brasil; Soraya Azan, Executiva Principal de Análises e Programação Setorial na Colômbia do CAF.

O panorama sobre a atuação do CAF nos últimos anos elencou uma série de aprendizados sobre o tema. Ressaltou argumentos positivos para que gestores invistam cada vez mais em transporte sustentável inclusivo, como o fato de que o setor de transporte contribui entre 5% e 10% do PIB na maior parte dos países da América Latina. Uma rede de transporte bem desenvolvida e eficiente também permite que os demais setores econômicos se desenvolvam, gerando empregos, renda e investimentos, contribuindo com o aprimoramento social e econômico.

Outros assuntos debatidos foram a inclusão das bicicletas no sistema de mobilidade das cidades. Em Fortaleza, uma lição aprendida foi a instalação de faixas de lazer nos finais de semana, que fizeram com que muitas pessoas tivessem contato pela primeira vez com a locomoção com bicicletas. Segundo ele, essa simples ação estimulou boa parte das pessoas a adotar essa modalidade no dia a dia. E Fortaleza hoje tem a mais alta taxa de uso de bicicletas compartilhadas do Brasil. Este exemplo mostra como as cidades podem desenvolver um sólido planejamento viário, implementado paulatinamente e com um sistema de informação e mobilização intenso voltado para a população.

É necessário cada vez mais transpor os princípios do urbanismo para os projetos integrados. "Não podemos mais abrir mão das técnicas urbanísticas, pois são elas que nos ajudam a promover uma verdadeira transformação do modo de vida individual para o modo de vida coletivo em nossas cidades”, ressaltou Verena.

Intercâmbio discute ações positivas de sustentabilidade

11/09/2015

Representantes de três países (Brasil, China e Índia) se reuniram em painel para dar exemplos de desenvolvimento urbano sustentável (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Representantes de três países (Brasil, China e Índia) se reuniram em painel para dar exemplos de desenvolvimento urbano sustentável (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Mostrar exemplos que funcionam em suas cidades e incentivar outros locais a fazerem o mesmo. Este foi o objetivo do primeiro encontro entre representantes de Beijing e Chengdu, na China; Bangalore, na Índia; e São Paulo, no Brasil, durante o painel ‘Melhores práticas em desenvolvimento sustentável – intercâmbio de experiências da China, Brasil e Índia’, realizado no Congresso Internacional Cidades & Transportes, nesta sexta-feira (11). O debate foi mediado pelo Diretor de Transportes do WRI China, Daizong Liu.

Larissa da Silva, Gerente Global de Parceria do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, explicou um pouco do projeto que possibilitou a troca de experiências entre essas nações, quando o assunto é melhorar a qualidade de vida de seus moradores.

“O projeto permitiu desenvolver uma estrutura conceitual e compartilhar as experiências para promover mais cooperação. Além do transporte, água e energia, incorporamos questões de iniciativas de carbono. Estamos fazendo isso por uma boa estratégia para começar com muito envolvimento do governo, dizendo que podemos ajuda-los, criando ferramentas e desenvolvendo diretrizes que ajudaria as cidades a avaliar e medir seus níveis de carbono e permitir que pudéssemos recomendar ações para viver melhor nesses locais”, explicou Larissa.

A representante da WRI apontou, ainda, algumas das mudanças positivas dos últimos anos:

“Na América Latina, lançamos GPC, uma ferramenta para medir as emissões de carbono nas cidades e que tem sido muito bem aceita internacionalmente. Ano passado, 27 cidades da América Latina e China já mediram suas emissões de CO2 com essa ferramenta. Em Bangalore, lançamos a rede de grandes ônibus, com três corredores arteriais. A China se concentra muito na energia e no transporte. Lá, também temos exemplo de um grupo de empresas que está comprando energia renovável e isso cresce a cada ano. Em Bangalore, conseguimos licença do governo para não pagamos impostos sobre a energia renovável e estamos muito felizes com isso”, detalhou ela.

Analista de Pesquisa do WRI Brasil, Katerina E. Trostmann, explicou como funciona o projeto em São Paulo, que é focada na área do Rio Pinheiro, com cerca de 20 km, entre Vila Olímpia e Santo Amaro.

“Decidimos envolver a sociedade civil desde o início, mantendo a negociação junto aos setores privado e público. Focamos nessa região porque é uma das com maior crescimento, é o novo centro financeiro. Com isso, apareceu a falta de serviço e planejamento. Só há uma linha de trem que atende o pessoal da região, é muito cheio e com certeza impacta a qualidade de vida. Identificamos que seria necessário fazer uma intervenção no transporte público, melhorando o setor. Tratamos, então, do transporte corporativo e a demanda nas grandes corporações. Esperamos, com os resultados, trazer estratégias para que as empresas possam implementar. Nosso principal argumento é que isso vai impactar o lucro e a produtividade da empresa” afirmou Katerina.

Ela explicou, ainda, que fizeram uma competição de projetos de arquitetura e urbanismo, em parceria com a USP. “Recebemos projetos maravilhosos e selecionamos três que são adequados, relevantes e podem ser implementados. Com isso, podemos fazer uma diferença, fazendo um uso melhor do território. É aplicar o talento dessas pessoas na cidade. Ano que vem esperamos finalizar este projeto e ter muito apoio para continuar e juntar pessoas diferentes em torno do mesmo tema, buscando soluções”, definiu ela.

Katerina falou sobre a participação de São Paulo no projeto. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Katerina falou sobre a participação de São Paulo no projeto. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Fazendo coro à Katerina, o ex-subprefeito de Pinheiros, Angelo Filardo, disse que a cidade de São Paulo vive condições de quase colapso de mobilidade, quase crônica, construída por prática de padrões de consumo de países desenvolvidos.

“Muito é dito e pouco é feito. Como resultado, a cidade experimentou uma saturação de trânsito crescente que, junto com a falta de qualidade e confiabilidade de transporte público, que esteve no centro de manifestações importantes em junho de 2013. Minha principal lição à frente do governo de Pinheiros, é que temos que aprender a produzir um consenso local, escolhendo os principais problemas e, de forma coletiva, construir soluções”, concluiu Angelo.

Amit contou como foi a experiência em Bangalore. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Amit contou como foi a experiência em Bangalore. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Amit Bhatt, Chefe de Estratégia de Transporte Urbano Integrado da WRI Índia, afirmou que um dos pontos mais importantes desse projeto é analisar as cidades de uma forma mais holística, ou seja, ao invés de olhar apenas um setor de intervenção, perceber como fazer uma abordagem mais abrangente das cidades. Segundo ele, Bangalore tem 6 mil ônibus que fazem 5 mil viagens ao dia.

“Após coletar os dados, percebemos que algumas intervenções são erradas: o que identificamos é que 90% das viagens acontecem na cidade, mas só é preciso um ponto de transferência. Isso reduziu o tempo de espera em quase 35%, pois desenvolvemos corredores e pontos de coleta. Isso é um grande sucesso e a cidade virou exemplo de como transformar os serviços de ônibus. Outros países estão replicando este conceito. Além disso, analisamos outros setores, como a questão da energia, com o aumento do consumo de energia renovável”, apontou ele.

A China trouxe dois exemplos de ações para o painel. Chao Zhu, Engenheiro do Beijing Transport Research Centre, revelou que o cidade cresceu muito na última década e que a cidade sofreu muita pressão com isso.

“Para reduzir o efeito do crescimento, tomamos algumas medidas, como fazer rodízio de carros, sorteio de número de placas veiculares a serem habilitadas (150 mil por ano) e diferenciar o pagamento de estacionamentos por zonas da cidade e horários. O efeito geral teve resultados positivos, aumentando a velocidade média dos carros na cidade. Estamos felizes com o resultado, mas ainda há mais desafios, como o crescimento da demanda, da população e dos automóveis. Ainda temos pontos a melhorar. A conscientização do cidadão é fundamental”, alertou Zhu.

 Presidente do Sichuan Union Environment Exchange, Jinfeng He, revelou que a cidade já foi considerada como de boa qualidade de vida, mas, nos últimos anos, com a rápida urbanização e industrialização, o aumento da população urbana e a quantidade de carros, os desafios e ameaças apareceram. Por isso foram escolhidos como cidade-piloto do projeto.

“No nosso projeto, abordamos a questão de energia e o uso da água para a cidade. Ele é dividido em três fases: desenho, execução e divulgação para outras cidades, com conteúdo de diminuição de emissão de carbono, otimização do uso da água e o planejamento do sistema de transporte urbano. Para incentivar o uso de transportes limpos, o governo reduziu ou cortou impostos para este tipo de veículo. Estamos estudando novas políticas para serem implementadas”, avisou He.

Planos de mitigação e adaptação: o caminho para o combate às mudanças climáticas

11/09/2015

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Embora ocupem apenas 2% da superfície terrestre, as cidades abrigam mais de metade da população mundial e respondem por 70% das emissões de gases do efeito estufa (GEE). Por isso, ações centradas nas áreas urbanas são tão importantes no que diz respeito à mitigação das mudanças climáticas. Com o objetivo de discutir ações e políticas que possam colocar as cidades no rumo do desenvolvimento climático sustentável, líderes urbanos brasileiros articulam-se para buscar soluções e políticas de incentivo ao desenvolvimento sustentável. Na sessão “Planos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, secretários municipais de meio ambiente brasileiros reuniram-se com especialistas do setor para debater o papel das cidades no combate às mudanças no clima.

Com a moderação de Laura Valente de Macedo, Consultora do WRI Brasil, participaram do encontro:

  • Charles Kent, Vice-diretor do WRI Brasil;
  • Délio Malheiros, Vice-prefeito de Belo Horizonte e Secretário Municipal de Meio Ambiente;
  • Nelson Franco, Gerente de Mudanças Climáticas da Prefeitura do Rio de Janeiro;
  • Guilherme Johnston, Gerente de Projetos da Embaixada Britânica no Brasil;
  • Carlos Alberto Muniz, Secretário Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro;
  • Jussara Carvalho, Secretária Executiva do ICLEI para América Latina;
  • Rogerio Menezes, Secretário Municipal de Meio Ambiente de Campinas;
  • Everton Lucero, Chefe da Divisão de Clima, Ozônio e Segurança Química do Ministério das Relações Exteriores;
  • Laura Lucia Vieira Ceneviva, Secretária E:xecutiva do Comitê Municipal de Mudanças do Clima e Ecoeconomia de São Paulo.

Laura Valente, moderadora da sessão (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Laura Valente, moderadora da sessão (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Os painelistas presentes protagonizaram o debate que girou em torno da oposição entre o que as cidades gostariam de fazer e o que de fato é possível fazer em relação às mudanças climáticas. Everton Lucero destacou a importância do apoio político para que ações climáticas sejam implementadas: “Há vontade e disposição para implementar ações de fato – mas essas ações têm um custo que só será aceito pela sociedade no momento em que passarem por um reconhecimento político de que são essenciais. Apenas quando o problema climático for reconhecido em todos os níveis – municipal, estadual e nacional – nós teremos condições de enfrentá-lo devidamente”.

Transporte, clima, poluição, saúde, economia – são todas ações interligadas e que demandam novos padrões de planejamento e gestão. Para vencer os desafios de hoje e garantir cidades mais sustentáveis para o futuro, é preciso agir de forma integrada: “Não basta falar do que há de bom na cidade, do que está sendo feito certo, é preciso discutir o que é necessário e o que funciona para que possamos resolver os problemas. Precisamos raciocinar de forma holística – considerando todos os problemas e compreendendo como estão interligados para então definirmos ações para lidar com eles”, apontou Carlos Alberto Muniz.

Enchentes, desmoronamentos, secas, ondas de calor. Consequências das mudanças climáticas, os eventos extremos afetam comunidades inteiras e são cada vez mais recorrentes. Embora presumam medidas abrangentes de mitigação, contam com grandes aliadas locais: as cidades. E, cada vez mais, gestores urbanos têm um papel crucial para frear esta realidade. Vontade política é essencial, conforme pontuou Guilherme Johnston: “No caso de Londres, a implantação do congestion charge foi muito difícil. Todos sabem do risco político de implantar medidas de restrição ao uso do carro. O prefeito precisa ser firme quanto a suas posições, como foi Ken Livingstone, prefeito de Londres na época”.

Há menos de um ano de receber as Olimpíadas, a cidade do Rio de Janeiro trabalha no desenvolvimento de um plano de adaptação que, como relatou Nelson Franco, deve ser o primeiro da América Latina. Responsável pelas mudanças climáticas na prefeitura, ele ressalta: “Em se tratando de mudanças no clima, se não tivermos um inventário e uma política climática bem consolidada não será possível avançar no combate ao aquecimento global”.

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

É preciso, contudo, tomar medidas contundentes: “Um dos passos mais importantes é acabar com a prioridade dos carros. Eu aplaudo uma cidade quando ela derruba um viaduto. Nós precisamos dificultar a vida de quem usa o carro. Precisamos de uma cidade com cada vez mais e mais espaço para as pessoas, para os pedestres e para o transporte coletivo. Essas medidas são fundamentais para o combate às emissões e as mudanças no clima”, declarou Délio Malheiros. Em Campinas, as medidas de restrição ao carro também foram o caminho escolhido: “Hoje em campinas são emplacados mais carros do que nascem pessoas. Já são 800 mil veículos para uma população de 1 milhão de pessoas. Nossa cidade foi concebida para o carro. E agora estamos trabalhando para reverter essa situação, começando com um projeto de implantação de 189 km de ciclovias ainda na atual gestão”, garantiu Rodrigo Menezes.

Em qualquer cidade, para que as políticas implantadas sejam efetivas e as metas atingidas, o planejamento precisa fazer parte da gestão e ser incorporado em todas as instâncias. “As cidades têm muito o que fazer”, disse Jussara Carvalho. E para que comecem a fazer, precisam planejar: “Os planos de mitigação de cada cidade precisam definir quais instâncias devem ser prioridade no combate às mudanças climáticas. São os planos que sistematizam as ações necessárias, e precisam estar em consonância com os objetivos e metas nacionais”, completou.

Representando o WRI Brasil, Charles Kent assinalou o potencial do país de contribuir para o combate às mudanças climáticas: “Aqui no Brasil, as pessoas vão sofrer mais com os impactos das mudanças no clima do que causar essas mudanças. Mas o país pode moldar as ações de forma global, com a oportunidade de ter um impacto imenso e muito além da escala municipal”. Laura Lucia Vieira Ceneviva, representando a cidade de São Paulo – que viveu consideráveis avanços nos últimos anos – sintetizou a questão: “Ninguém sabe qual é ou qual será a mudança. A verdadeira transformação começa quando nos tornamos cientes de um ponto crucial: a necessidade de mudar”.

O conceito de governança e participação social aliados à horizontalidade e novas tecnologias

11/09/2015

A frase da ex-prefeita foi citada por André Machado, moderador da sessão “Governança e Participação Social no Cenário Global”, esta manhã (11), no Congresso Internacional Cidades & Transportes. A linha de raciocínio destacada na abertura norteou a opinião dos participantes da mesa que, por essa razão, provocaram durante a palestra a contribuição de vários membros do auditório lotado.

(Fotos: Benoit Colin/WRI) (Fotos: Benoit Colin/WRI)

Transparência na administração, acesso a direitos e participação direta da população na tomada de decisão são os três pilares básicos do conceito moderno de governança, conforme destacou Jonas Rabinovitch, Conselheiro Sênior das Nações Unidas. Destacou como governo, sociedade civil e setor privado são os domínios básicos da governança, mas é extremamente necessário trabalhar mais com governança eletrônica, mídias sociais e participação digital. Mário Teza, Diretor Presidente da PROCEMPA (Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre) concordou com Rabinovitch e pontuou como a participação social através da tecnologia já acontece na rotina da sociedade e a importância de levar isso para dentro da agenda política.

“Tanto empresas como governos têm, cada vez mais, dificuldades para atrair os jovens para perto de suas iniciativas. A partir disso, perceberam como a tecnologia é um conhecimento fora dos centros tradicionais e que se bem provocado pode resultar em participação social plena”, destacou.

Governança e horizontalidade

Quando a Secretaria de Governança e Participação nasceu em Porto Alegre, O conceito de governança passou a ser matriz de uma nova concepção de relação colaborativa do governo com a comunidade. Ainda assim, quando foi criada, a Secretaria era estranha para a área pública, se pensava o termo de outras formas.

“Introduzimos a governança como uma forma de governar para e com o cidadão. É preciso que haja várias formas de articulação entre prefeitura e cidadãos, seja através de governos, universidades, setor privado, ONGs e tecnologia”, falou o Secretário de Coordenação Política e Governança de Porto Alegre.

O painelista Busatto opinou como nossos problemas centrais são frutos de déficits de democracia, pois ela “deve ter relação de diálogo, cooperação e atividade política entre os cidadãos.  Para ele, o processo democrático exige horizontalidade das estruturas estatais que hoje são centralizadas e hierárquicas, o que não combina com participação social. “Trabalhar no conceito de governança é trabalhar na horizontalidade”

Carolyn Lukensmeyer, Diretora Executiva do National Institute of Civil Discourse, destacou que o painel aconteceu exatamente no aniversário do desastre do 11 de setembro de 2001. O exemplo da palestrante foi dado para dizer como os desastres tem alto potencial de engajamento popular, mas não precisa acontecer dessa forma para haver participação social. “Precisamos estudar, todos os dias, como engajar os cidadãos, não de forma temporária, mas em tempo integral”.

“Precisamos entender o caminho que a voz percorre desde que sai do interlocutor, por onde passa, quem atinge, como atinge e como essa pessoa atingida vai reagir a isso”, asseverou Brittany Lane, colaboradora de Governança dentro WRI. Para ela, esse entendimento é feito de formas diferentes em cada cidade ao redor do mundo, portanto, citou os centros do WRI e da EMBARQ ao redor do mundo como exemplos de incentivo a governança de diferentes maneiras de acordo com as cidades, mas sempre com transparência, diálogo e participação, elementos essenciais.

Os dados são o novo petróleo

11/09/2015

Painelistas do Reino Unido durante o Congresso. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Painelistas do Reino Unido durante o Congresso. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Pesquisadores, engenheiros, jornalistas, gestores públicos... Nos últimos dois dias,o Congresso Internacional Cidades & Transportes povoou a Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, com pessoas de diferentes perfis. A Embaixada Britânica no Brasil e o UK Trade and Investment aproveitaram o terreno fértil e realizaram uma sessão para discutir as experiências de inovação e tecnologia que o Reino Unido pode compartilhar com outros países.  

O clima foi de troca. E o intercâmbio ficou evidente já pela composição da mesa: entre os britânicos Adam Rae (Future Cities Catapult) e Alessandro Saraceni  (Transport Systems Catapult), estava o brasileiro Eduardo Lazzarotto, que deixou Porto Alegre para um mestrado no Reino Unido e continuou por lá para trabalhar na Legion, uma companhia de desenvolvimento de softwares.  A empresa produz simulações que mostram a interação de pedestres com infraestruturas, prevendo como governos e empresas podem tornar mais eficientes os espaços de grande circulação de pessoas, como aeroportos, estações de trem e estádios esportivos. Segundo Lazzarotto, o conhecimento da companhia já chegou ao Brasil: há alguns anos, ela tem como clientes os operadores de trens e metrôs de São Paulo.

Adam Rae também comemorou uma parceria recente com a cidade de Belo Horizonte, com apoio do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, onde a Future Cities Catapult desenvolveu um trabalho sobre infraestrutura inteligente. Segundo os representantes das empresas britânicas, isso é o que o Reino Unido mais quer: que o conhecimento construído localmente ultrapasse as fronteiras nacionais e alcance outros territórios, ajudando-os a enxergar soluções inovadoras e eficientes para as cidades. "A maioria das empresas do Reino Unido está disposta a ajudar e a ensinar outros países", ressaltou o brasileiro da Legion.

E o Brasil, por seu tamanho e importância global, é um dos alvos dessa troca. "Cerca de 80% da nossa população está vivendo em cidades, e não só no Reino Unido, como no Brasil", comparou Rae. "Por isso, nossos projetos estão focados nelas". A Future Cities Catapult, por exemplo, procura integrar diferentes atores - universidades, empresas e governos -  e modelos - econômicos, de mobilidade etc - para que os governos tomem decisões mais embasadas em relação às cidades. "Combinando tudo isso de forma eficaz, podemos justificar certas intervenções mais adequadas", explicou, e deu exemplos: "Ao apoiar áreas verdes nas cidades, eu tenho um impacto não só no meio ambiente, mas também na saúde da população".

É isso também o que Alessandro Saraceni procura fazer na Transport Systems Catapult: usar dados e tecnologias integradas para solucionar problemas de forma mais fácil, rápida e barata. Ele deu o exemplo de um sensor que foi desenvolvido para monitorar informações como temperatura e umidade em túneis que estavam sendo construídos em seu país. "Para um operador fazer isso seria muito mais perigoso. Levamos apenas algumas horas para colocar os sensores. O operador, então, voltou para o centro de controle, onde recebe todos os dados do túnel. Isso acelerou as operações, economizamos muito dinheiro e o ambiente ficou mais seguro".

Na plateia, muita gente ficou interessada nas experiências de inovação. Gestores de algumas cidades do Brasil fizeram perguntas e trocaram ideias de como trazer para o país essas soluções tecnológicas. E uma previsão foi colocada à mesa: "O petróleo fez a Revolução Industrial. Acreditamos que, hoje, os dados são o novo petróleo", apostou Alessandro Saraceni.

Do transporte ao desenho urbano, como salvar vidas no trânsito?

11/09/2015

Claudia Adriazola e Dario Hidalgo, do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Claudia Adriazola e Dario Hidalgo, do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

A tempo para o Congresso Internacional Cidades & Transportes, a cidade de São Paulo aplica hoje a redução para 50 km/h em mais dez vias urbanas. A medida é parte de esforços da capital paulista para salvar vidas no trânsito.

Foi esse o foco do painel “Transporte Sustentável Salva Vidas”, que reuniu Claudia Adriazola, Diretora de Saúde e Segurança Viária, e Dario Hidalgo, Diretor de Transporte Integrado do WRI Ross Centro para Cidades SustentáveisTadeu Leite Duarte, Diretor de Planejamento da CET-SP, Dante Rosado, Coordenador da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária na cidade de Fortaleza, Hilda María Gomez, Especialista Senior em Segurança Viária da CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), Marta Maria Alves da Silva, Coordenadora de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde, Carlos Fernando Gallinal Cuenca, Chefe da Divisão de Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores, e Maurício Feijó, da LOGIT.

Para a Organização Mundial da Saúde, considera-se epidemia quando há ocorrência de 10 mortes a cada 100 mil habitantes. No trânsito, os dados da América do Sul são preocupantes: a taxa de mortes é de 15,84 por 100 mil. “Precisamos mudar a forma como nos deslocamos, e o assunto transcende a segurança viária. Por exemplo, para que a temperatura média do Planeta não suba 2 graus, é necessário reduzir 23% dos veículos por quilômetro nas vias”, afirmou Dario Hidalgo, moderador da sessão.

Com o bom exemplo de Bogotá, que passou de 1300 mortes em 1997 para 528 em 2009, o especialista abriu os debates com a questão: qual é a perspectiva global em termos de sustentabilidade e segurança viária?

Claudia Adriazola, do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, lembrou que 70% da população mundial vão viver em cidades e precisarão se mover dentro delas. “A segurança viária precisa ser encarada como um problema de sustentabilidade das nossas cidades”, analisou. Para ela, o desenvolvimento urbano é um fator imprescindível na questão por ser determinante à forma como se darão os deslocamentos. “São 1,3 milhões de mortes no trânsito, 50 milhões de feridos e 3 milhões de mortes por poluição a cada ano. É um problema global”. A especialista defendeu que o desenho urbano, bem como a redução de velocidades, são soluções importantes para melhorar o cenário.

Em analogia às ocorrências de trânsito, Hilda María Gomez, do CAF, contou a história de um sapo. “Coloque-o em água quente, e ele pulará. Coloque-o em água fria no fogo, ele permanecerá até ser cozido. Não nos damos conta da quantidade de mortos em nossas vias. É uma consequência inevitável”, disse. Um dos principais desafios, para ela, são as vias urbanas, onde há a maioria das ocorrências, especialmente entre jovens do sexo masculino. Sobre o papel dos bancos de desenvolvimento, ela contou sobre acordo para aprovar projetos que contenham a segurança viária. “Não se pode financiar um projeto de transporte que não seja seguro. Temos de fazer auditorias em sistemas BRT e incorporar elementos para salvar vidas”.

O Ministério da Saúde, representado por Marta Alves da Silva, reforçou a visão de cooperação intersetorial para a atuação no problema. “Existem iniciativas do Governo Federal como o Vida no Trânsito e o Rodovida são de grande valia, mas ainda não suficientes.  A fim de enfrentar a questão, é preciso trabalhar para além dos fatores de risco, com fatores associados. A causa da causa. Se nossa missão é cuidar e salvar vidas, temos que avançar nos desafios da promoção da saúde. É um problema, felizmente, passível de prevenção”, defendeu.

Carlos Cuenca, do Ministério de Relações Exteriores, lembrou que em novembro deste ano acontecerá a segunda Conferência Global sobre Segurança no Trânsito, com apoio das Nações Unidas, organizado pelo Governo Federal em parceria com as Nações Unidas. Segundo ele, o encontro trará questões essenciais ao tema, como a Década de Ação pela Segurança Viária que está na metade e ainda requer esforços. “Um dos marcos será Agenda 2030 em desenvolvimento sustentável. Ela aprovará duas metas, uma sobre transporte seguro, outra, transporte sustentável”.

Cidades brasileiras debruçadas em salvar vidas

Não é à toa que Fortaleza está entre as dez cidades da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária. As 25 mortes a cada 100 mil habitantes são preocupantes e representam um custo anual de 250 milhões de reais numa cidade pobre. “Salvar vidas deve ser um atributo do transporte sustentável; se ele não salvar vidas, não será considerado sustentável”, ponderou Dante Rosado, que coordena o projeto na cidade. Ele defendeu que, se não houver mudanças no ambiente viário, não haverá bons resultados.

Também parte da iniciativa da Bloomberg, a cidade de São Paulo vem trabalhando para tornar-se mais humana, segura e amigável ao transporte sustentável. “Como tratar uma cidade à beira do colapso? A primeira coisa foi rever o desenho urbano, pois a cidade foi moldada aos carros”, disse, contando uma novidade que foi aplaudia por todos os presentes na sala. “Hoje, dez vias ganharam limites de velocidade de 50 km/h. A segurança viária é um problema crônico, só é resolvido quando reorganizados e melhoramos as políticas e o ambiente viário”.

Feijó, da LOGIT, lembrou que intervenções no ambiente viário são parte da solução. “Análises que realizamos em vias rurais e urbanas em torno de pequenos núcleos de urbanização em Florianópolis anunciaram a necessidade de intervirmos na sua geometria, pois eram incompatíveis com a urbanização ao seu redor”, contou. Para ele, mobilidade é uma política de urbanismo, por isso não é um plano de transporte, mas uma relação deslocamentos com o meio urbano. “Temos de alterar as políticas de ocupação do uso do solo das cidades brasileiras. É um desafio e tanto”, concluiu.

Crenças a parte, os dados refletem a urgência em agir. Em todo o mundo, 1,3 milhão de pessoas perdem a vida no trânsito – é como se oito aviões Boeing 747 despencassem a cada dia. Levando em consideração que mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas e, no Brasil, o índice é de 85%, o papel das cidades é claro. É preciso criar políticas e mecanismos de segurança viária como infraestrutura para o transporte sustentável, normas de redução de velocidades, fiscalização, educação.

Transporte Metropolitano desafia governantes à gestão integrada

11/09/2015

Painelistas discutem como melhorar o transporte coletivo metropolitano (Foto: Luísa Schardong) Painelistas discutem como melhorar o transporte coletivo metropolitano (Foto: Luísa Schardong)

O Estatuto da Metrópole, lançado em 2015, veio complementar a constituição de 1988 no que diz respeito à gestão de questões metropolitanas e aglomerações urbanas. Nesta sexta-feira (11), O painel “O Desafio do Transporte Coletivo no Contexto Metropolitano” discutiu qual o caminho para atender as premissas do estatuto durante o Congresso Internacional Cidades e Transportes.

O documento trouxe desafios, uma vez que propõe um esquema de governança interfederativa. Ou seja, as decisões relacionadas às regiões metropolitanas devem ser tomadas pelo conjunto de governantes, além de sugerir outras estratégias, como a criação de uma organização técnica administrativa, a locação de recursos conjunta e a participação social.

“O estatuto criou oportunidades de resolvemos problemas que estão causando macrocefalia urbana. Esse desequilíbrio de concentração de funções como saúde, empregos, educação tem um impacto enorme sobre economia e gera uma crise no transporte público. Você sobrecarrega o sistema de transporte, gera uma super demanda. Temos que criar de fato um sistema de transporte em rede nacional, com uma rede de cidades mais equilibradas e provendo condições de consolidar áreas mais desenvolvidas e desenvolver as que não são”, apontou Riley Rodrigues,Especialista Sênior em Competitividade Industrial e Investimentos no Sistema Firjan.

A ausência de serviços essenciais nos municípios localizados fora do núcleo principal da metrópole acarreta em viagens desnecessárias e levanta a necessidade de pensar os problemas da região como um todo, considerando a possibilidade de alcançarmos a melhora não só nos transportes, mas em todos os serviços na intenção de construirmos metrópoles mais sustentáveis e justas. "Não podemos reforçar centralidades existentes. Regiões metropolitanas têm potencial de absorver serviços, comércio, tudo o que pode diminuir a necessidade de deslocamentos até os grandes centros. Fazendo um esforço de planejamento para desenhar isso e trabalhar para que transporte, saneamento, serviços públicos e empregos sejam melhor distribuídos, em algum tempo poderemos ter revertido essa questão", pontuou Vicente Loureiro, Diretor Executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental.

No entanto, o transporte intermunicipal não é uma questão apenas do estado ou de seus usuários. A população como um todo é diretamente afetada pela qualidade do serviço e deve se envolver no trabalho para melhorar o sistema. Considerando que o planejamento e a execução das funções públicas são de interesse comum e que esses interesses são superiores aos interesses locais, o estatuto é um divisor de águas para o Brasil e funciona como base para que as metrópoles enfrentem suas questões com o apoio da população. "Compete a nós, sociedade organizada, fazer o estatuto pegar. E, para isso, temos que criar a estrutura de governança interfederativa. Um conselho reunindo representantes do poder público, privado e da sociedade civil para debater as questões metropolitanas", colocou Luiz José Predetti, Diretor da Emplasa.

A melhoria do sistema de transporte intermunicipal nas regiões metropolitanas implica em diversas mudanças diretas na rotina das cidades, dos cidadãos e do país, uma vez que há a perda de produtividade, de tempo, gastos com combustíveis e manutenção, emissão de poluentes, desconforto e impactos na saúde de quem passa um tempo considerável nos engarrafamentos, seja em transporte individual ou em coletivos que se sobrepõem nas vias que ligam as cidades.

Além de otimizar ou eliminar o gargalo no sistema de transporte, as mudanças nessa infraestrutura trazem autonomia e participação popular no constante desenvolvimento de um serviço de transporte de qualidade. “Mais de 90% dos usuários do transporte coletivo são usuários dos sistemas de comunicação, como o celular. Se ele tem acesso às informações, ele vai eleger melhores rotas e evitar ônibus e metrôs superlotados. Isso gera um impacto positivo na qualidade do transporte e na operação dele. A partir disso, as pessoas também podem contribuir com informações para o sistema, facilitando que seja definda a quantidade de ônibus necessárias para um determinado trajeto, por exemplo”, explicou Severiano Macedo, Gerente de Desenvolvimento de Negócio da Cisco.

Conquistar o apoio popular na defesa da melhoria dos transportes públicos também é um desafio. De acordo com Flávio Almada, Presidente do MetrôRio, os órgãos envolvidos devem mostrar que a mudança no sistema é uma questão de projeto de estado e não de governo e jogar luz sobre a importância desse planejamento. “É fácil mostrar a capacidade que você tem de ter financiamentos, porque, a partir dela, há uma taxa de retorno econômico e social espantosa. As entidades precisam ter fundos onde possam sustentar projetos, estudos e financiar empreendimentos”, explicou ele.

A urgência de pensar as cidades de forma conjunta foi reiterada por Renato Ribeiro, Secretário de Regulação de Transportes de Minas Gerais, que também pontuou a necessidade de colocar em prática os projetos: "Um plano é uma diretriz do que temos que fazer. Tem que haver um compromisso para cumpri-lo. Precisamos criar uma gestão de mobilidade, pensar em gerenciar os sistemas com qualidade".

A mudança do cenário de caos e vulnerabilidade social nos municípios metropolitanos também implica em investimentos exteriores. No Rio de Janeiro, por exemplo, as cidades ao redor da capital recebem menos investimentos de empresas, devido à ausência de segurança, de organização urbana e até de regiões pouco habitadas. Precisamos estimular habitação social e empregos nas áreas metropolitanas e encontrar mecanismos para reveter o ambiente das cidades, para que haja atração de negócios para além do comércio nesses municípios”, colocou GuilhermeMedeiros, Coord. Do Departamento Técnico da SC Parcerias S.A. E Coord. Do Plamus – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis.

Ações sustentáveis incrementam economia e desenvolvem cidades melhores

11/09/2015

Os centros urbanos continuam crescendo e devem abrigar mais 2,5 bilhões de pessoas e o mesmo número de carros privados até 2050. Precisamos de um novo caminho urbano urgente para frear as duras consequências deste desenvolvimento desordenado. O alerta vem de Ani Dasgupta, Diretor Global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis e porta-voz do New Climate Economy, durante palestra de abertura no último dia do Congresso Internacional Cidades & Transportes, esta manhã. Cerca de 200 pessoas acompanharam a apresentação no Teatro de Câmara na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Assista ao vivo!

Ani durante abertura do segundo e último dia do Congresso no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Ani durante abertura do segundo e último dia do Congresso no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

As mudanças climáticas são uma realidade a ser encarada, e as decisões tomadas hoje vão determinar o futuro do sistema climático no mundo: se não houver ação imediata, a temperatura média no planeta pode estar 4°C mais alta até o final deste século, com impactos extremos e potencialmente irreversíveis para a vida terrestre. E as cidades têm um papel-chave para a transformação.

“As cidades são a melhor invenção da humanidade, mas, nas ultimas décadas, tornaram-se injustas pela forma desconexas como se desenvolveram”, pontuou Ani. Lembrou a dura realidade enfrentada em muitos países em desenvolvimento onde as pessoas passam uma média de quatro horas diárias no trânsito. “Na Cidade do México, por exemplo, muitos trabalhadores chegam a gastar até 40% do salário em transporte. E o tempo perdido no trânsito pode chegar a 5 anos de vida”, alertou. De acordo com Ani, hoje vivemos em espaços urbanos que são obstáculos ao crescimento econômico pois a infraestrutura foi pensada, basicamente, para mover carros e não pessoas. “A infraestrutura ‘carrocêntrica’ exclui e segrega pessoas. Ela definitivamente prejudica a vida urbana”, declarou.

O especialista lembrou que 86% das maiores cidades do mundo hoje estão excedendo os padrões da OMS (Organização Mundial da Saúde) para qualidade do ar, o que resultada em 700 mil mortes ao ano. Mesmo com o cenário desanimador, a boa notícia é que a mudança na realidade depende das próprias cidades e pode iniciar agora.

Os centros urbanos têm o potencial de mudar os paradigmas do desenvolvimento ao conciliar crescimento econômico e sustentabilidade. Este é o principal achado dos relatórios do New Climate Economy, apresentados em dois documentos: “Better Growth, Better Climate” e “Seizing the Global Opportunity”. A iniciativa é liderada por Felipe Calderón, ex-presidente do México, e composta por oito instituições internacionais de pesquisa ambiental, entre elas o WRI – World Resources Institute. Se considerarmos que 60% das cidades ainda precisam ser construídos para que todas as pessoas possam ter moradia, um novo caminho pode e deve ser construído por cidades menos excludentes e poluidoras.

Ani apontou três diretrizes nessa direção: cidades conectadas, com sistemas de trânsito inovadores; compactas, com construções mais sustentáveis e adensadas; e ações coordenadas para conjugar planejamento e investimento. “Se as cidades fossem construídas dessa maneira, a economia movimentaria 3 trilhões de dólares nos próximos anos”, explicou.

Alguns exemplos de projetos nesse sentido são os BRT – Bus Rapid Transit, ciclovias e infraestrutura para pedestres. Desde a implantação do BRT em Curitiba, lembrou Ani, os gastos com transporte não atingem mais de 10% do salário dos curitibanos. Essa é uma mudança de impacto real na economia urbana que mostra como podemos nos beneficiar economicamente de ações sustentáveis. “Os sistemas eficientes de transporte podem gerar 17 trilhões de dólares em economia de energia, e uma redução de até 50% do CO2 que emitimos hoje”, destacou. O especialista destaca a influência positiva de Curitiba para as cidades de todos o mundo. A capital paranaense iniciou o sistema BRT que hoje está em 195 cidades do mundo com mais de 5.229 km de corredores e faixas construídos. Saiba mais no BRTdata.org.

Os relatórios do New Climate Economy são mais uma ajuda aos municípios ao combinar evidências para garantir que diferentes tipos de cidades são possíveis e viáveis também do ponto de vista econômico. “Estes dados precisam chegar aos políticos para que tomem decisões que tornarão a vida de nossos filhos melhor”, finalizou Ani. O caminho para cidades mais igualitárias, acessíveis e sustentáveis já está sendo traçado.

Saiba mais sobre o New Climate Economy.

A filantropia como agente de transformação nas cidades

10/09/2015

No Brasil, esse tipo de investimento, ao contrário dos países desenvolvidos, ainda não produz resultados tão efetivos. Com a moderação de Tina Duong, Diretora Global de Desenvolvimento do WRI Cidades Sustentáveis, aconteceu o debate sobre como melhorar as práticas da filantropia e explicar o funcionamento da mesma, durante a tarde de hoje (10/9), no Congresso Cidades & Transportes.

(Fotos: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Fotos: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Shirley Rodrigues (foto), Diretora de Mudanças Climáticas da Children's Investment Fund Foundation (CIFF, Londres),  abriu a conversa explicando um pouco sobre a fundação filantrópica da CIFF, cuja missão, segundo ela, é melhorar a vida das crianças. “Mesmo que tenhamos certo foco na mudança climática, sabemos que isso tem impacto direto na vida e futuro das crianças”. Shirley asseverou que, mesmo quando acontecem falhas, é preciso saber que tais fundações estão tentando transformar questões críticas para o planeta.

(Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

 “A filantropia não é diferente de outras organizações, pois é baseada em evidencias e fatores de sucesso critico e formas de medir o impacto na sociedade”, destacou.  

André Degenszain, Secretário-Geral do Grupo de Investimentos, Fundações e Empresas (GIFE) , afirmou que muitas inovações em políticas públicas e mecanismos de participação têm se desenvolvido no âmbito das cidades e, os investidores sociais e organizações filantrópicas, podem ter uma contribuição relevante nas dinâmicas locais, aproveitando o seu campo de atuação ou contribuindo diretamente com agendas de interesse comum.

“Investidores sociais tem se desenvolvido no âmbito das cidades e podem ter uma contribuição significante nas dinâmicas locais, pois possuem mobilização ágil de recursos para impulsionar ações”, acredita.

Cenário da filantropia no Brasil

“Filantropia no Brasil é voltada ao fazer e não ao doar”, destacou Ana Toni, Diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), ao explicar a desconfiança que há em relação à filantropia no Brasil.  O grande desafio é criar capacidade para fazer bons projetos e que eles aconteçam de fato. Para explicar seu raciocínio, Ana destacou os apoiadores do Congresso Cidades & Transportes, onde basicamente todos são internacionais.

“A filantropia brasileira ainda não descobriu a agenda urbana que está acontecendo no país e como é possível trabalhar de maneira muito clara”, afirmou

(Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Projetos ambiciosos e práticos

Charlotte Matthews (foto), Vice-Presidente de Sustentabilidade da Related Companies, tem a responsabilidade de representar os interesses de Stephen Ross como membro do WRI e fundador do WRI Ross Center for Sustainable Cities.

Ela destacou que as pesquisas acerca dos investimentos realizados pelo Ross Center é feita totalmente baseada em números, pesquisas e estudos de impacto.

“Sempre buscamos algo que possa ser claramente desenhado pelas organizações, focamos em projetos que sejam, ao mesmo tempo, práticos e ambiciosos”, disse.

Por fim, Charlotte ressaltou como o investimento feito no WRI Brasil Cidades Sustentáveis foi feito com base na confiança da tenacidade do projeto.

“O ímpeto e a clareza de objetivo mostra como podem fazer qualquer coisa para atingir suas metas”, pontuou.

O papel da gestão da demanda para melhorar a mobilidade urbana nas cidades

10/09/2015

(Fotos: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Fotos: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

“O que seria necessário, em termos de infraestrutura, se todos os participantes viessem de carro para o Congresso?” Com esta provocação, Todd Litman, Pesquisador do Victoria Transport Policy Institute (Canadá), foi o primeiro palestrante a falar na sessão “Gestão de Demanda de Viagens em Contraposição ao Congestionamento” que ocorreu na tarde desta quinta-feira. Para transportar os cerca de 1.000 participantes à Cidade das Artes, palco do Congresso Internacional Cidades & Transportes, seria necessário dedicar uma faixa de rodovia durante uma hora, além de 4 a 5 hectares de espaço para estacionar todos estes automóveis. Para as pessoas ainda seria necessário arcar com os custos para possuir uma carteira de motorista, um automóvel e pagar pelo combustível e demais impostos. O uso do automóvel ainda implica externalidade negativas para toda a cidade, tais como, poluição e segurança viária.

Mas “o que seria necessário para convencer as pessoas a mudarem de hábito? O que seria necessário para vocês desejarem utilizar o ônibus?”, continuou a provocar Litman. Um serviço de qualidade, que seja confiável, com estações que possuem informações ao usuário, tarifa integrada debitada diretamente do smartphone, ônibus confortáveis e com Wi-Fi nos quais se possa utilizar melhor o tempo gasto nos deslocamentos, foram alguns dos elementos elencados pelo especialista. Mas apenas qualificar as opções mais sustentáveis de transporte não basta, também é necessário implantar medidas que desestimulem o uso do automóvel, conclui. “Foi através da combinação dessas medidas que Ken Livingstone melhorou a mobilidade urbana de Londres, conforme palestra de abertura do Congresso” acrescentou Laura Valente, Consultora Sênior de Sustentabilidade Urbana do WRI Brasil, moderadora do painel.

Seguindo a linha de ações do poder público, Ramon Victor Cesar, presidente da BHTrans de Belo Horizonte, comentou o que estava sendo feito em sua cidade. O plano de mobilidade urbana elaborado em 2007 já compreendia questões de Gestão de Demanda de Viagens (GDV). Entre as medidas, estava a qualificação do serviço de transporte coletivo através da implantação dos corredores de BRT, MOVE. Inaugurado no ano passado, o sistema contribuiu para o aumento de 1% do número de passageiros e reverteu um quadro de constante queda. Além disso, a cidade está adicionando medidas que estimulem opções sustentáveis de transporte dentro do leque de políticas mitigadoras a serem implantadas por grandes empreendimentos como universidade, shopping centers e complexos corporativos, finalizou Ramon.

Medidas de GDV também devem ser aplicadas diretamente por organizações. No Brasil, 50% dos deslocamentos diário realizados têm como motivo o trabalho, reforçando a responsabilidade das instituições na situação da mobilidade urbana das cidades. “Na Cidade do México e São Paulo, boa parte das empresas oferece vagas de estacionamento de graça, auxílio combustível e, às vezes, até mesmo um veículo corporativo. Mas, se você opta por abdicar destes benefícios, não recebe nada”, frisou Diego Cañales, Colaborador em Inovação de Dados e Ferramentas, WRI Ross Center for Sustainable Cities. As organizações precisam informar as opções de transporte com as quais seus funcionários podem se deslocar até o local de trabalho, promover o uso da bicicleta, do ônibus fretado, da carona ou, até mesmo, eliminar a necessidade de deslocamento através do teletrabalho, comentou Cañales.

E as organizações não precisam de muito para ser convencidas. Segundo Roberto Gregório, presidente da URBS de Curitiba, questões como o custo do terreno para a construção de estacionamentos em detrimento de sua melhor utilização e o impacto do tempo e do custo dos deslocamentos casa-trabalho na produtividade e qualidade de vida dos funcionários, são motivos que fazem GDV ser uma ideia atrativa para as organizações.

Grasielle Esposito, Intendente da Cidade Administrativa de Minas Gerais, trouxe os desafios enfrentados diariamente pelos servidores do Estado no deslocamento ao trabalho. Antigamente alocados em diversos prédios na zona central de Belo Horizonte, os 17 mil funcionários foram transferidos para um único complexo com a promessa de oportunizar uma maior interação entre eles. Contudo isso também teve um revés: a Cidade Administrativa está localizada a 20 quilômetros do centro da cidade. Isso fez com que muitos servidores que antes utilizavam o transporte coletivo ou até mesmo iam a pé tivessem que utilizar o automóvel e desperdiçar cerca de 2h por dia nos deslocamentos. Mesmo com 3,5 mil vagas de estacionamento, ainda há uma lista extensa de espera por uma vaga de estacionamento com mais de 1,5 mil funcionários. Através de um recente termo de cooperação com o WRI Brasil Cidades Sustentáveis, o Governo de Minas Gerais iniciou um projeto de gestão de demanda que visa estimular hábitos mais sustentáveis por parte dos servidores.

Para Raphael Rodrigues, Diretor de Desenvolvimento Institucional do CEBDS, as “empresas têm a obrigação de ter políticas muito claras para incentivar a mudança de hábitos”. Vivemos em um período onde o nível de individualidade das pessoas é muito grande e isso se reflete inclusive nos transportes em que a maioria dos deslocamentos em automóvel é realizado com um único ocupante. Tanto o setor público, quanto o privado têm responsabilidade em incentivar as medidas de gestão de demanda e devem se unir para melhorar a mobilidade urbana das cidades, concluiu Raphael.

Investir, inovar e planejar são caminhos para reter usuários de ônibus

10/09/2015

Atualmente, segundo o BRT Data, são 191 cidades com os corredores BRT em funcionamento, 41 projetos em expansão e 141 projetos em planejamento e construção. O crescimento consolidado do serviço de transporte urbano, no entanto, acabou criando problemas que deixam os usuários insatisfeitos.

Painelistas discutem como melhorar a qualidade do transporte coletivo (Foto: Benoir Colin/ Foto: WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Painelistas discutem como melhorar a qualidade do transporte coletivo (Foto: Benoir Colin/ Foto: WRI Brasil Cidades Sustentáveis)  

Na tarde desta quinta-feira (10), o painel “Sessão Fedex: O papel da qualidade do serviço na retenção e atração de clientes para o transporte público” discutiu como melhorar o transporte público e quais fatores são fundamentais para atrair a população que opta por usar o transporte individual no dia a dia.

Entre os pontos observados pela população no que diz respeito à qualidade do transporte coletivo, destacam-se o acesso aos ônibus, a pontualidade, o tempo de viagem e a segurança. Para Luis Carlos Napoli, Superintendente da Associação Nacional de Transporte Urbano (ANTP), é preciso atacar os pontos tidos como negativos. “Alguns atributos são fundamentais. Um deles é que não é possível ter qualidade no serviço se você não tem capilaridade, que nada mais é do que um sistema de rede. Ele permite que você tenha opções de deslocamento, que escolha os seus caminhos. O outro passo é a infraestrutura que o poder público tem que colocar para o cidadão. Se estiver garoando, você não vai pegar ônibus porque as calçadas vão estar emburacadas, haverá lixo na calçada, insegurança e etc”, pontou ele.

O painelista Adalberto Maluf, Diretor de Marketing da BYD, destaca a importância de conquistar novos usuários (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis) O painelista Adalberto Maluf, Diretor de Marketing da BYD, destaca a importância de conquistar novos usuários (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Investimentos em infraestrutura, projetos de qualidade e planejamento são imprescindíveis para melhorar a qualidade do sistema. A melhoria desse processo está diretamente ligada à conquista e manutenção de novos usuários. “Quando a pessoa tem uma outra opção de transporte, ela acaba mudando de lado se o serviço é ruim. Se não melhorarmos o material, vamos segregar uma boa parcela da população de classe média, classe média alta que ainda não sente conforto no sistema de transporte coletivo”, afirmou Adalberto Maluf, Diretor de Marketing da BYD.

Esse salto de qualidade depende, sobretudo, de alcançar o equilíbrio financeiro e econômico do sistema. Na última quarta-feira (9), o Senado Federal aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional que coloca o transporte público como um direito social, ao lado da saúde e da educação. “Isso abre um espaço grande para trabalharmos alguns fundos nacionais para a área, assim como há o SUS para a Saúde e o Fundeb para a Educação. É um caminho muito promissor”, comemorou Marcos Bicalho, Diretor Adminstrativo e Institucuinal da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU).

Além de uma boa gestão dos recursos, um outro caminho para revolucionar a qualidade do transporte diz respeito à inovação. Para Adriana Lobo, Diretora da EMBARQ México, é preciso encontrar novas alternativas para a questão e, sobretudo, respeitar o usuário. “Tecnologia é uma coisa que vem entrando no mercado para revolucionar o que pensamos em termos de transportes públicos. O poder público está muito engessado, precisamos criar espaços para novas iniciativas, como o Uber, que briga com um sistema de regulamentação. O usuário sabe avaliar e entende perfeitamente o que ele quer. O habitante da cidade é mais exigente do que consideramos”, colocou ela.

O investimento na atração e retenção de clientes pode ser reforçado por um trabalho de tratamento de imagem do transporte coletivo. A difusão de informações precisas e transparentes ajuda a população a construir uma nova opinião sobre os ônibus. “Ainda não aprendemos a explorar o que o transporte coletivo traz de bom e informar as pessoas disso. Elas têm a experiência ruim no dia a dia, mas não sabem quais os benefícios que os coletivos trazem para a cidade, como a quantidade de carros que se evitou de por em circulação, quantas vidas foram salvas por causa da redução da exposição de pessoas ao risco de acidentes e etc”, frisou Brenda Medeiros, Gerente de Projetos do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Por Elis Bartonelli.

Painel traz exemplos práticos para reduzir emissão de carbono

10/09/2015

Representantes de cidades brasileiras e do exterior se reuníram para contar suas experiências com a redução de emissão de carbono. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil) Representantes de cidades brasileiras e do exterior se reuníram para contar suas experiências com a redução de emissão de carbono. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil)

O painel ‘Oportunidades para reduzir a emissão de carbono nas cidades’ do Congresso Internacional Cidades & Transportes, na tarde de hoje (10), foi repleto de boas ideias para se colocar em prática e melhorar a qualidade de vida das pessoas nos centros urbanos. Apresentando os palestrantes, o Coordenador de Projetos da Wuppertal Institute for Climate, Environmental  and Energy, Oliver Lah, explicou o projeto SOLUTIONS da União Europeia, que promove o intercâmbio de experiências entre 10 cidades do mundo, divididas em duplas, sobre suas atitudes para melhorar as emissões de carbono e o transporte da população. Entre as participantes estão: Belo Horizonte e Curitiba, no Brasil; Budapeste, na Hungria; Barcelona, na Espanha; Leon, no Mexico; e Bremen, na Alemanha.

“O projeto visa ajudar a melhorar o transporte e desenvolver estudos de viabilidades, divididos em diretrizes e recomendações, além de estudar as especificidades políticas para tal. Há uma diversidade de equipes e a dupla Belo Horizonte/ Bremen é nosso ‘dream team’. É muito encorajador ver esse apoio mútuo”, elogiou Lah. O especialista sugeriu, ainda, uma solução para melhorar a emissão de carbono: “Um incentivo para evitar o uso do carro é fazer doer no bolso, seja na hora de comprar o veículo ou a gasolina. Deve haver medidas fiscais para que isso seja viável. Há países em que um carro custa até duas vezes mais do que em outros”, opinou o mediador. 

Coordenador de Projetos da Wuppertal Institute for Climate, Environmental  and Energy, Oliver Lah, explicou o SOLUTIONS. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Coordenador de Projetos da Wuppertal Institute for Climate, Environmental and Energy, Oliver Lah, explicou o SOLUTIONS. (Foto: Luísa Schardong / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

O Gerente de Projetos de Sustentabilidade Urbana da cidade de Bremen, Michael Glotzrichter, falou um pouco sobre a experiência de intercâmbio com BH.

“O foco do nosso plano é a qualidade do espaço urbano, pois se trata de caminhar e andar de bicicleta. Isto não é só uma questão técnica. Do total da nossa população, 25% usa bicicleta e outros 25%, andam a pé. Quase não temos tráfego. Isso faz parte de um debate político intenso e do nosso sistema de mobilidade urbana. Temos redes de ruas para bicicletas e isso fez parte da nossa troca com BH. Foi um exercício muito divertido, gostoso de fazer e aproveitamos muito. Planejamento de transporte não é algo que acontece de uma maneira matemática de algoritmo, é um processo político. Precisamos do apoio das pessoas, dos políticos e da mídia”, definiu Michael.

Marcelo Cintra do Amaral, Coordenador de Políticas de Sustentabilidade da BHTrans, afirmou que sua parceria com o Bremen começou há pouco mais de um ano e que tem sido uma constante inspiração, apesar de as cidades serem muito diferentes.

“As medidas que queremos reproduzir seriam sobre as bicicletas, apesar de uma realidade totalmente diferente. Bremen é mais plana. Em BH, no último levantamento, tínhamos menos de 0.5% das viagens feitas com bicicletas. Nosso objetivo é chegar a 6% das viagens. Sobre a contagem de emissão, temos um plano de redução de gases de efeito estufa, com indicadores, que faz parte do plano de mobilidade. Porém, como vamos medir exatamente, só se fizermos uma simulação que ainda não está prevista", explicou Amaral.

A Coordenadora de Projetos de Transporte e Clima da WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Magdala Arioli, está apoiando BH na implementação do projeto. "Muitas vezes pensam que essas soluções não são possíveis na realidade do Brasil, mas BH mostra que é querer, eles são engajados. Vamos fazer um projeto incrível, espero que até o final deste projeto tenhamos um projeto-piloto da ‘Zona 30’ e que isso sirva de exemplo para outras cidades do Brasil", encoraja Magdala.

Considerada um exemplo pelo mediador do painel, quando o assunto é mobilidade, Curitiba foi representada pela Engenheira da URBS, Rosângela Maria Battistella. "Mesmo que sejamos pioneiros do BRT no Brasil, tivemos uma troca importante em Leon. Sempre quem copia seu projeto, faz melhorado. Lá, vimos os defeitos do nosso projeto e usamos esta experiência para melhorar. Além disso, vimos a importância da bicicleta numa cidade plana, como Leon, e não a usávamos muito. Mesmo com os benefícios da bicicleta, a solução não é só ela ou transporte coletivo, mas um conjunto de medidas, como usar o carro conscientemente, participar do carona solidária. Mas, para mudar paradigmas da cidade, romper barreiras, como foi o caso de Curitiba em relação à bicicleta, é preciso ter vontade da população e política", afirmou Rosângela.

Gisela Mendes, Coordenadora da EMBARQ México, falou sobre a troca de experiências com Curitiba e pontuou uma diferença: no México o transporte é responsabilidade do Estado e não do município. "Graças à Curitiba, temos a ideia da liderança local. Quando se faz essa associação, como fortalecer a institucionalidade, conseguimos melhorar a gestão para que Leon diga, de fato, que tem um sistema operando há 30 anos. O importante é considerar tudo para gerir a mudança, como o período de governo menor, a metodologia, são peças de um quebra-cabeça", analisou Gisela.

Promovendo mudanças também na Turquia, a Coordenadora de Projetos e Programas da EMBARQ local, Pinar Köse, revelou que eles conseguiram superar os problemas e ofereceu um melhor serviço aos usuários. "Descobrimos que tínhamos que mudar as políticas e adaptar à realidade local. Tentamos mudar o sistema de transporte, com novos ônibus e uma estrutura melhor. Com isso, a população escolheu o transporte público e não o privado. Fomos aprendendo com o 'Solutions'. Os projetos terão impacto sobre nossos planos e pensamos em fazer estações para bicicletas", disse Pinar.

Charlotte Matthews: é possível mudar o mundo

10/09/2015

Andrew Steer, Presidente do WRI; Ani Dasgupta, Diretor Global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis; Rachel Biderman, Diretora do WRI Brasil; Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis; e Márcio Lacerda, Prefeito de Belo Horizonte e Presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), falaram brevemente ao público presente sobre este momento de transição.

Charlotte Matthews, no lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis no Brasil (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Charlotte Matthews, no lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis no Brasil (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)  

Representando Stephen Ross, Charlotte falou sobre as expectativas com o lançamento do programa de Cidades Sustentáveis do WRI no Brasil: “Estou muito orgulhosa de representar Stephen Ross aqui hoje. Nós dois somos apaixonados por cidades, acreditamos que são o coração do crescimento e do desenvolvimento. Com esse novo programa, esperamos ter um impacto positivo nas cidades e mostrar a todos que sim: é possível mudar o mundo”.

Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, destacou o trabalho realizado na última década e o que está por vir: "Nosso trabalho sempre foi um desafio. Foram dez anos de diálogos, de paciência, de construção em parceria de cidades melhores. E nós aprendemos com cada cidade com que trabalhamos. Agora, seguiremos adiante em uma dimensão mais ampla, além da mobilidade. É um novo desafio, e nós estamos aqui para isso".

Finalizando a cerimônia, Rachel Biderman agradeceu a confiança e o suporte depositados no programa brasileiro: "O apoio do Stephen Ross é muito importante para nós, para o nosso trabalho com as cidades, e nós faremos o que for preciso para levar adiante nossa tarefa de mudar a realidade".

Cidades para fomentar a nova economia do clima

10/09/2015

Rachel Biderman mediou o debate entre os especialistas. (Foto: Benoit Colin / WRI) Rachel Biderman mediou o debate entre os especialistas. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Durante o painel dedicado ao tema no final desta manhã no Congresso Internacional Cidades & Transportes, a Diretora do WRI Brasil, Rachel Biderman, mediou o debate entre Délio Malheiros, Vice-prefeito de Belo Horizonte; Nelson Franco, Gerente de Mudanças Climáticas da Prefeitura do Rio; Thierry Dudermel, Ministro Conselheiro da Delegação Europeia no Brasil; e Todd Litman, Pesquisador do Victoria Transport Policy Institute (Canadá).

Rachel iniciou comentando sobre a importância de os municípios construírem alianças para encontrar formas de combate a um problema de todos, como é a questão climática. Uma das principais alianças nacionais nesse sentido é o CB27 – Fórum das Secretarias de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras, do qual Malheiros e Franco são lideranças. “O CB27 busca trocar e divulgar boas práticas entre as capitais brasileiras. É um momento importante para aprendermos com quem já está fazendo”, explicou Malheiros. “A equipe do Rio de Janeiro, por exemplo, auxiliou a Secretaria de Meio Ambiente de Porto Alegre a desenvolver seu inventário de emissões”, lembrou Franco.

O economista comentou sobre a importância de se planejar e investir em políticas eficazes para o combate às mudanças climáticas a partir da criação de inventários de emissões. “A partir dos inventários temos o norte para as políticas climáticas. O documento mostra quais são os principais emissores: transportes, indústria, ou outro”, comentou. Atualmente, o transporte é responsável por 39% das emissões no Rio de Janeiro. Franco está à frente do plano de mitigação na cidade carioca, que tem meta de reduzir em 20% as emissões até 2020.

Nelson Franco, do Rio de Janeiro. (Foto: Benoit Colin / WRI) Nelson Franco, do Rio de Janeiro. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Malheiros, de Belo Horizonte. (Foto: Benoit Colin / WRI) Malheiros, de Belo Horizonte. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Belo Horizonte é outra capital brasileira que dá exemplo para o combate às questões climáticas. Malheiros lembrou que a capital de Minas Gerais foi eleita a melhor cidade de gestão ambiental pela revista Exame.

“Temos uma política ambiental muito séria. Investimos em tecnologia para que possamos avançar nas questões climáticas. Um exemplo é o estudo para implementação de luzes de LED na iluminação pública”, comentou. Para o vice-prefeito, os investimentos federais devem ser melhor distribuídos para incentivar os municípios.

O arrecadamento com o IPVA, sugere o especialista, poderia ser revertido para iniciativas de combate às emissões, como o incremento do transporte coletivo e não motorizado.

“Precisamos usar este montante arrecadado pelo governo anualmente para estimular o transporte público e desestimular o privado. Precisamos investir em BRT como fez o Rio, Belo Horizonte, retirando milhares de veículos das ruas”, finalizou Malheiros.

 

 

 

 

Experiência internacional

Thierry Dudermel e Todd Litman comentaram através da perspectiva dos países europeus e norte-americanos, que já estão na linha de frente da nova economia do clima há pelo menos três décadas. “Podemos dizer que a União Europeia é uma campeã na luta contra as mudanças climáticas. Isso porque 5% dos fundos regionais são dedicados à sustentabilidade urbana”, pontuou Dudermel.

“A população urbana é a primeira a sentir as consequências da mudança climática. Isso aumenta e fomenta a necessidade de iniciativas para combate-la dentro dos órgãos públicos. É isso que a Europa vem fazendo”, completou.

Dudermel, UE. (Foto: Benoit Colin / WRI) Dudermel, UE. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Para o fundador da Victoria Transport Policy Institute (VTPI), Todd Litman, os planejadores urbanos têm um papel-chave no processo, pois podem construir o “paraíso” onde queremos morar. Litman estuda e acredita na força que comunidades com bons serviços, oportunidades e conectadas à malha urbana pode exercer. “Se as pessoas precisam de transporte para andar longas distâncias, isso exige mais tempo e mais emissões de gases. Nosso objetivo enquanto planejadores é tornar as comunidades mais fortes e independentes”, explicou. “Na cidade e nos bairros nós interagimos, andamos nas ruas e nos conectamos com outros e com as oportunidades”.

O pesquisador fez parte do time que elaborou o relatório “Análise de políticas públicas que não intencionalmente encorajam e subsidiam a dispersão urbana”, (em tradução livre), para o New Climate Economy. No documento, detalha as distorções de planejamento e mercado que acabam incentivando a dispersão urbana e estima o custo deste modelo de desenvolvimento. Um achado importante da nossa pesquisa foi limitar o número de carros nas ruas e abrir espaço às pessoas. “No espaço urbano, você escolhe: ou tem mais pessoas ou mais carros. Você não pode ter os dois”, enfatizou Litman.

Litman, do Canadá. (Foto: Benoit Colin / WRI) Litman, do Canadá. (Foto: Benoit Colin / WRI)

Ao final da sessão, Dudermel convidou os presentes a participarem do encontro Mudanças climáticas: somos todos responsáveis, que ocorre em outubro no Rio, para discutir a responsabilidade de cada um nessa batalha contra o aumento da temperatura global.

O Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável tem o poder de mudar os paradigmas da urbanização

10/09/2015

Na tarde de hoje (10), o público presente no Teatro de Câmara da Cidade das Artes teve a oportunidade de acompanhar uma discussão enriquecedora a respeito das potencialidades de transformação do DOTS. Com a moderação de Clayton Lane, Diretor Ajunto do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, participaram da conversa Nívea Oppermann, Diretora de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil Cidades Sustentáveis; Victor Rico, Diretor Representante da CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) no Brasil; Amit Bhatt, Chefe de Estratégia de Transporte Urbano Integrado da EMBARQ Índia; Clare Healy, Gerente de Desenvolvimento Orientado pelo Transporte da C40; Ana Paula Maciel, da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades; e Daisy Dwango, Diretora de Planejamento e Políticas de Transporte de Joanesburgo (África do Sul).

Painelistas na sessão 'A promoção do Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável' (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Painelistas na sessão 'A promoção do Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável' (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

O poder de transformação do DOTS

O DOTS, termo originado do inglês TOD (Transit-Oriented Development) é um modelo de planejamento urbano que promove a criação de cidades compactas, de alta densidade populacional, com diversidade de usos, serviços e espaços públicos e que favoreçam a mobilidade sustentável e o desenvolvimento econômico. O que confere ao DOTS esse potencial de transformação é também o seu eixo principal: o planejamento – como explicou Nívea Oppermann: “Analisando a realidade que temos no brasil hoje, o que se observa é uma dificuldade muito grande do poder público e da população em geral de valorizar o planejamento. As cidades cresceram de forma muito disperso. O DOTS propõe um modelo de cidades coordenadas, conectadas e compactas. Uma boa cidade é aquela que oferece boa infraestrutura, bons serviços, e uma cidade dispersa dificilmente é capaz de fazer isso. O DOTS muda esse paradigma”.

Nos Estados Unidos, cidades dispersas custam à economia 1 trilhão de dólares por ano, de acordo com um estudo do New Climate Economy publicado este ano. Estes custos incluem gastos com infraestrutura, serviços públicos e transporte. Um dos princípios do DOTS é o investimento em sistemas de transporte coletivo de qualidade – que torna as cidades mais conectadas, reduzindo os gastos com os deslocamentos: “Um dos maiores benefícios do DOTS é a promoção de corredores de desenvolvimento. Ao implantar um sistema de BRT, por exemplo, áreas distantes passam a estar conectadas e todo o percurso entre elas, ligado por esse sistema de transporte coletivo de qualidade, se desenvolve economicamente, atrai um fluxo maior de pessoas, torna-se mais dinâmico”, analisou Amit.

Amit Bhatt e Victor Rico (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Amit Bhatt e Victor Rico (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

São sete as diretrizes de planejamento propostas pelo DOTS: transporte coletivo de qualidade, mobilidade não motorizada, gestão de demanda de viagens, uso misto do solo, centros ativos, espaços públicos e participação social. Juntos, esses elementos dão forma a um complexo processo de planejamento que, na prática, transforma a realidade. Um dos exemplos de aplicação bem sucedida dos princípios do DOTS é o projeto Minha Casa, Minha Vida de Rio Grande, como contou Ana Paula Maciel (foto abaixo): “Nós já tivemos uma experiência de sucesso com a aplicação do DOTS em Rio Grande, com o apoio da EMBARQ Brasil. Lá, o empreendimento foi inserido dentro da malha urbana, com infraestrutura de transporte acessível. Os resultados foram positivos, de forma que nessa nova fase do programa queremos obter o mesmo sucesso em novos empreendimentos e ampliar o modelo proposto pelo DOTS nas cidades brasileiras”.

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Daisy Dwango (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Daisy Dwango (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Ao falar da aplicação dos conceitos trazidos pelo DOTS, é essencial atentar para o contexto local. Diferentes cidades em diferentes países têm também necessidades diferentes: “A urbanização em um país desenvolvimento é diferente da urbanização em países desenvolvidos.

Assim, falar de DOTS na América Latina é falar da necessidade de adaptar esses elementos ao contexto e às necessidades das cidades latino-americanas”, ponderou Victor Rico.

Daisy Dwango, por sua vez, complementou o debate com a visão do contexto sul-africano, direto da cidade de Joanesburgo: “Na minha visão, DOTS se resume à melhora da qualidade de vida.

Em Joanesburgo, trabalhamos para desenvolver mecanismos de financiamento que possam fomentar a aplicação cada vez mais ampla das diretrizes de planejamento do DOTS, em busca de mudanças positivas para todas as partes envolvidas – cidades, pessoas, gestores”.

 

 

 

 

 

O DOTS é uma ferramenta para encaminhar as cidades ao desenvolvimento sustentável, promovendo o crescimento urbano coordenado e planejado. “O aspecto mais importante do DOTS é este”, pontuou Clare Healy, “é um modelo de planejamento que permite às cidades se desenvolverem economicamente de uma maneira mais saudável e socialmente inclusiva”.

Clare Healy, no centro, e Nívea Oppermann, à direita (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Clare Healy, no centro, e Nívea Oppermann, à direita (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Dados abertos geram cidades colaborativas

10/09/2015

Os participantes do debate sobre dados abertos e transparência (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Os participantes do debate sobre dados abertos e transparência (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

No ano de 2013, a prefeitura de São Paulo arriscou uma iniciativa inédita na América Latina: abriu os dados de GPS de 100% da frota de ônibus do município. Não demorou três meses para que surgissem 60 aplicativos indicando os horários e as rotas dos veículos, melhorando diretamente a vida dos usuários. E melhor: sem gastos. A experiência trouxe pelo menos uma conclusão para dentro dos corredores oficiais: "A gente precisa mudar o modelo de governança para os governos alcançarem o ritmo de inovação das iniciativas privadas", avaliou o chefe de gabinete da SPTrans, Ciro Biderman, no painel Cidades, Dados Abertos e Transparência, durante o Congresso Internacional Cidades & Transportes.

Biderman trouxe sua experiência paulistana para mediar um debate com outros nomes que estão apostando na inteligência dos dados para tornar as cidades mais inteligentes. Representando o Brasil, estavam presentes Bernardo Ainbinder, que coordena o Lab.Rio (Laboratório de Participação da Prefeitura do Rio de Janeiro), e Gustavo Maia, coofundador do aplicativo Colab. Além deles, a mesa foi composta por Alessandro Saraceni, Gerente de Programas da Transport Systems Catapult, Adam Rae, Chefe de Ciência de Dados da Future Cities Catapult, e Kevin O'Malley, Diretor de Inovação da cidade de Bristol, no Reino Unido.

Entre os participantes, um consenso: a abertura de dados e a transparência têm o potencial de tornar as administrações públicas mais horizontais, num modelo em que todo mundo sai ganhando. "Neste novo modelo de negócios, do tipo ganha-ganha, você permite melhorias nos serviços públicos sem precisar recorrer aos cofres públicos. Ou, em alguns casos, usando muito menos recursos do que se usaria no modelo tradicional de governança", ressaltou o representante da SPTrans.

Para Kevin O'Malley, as cidades são o ambiente perfeito para fazer essas experimentações. "Muitas vezes temos problemas semelhantes nas cidades, mas as soluções variam de um lugar para o outro. Para se chegar à solução exata, é necessário saber as características locais - geográficas, econômicas, sociais", disse, acrescentando que, apesar das especificidades, o compartilhamento de experiências entre diferentes regiões pode alavancar as resoluções. "As cidades são a escala exata para lidar com essas questões".

Um obstáculo nesse caminho de trocas, porém, costuma aparecer nas esferas do poder público. Afinal, historicamente os governos nunca precisaram abrir suas portas para a população: estão acostumados a agir de cima para baixo. “Para desenvolver um ecossistema de dados abertos é preciso uma mudança cultural que não é fácil, porque são organizações muito burocráticas. É a ultima coisa que as autoridades querem fazer, para não se abrir a críticas", apontou O'Malley. Mas segundo ele, o medo não se justifica. "Com dados abertos, as pessoas podem fazer críticas mais embasadas e sugerir soluções adequadas".

Kevin O´Malley: Com dados abertos, as pessoas podem fazer críticas embasadas. (Foto: Benoit Colin/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Kevin O´Malley: Com dados abertos, as pessoas podem fazer críticas embasadas. (Foto: Benoit Colin/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

É por isso que Bernardo Ainbinder, do Lab.Rio, defende a abertura irrestrita dos dados do poder público. "Informação é poder. É preciso mudar o paradigma cultural que prevalece no setor público: temos de mostrar que existe valor na abertura de informações. Elas têm que estar disponíveis, e os governos não vão ficar vulneráveis por causa disso", afirmou. Para ele, esse processo é parte de uma transformação que faz das cidades uma construção coletiva. "Temos que começar a ouvir os cidadãos, que são de fato quem usa os serviços públicos, que veem onde estão os problemas. Eles não deveriam ser agentes passivos, mas ativos".

Adam Rae, da Future Cities Catapult, também acredita na gestão colaborativa, mas é mais cauteloso sobre a abertura de dados. Para ele, é preciso ter regras, para segurança da própria população. "Para ter inovações nas cidades, devemos ter uma plataforma seletiva e cuidadosa no sentido de liberar um conjunto de dados, pois isso pode ser perigoso, pode afetar a vida das pessoas", pontuou. "Nossa tendência é pensar que as autoridades são ruins e sonegam informações. Mas eles também estão nos defendendo, de alguma maneira".

Alessandro Saraceni, da Transport Systems Catapult, concorda. Mas diz que dá para conciliar cautela e transparência. "Podemos melhorar a mobilidade e a infraestrutura das cidades de uma forma conectada, inteligente, adicionando dados. Mas não necessariamente invadindo a vida das pessoas. Muitas coisas podem ser feitas sem coletar dados pessoais", frisou. Como exemplo, disse que os usuários podem saber se um ônibus está lotado sem precisar dos nomes e rotas dos passageiros que estão viajando nele.

Foi apostando nesse equilíbrio entre público e privado que Gustavo Maia criou o Colab, um aplicativo que conecta as esferas de poder e os habitantes das cidades. Tanto de um lado quanto de outro, a experiência tem dado muito certo. "Existe um vale imenso entre o que as pessoas querem, especialmente no Brasil, e o que o governo está fornecendo. Enxergamos esse abismo e tentamos construir uma ponte", explicou.

Por meio do Colab, os cidadãos propõem melhorias, avaliam serviços públicos e as autoridades respondem. "As pessoas criam dados de forma colaborativa. É um sistema em que as políticas públicas são construídas com base no que os cidadãos apontam", disse. "O desafio é esse: conseguir alcançar um sistema de desenvolvimento de dados para crescermos e nos transformarmos em cidades melhores e mais bonitas no futuro", resumiu Kevin O'Malley. "E tudo isso tem a ver com dados abertos".

Bernardo Ainbinder: Informação é poder. (Foto: Benoit Colin/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Bernardo Ainbinder: Informação é poder. (Foto: Benoit Colin/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Planos de mobilidade: por que cidades devem começar a elaborar já

10/09/2015

Rômulo Orrico, da COPPE- UFRJ, Udo Döhler, Prefeito de Joinville, e Dario Lopes, Secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das CIdades. (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Rômulo Orrico, da COPPE- UFRJ, Udo Döhler, Prefeito de Joinville, e Dario Lopes, Secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das CIdades. (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

A Política Nacional da Mobilidade Urbana, sancionada em 2012, trouxe uma oportunidade única para a mudança nos rumos do desenvolvimento urbano no Brasil. Planejar a cidade com foco nas pessoas e na mobilidade sustentável, com mais viagens sustentáveis e menos por automóvel. Foi dado o prazo de três anos para que municípios entregassem o plano de mobilidade urbana a fim de obter recursos para implantação de infraestrutura de transportes. “Contudo, está tramitando um projeto de lei para ampliar o prazo por mais três anos, tempo para resolver a questão com consistência”, lembrou Dario Lopes, Secretário Nacional de Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades, durante a sessão Plano de Mobilidade Urbana no Congresso Internacional Cidades & Transportes.

Além do Secretário da SeMob Dario Lopes, o painel reuniu Udo Döhler, Prefeito de Joinville; Leah Treat, Diretora do Departamento de Transporte de Portland (EUA); Guilherme Medeiros, Coordenador do Departamento Técnico da SC Parcerias e Coordenador do PLAMUS - Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis; Daniela Facchini, Diretora de Projetos & Operações do WRI Brasil Cidades Sustentáveis; Orlando Strambi, Professor Titular do Departamento de Engenharia de Transporte da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,Luti Guedes, coordenador do Lab.Rio, e Rômulo Orrico, professor da COPPE – Universidade Federal do Rio de Janeiro, como moderador.

O Plano de Mobilidade Urbana importa. Primeiro, porque é a chance para transformar as cidades. Lopes lembrou que, dos 5.600 municípios brasileiros, a Política Nacional se aplica a 3.326 deles.

“Temos nomes de alto nível aqui reunidos, com experiências distintas mas com um elemento em comum: a mobilidade urbana e o interesse vil em nossas cidades”, pontuou Orrico, ao abrir os debates. Ele fez uma pergunta simples, mas crucial para os municípios:

Qual aspecto chave de um plano de mobilidade?

Para o Prefeito Udo Döhler, é essencial garantir o cumprimento das etapas essenciais chave. Joinville entregou seu plano de mobilidade em abril, com metas, métricas e prazos bem definidos. “Recomendo o manual Sete Passos – Como Construir um Plano de Mobilidade Urbana, do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, que foi de grande precisão para Joinville”, disse.

Em Portland, o Plano de Mobilidade está em fase de renovação para os próximos 20 anos. “Quem queremos ser até lá? A pergunta será o vetor para nortear como vamos andar daqui pra frente e moldar a comunidade, os negócios, as mudanças climáticas, a mobilidade, sempre passando pela participação social”, afirmou.

Para Luti, do LAB.Rio – organização da sociedade civil que participa da elaboração do Plano de Mobilidade da cidade do Rio de Janeiro – o plano deve englobar uma visão de mobilidade como instrumento que garanta o direito à cidade. “Que permeie sua dinâmica, sua lógica, que construa a cidade enquanto projeto coletivo”, enfatizou.

Para Guilherme Medeiros, do PLAMUS, é fundamental que haja integração entre os Planos Diretor e de Mobilidade. “É uma oportunidade de rever também nossos próprios planos diretores, aplicar conceitos de desenvolvimento orientado pelo transporte sustentável ao plano diretor, e repensar o espaço da cidade como um todo”.

Para a diretora de Projetos & Operações do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Daniela Facchini, cidades devem encarar o plano como a oportunidade para repensar os espaços e a mobilidade de forma ordenada. “É colocar na mesa tudo que já foi feito em planejamento, habitação, obras, analisar dados e elaborar. Não é um plano para entregar ao Ministério das Cidades, mas para crescer corretamente”, explicou.

Capacitação para evitar e contornar problemas urbanos

“O plano é a cara da cidade. A realidade dela deve estar lá”, enfatizou Dario Lopes, reconhecendo que um problema recorrente no qual as cidades esbarram é a falta de capacitação. Um dos maiores desafios, segundo ele, são as cidades pequenas. “Elas precisam crescer de forma sustentável para evitar um futuro com os problemas atuais das cidades grandes”, pontuou.

Leah Treat, de Portland, lembrou que envolver os interessados traz melhores resultados para todos. “A união dos que têm interesse no plano é importante, e o documento deve abarcar diferentes aspectos para diferentes públicos, sempre com a visão do bem comum”.

Para o moderador Orrico, são duas as feridas mais significativas. “Sem capacitação, é difícil construir; sem diversidade, não há efetividade no plano”.

Facchini, do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, comentou que muitos municípios contratam consultores para elaborar o plano. “Mas qual o termo de referência, quais diretrizes? Cidades podem contratar apoio externo, por não ter capacidade interna, mas precisam saber o que pedir”, reforçou. Outra questão é a falta de pessoal, pois muitas cidades têm um, dois engenheiros. “Existem peculiaridades para pensarmos em como capacitamos as cidades a longo prazo”.

À frente do PLAMUS, Guilherme Medeiros concordou com Orrico e Facchini ao lembrar a diversidade de pessoas, organizações e entidades que apoiaram no plano, processo que inclusive fomentou o conhecimento local. “A troca de experiências enriqueceu o domínio do tema entre cidades, Estado, e talvez a provocação da Politica Nacional de Mobilidade também nos leve a desenvolver esse fator”.

“Homens, mulheres, crianças e idosos vivem e circulam nas cidades. Ao pensar em mobilidade, há que reconhecer a sabedoria empírica dessas pessoas. Falando sobre capacitação, como podemos trazer a prática ao plano?”, provocou Lute.

O Secretário Nacional de Mobilidade Urbana falou sobre duas iniciativas do Ministério das Cidades se dedicam a correr o Brasil para capacitar cidades. Uma delas são seminários de sensibilização para a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que se debruçam sobre a política. Outra é um workshop de dois dias com cinco, seis municípios, “para colocar a mão na massa”.

Prazo pode se estender até 2018

Dúvida para muitos, a questão do prazo de entrega do plano foi lembrada por Lopes, que esclareceu: “quem não entregou o plano até 12 de abril deste ano não tem direito a recursos no orçamento geral, exceto se for para fazer o plano”.

Ele lembrou, porém, que é preciso ter calma para elaborar um plano “organizado, bem elaborado, que abranja características e infraestruturas locais, para facilitar a obtenção dos recursos”. Por fim, recomendou aos municípios que ainda não elaboraram: “Mesmo que demore, tenham o compromisso com a qualidade. A pressa pode comprometer o crescimento da cidade. A SeMob está a disposição para que possamos construir em conjunto”.

Leah Treat, de Portland, comentou que seu plano já está implementado, e destaca sete aspectos contemplados:

  • Segurança – abraçamos o visão zero, para zerar mortes e ferimentos graves
  • Saúde – nosso plano vai melhorar saúde por melhorar as ciclovias e passeios
  • Acesso – queremos que pessoas resolvam qualquer coisa a 20 minutos a pé
  • Acesso ao transporte coletivo para todos
  • Igualdade – cidadãos que ainda não receberam sua parte no passado vão receber mais
  • Clima – queremos cortar emissões em 30% nos próximos 20 anos,
  • Economia – vamos priorizar projetos com menor custo

Por fim, Udo lembrou que, acima de tudo, planos têm a ver com felicidade. “Quanto menos congestionadas as cidades e mais oportunidades, mais felizes e produtivas são as pessoas”. Orrico, por sua vez, declarou que planos de mobilidade são um bom problema. “Por reverter as más tendências e promover uma cidade melhor, mais sustentável e com mais qualidade de vida”

‘Esperança e resultados’ para garantir um bom legado às cidades brasileiras

10/09/2015

Prefeito de BH e Presidente da FNP ministrou Palestra Magna, no encerramento do Congresso Internacional Cidades & Transportes. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Prefeito de BH e Presidente da FNP ministrou Palestra Magna, no encerramento do Congresso Internacional Cidades & Transportes. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Prefeito de Belo Horizonte e Presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Márcio Lacerda foi líder da transformação da capital mineira nos últimos anos. Lacerda ousou implementar um Plano Estratégico para 2030 e o primeiro BRT da capital mineira. A infraestrutura do sistema revitalizou a área central e o projeto real conquistou um prêmio internacional em mobilidade sustentável. Encerrando as atividades do Congresso Internacional Cidades & Transportes, nesta quinta-feira (10), Lacerda compartilhou suas experiências como prefeito na Palestra Magna - O legado das cidades brasileiras.

“As cidades são o nosso espaço ideal para inovação e renovação para prosperidade e inclusão social. Para isso, no entanto, é necessário investimento em desenvolvimento urbano, tornando nossas cidades mais conectadas”, pontuou Lacerda. Muitos caminhos para este desenvolvimento mais próspero, igualitário e sustentável foram apontados pelos líderes da Cúpula de Prefeitos, no Rio. O presidente da FNP destacou os principais conselhos que anotou de cada um deles para realizar uma boa gestão e deixar um legado real para as cidades brasileiras:

Eduardo Paes destacou a paixão de governar uma cidade onde nasceu e cresceu. Ken Livingstone, de Londres, lembrou que sem ousadia não há grandes transformações. A ex-prefeita de San Fernando, Mary Jane Ortega, falou sobre carinho e cuidado ao liderar, conquistando corações e mentes. Para Sam Adams, de Portland, em primeiro lugar é necessário planejamento e prioridade à educação de qualidade. Já o icônico ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, aposta na inovação para quebrar paradigmas e atingir o florescimento urbano.

“Muitos perguntam por que quisemos nos tornar prefeitos. Para mim, é pela esperança de resolver os problemas e os desafios cotidianos. Isso é o que nos move”, pontuou Lacerda. Para ele, ainda que o Brasil viva um momento difícil e de crise, é possível construir pontes e alianças para ir mais longe. A Frente Nacional de Prefeitos é uma delas, onde os gestores municipais podem se unir por um objetivo comum: tornar nossas cidades lugares melhores.

E é isso que Belo Horizonte está mirando. A cidade conta com um Plano Estratégico para 2030, liderado por Lacerda, com foco em diferentes áreas com influência direta na qualidade de vida de seus cidadãos. O prefeito lembrou que a capital mineira teve “a sorte de ter uma sequência de ótimos prefeitos”, que oportunizaram fóruns de participação social ativos. Estes espaços estão ajudando a construir uma cidade para todos. Além disso, entre 2003 e 2010, mesmo antes de sancionada a Política Nacional de Mobilidade Urbana, Belo Horizonte elaborou seu Plano de Mobilidade Urbana, documento norteador das ações em transporte coletivo, individual e não motorizado, instituído em 2013 para atender às necessidades da população.

O prefeito lembrou também da oportunidade com a Copa do Mundo. Foi através destes recursos que foi possível viabilizar o BRT MOVE, projeto que contou com auxílio técnico do WRI Brasil Cidades Sustentáveis. “A colaboração da EMBARQ conosco foi fundamental para o avanço da mobilidade que tivemos em Belo Horizonte. Gostaria de agradecer, mais uma vez.” De acordo com Lacerda, o maior legado dos jogos, no entanto, foi a colaboração mútua que se estabeleceu entre os três níveis de governo, com data marcada para a conclusão do processo. “Se conseguimos na Copa, provamos que é possível para qualquer outro momento. Precisamos desta sinergia para avançar”, pontuou.

Deixar um legado positivo para a cidade e, principalmente, às pessoas que moram nela é uma tarefa que exige visão, planejamento e comprometimento. Mas para Lacerda vai um pouco além disso. “É preciso manter a esperança para continuar governando cidades melhores. O político demagogo e de promessas fáceis não tem mais espaço no país. As pessoas querem gestão com resultados”, destacou. Quando isso acontece, as pessoas se engajam e o ciclo entre gestores públicos e sociedade recomeça mais fortalecido.

“É preciso transformar nossas cidades em locais onde as pessoas se sintam felizes. No fim, é isso que queremos para nossos filhos e netos”, marcou Lacerda no encerramento do primeiro dia de Congresso Internacional Cidades & Transportes no Rio de Janeiro.

Pensando as cidades para pessoas

10/09/2015

(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Para o urbanista dinamarquês Jan Gehl, existem três tipos de cidade. A tradicional, focada em torno do fator humano; a invadida, moldada pelo automóvel; e a reconquistada, simbolizando a retomada do espaço pelas pessoas. Conceitos que instigam a reflexão sobre o ambiente urbano, as consequências de décadas de desenvolvimento voltado ao transporte individual motorizado e como será o futuro urbano. Quem lançou este pensamento foi Suzy Balloussier, Diretora de Relações Institucionais, Consórcio BRT Rio, que moderou o painel Cidades Pensadas para as Pessoas, nessa manhã no Congresso Internacional Cidades & Transportes.

O debate reuniu Ani Dasgupta, Diretor Global do WRI Ross Centro para Cidades SustentáveisAlexandros Washburn, Diretor do Centro para a Resiliência Costeira e Excelência Urbana (CRUX) do Stevens Institute of TechnologyMarina Klemensiewicz, Secretária de Habitação e Inclusão de Buenos Aires; Ricardo Montezuma, Diretor da Fundación Ciudad Humana; e representantes da cidade de Chihuahua, México.

As cidades têm cinco mil anos, passaram por fases de conquista do automóvel, reconquista do espaço e são o futuro lar para a maior parte da população mundial. “Como fazer cidades para pessoas?”, questionou Suzy ao abrir os debates.

Oportunidades mais perto das pessoas

Como secretária de habitação de Buenos Aires, uma das responsabilidades de Marina Klemensiewicz é trabalhar com os assentos informais. Na capital argentina, são localizados na Zona Sul, parte mais pobre da cidade. “Começamos um trabalho para solucionar a fragmentação e as desigualdades nessa região. O primeiro passo foi questionar quais eram as demandas dos moradores, e descobrimos que queriam, em primeiro lugar, transporte público; segundo, acesso a espaços públicos de qualidade”, explicou.

Numa operação bem sucedida, a cidade levou o BRT Metrobus à periferia, bem como praças e mobiliário urbano. O desafio, contudo, foi quando a população começou a usar esses espaços como estacionamento. “Construir o consenso para que as pessoas desfrutassem de espaços públicos foi trabalhoso. São mudanças que demandam governos que incentivem bicicleta, mobilidade sustentável”, avaliou.

Segundo Marina, uma cidade igualitária, com qualidade de vida, talvez não demande apenas a implantação de infraestrutura de transporte, e sim um processo de descentralização, que leve serviços como hospitais e escolas à população.

 

 

O que as cidades levarão para o futuro?

Nos últimos 15 anos, a América Latina passou por tentativas interessantes para melhorar o espaço público. Um exemplo é Bogotá, onde o ex-prefeito Enrique Peñalosa implantou corredores de ônibus, ciclovias, baniu o estacionamento nas vias públicas. “O que ele fez foi espetacular, e se fosse reeleito hoje poderia fazer ainda melhor. Mas as pessoas não votam nele”, lamentou Ricardo Montezuma, ao fazer uso da palavra. “Todos aqui nesta sala concordam que precisamos mudar a lógica das cidades. O problema é externo, está em quem não vota em Peñalosa, quem não concorda com a cidade centrada no fator humano”, provocou o especialista.

Montezuma defende que os políticos lidam com a questão urbana de forma irresponsável e permanecem impunes.  Cidades deveriam ter espaços públicos, fornecer serviços de qualidade para as pessoas. “O que levaremos para o futuro? Se as cidades permanecerem como estão , o futuro será um desastre. Se queremos uma boa cidade para viver, precisamos frear aspectos que as tornam ruins”, alertou.

Nova York: planejamento guiado pela perspectiva do pedestre

Quando trabalhou ao lado do então prefeito Michael Bloomberg, em Nova York, o arquiteto Alexandros Washburn teve a oportunidade de colocar em prática seus ideais de cidade. Com orgulho, ele lembrou o trabalho de sucesso que fez da megalópole uma referência em ambiente planejado para as pessoas. “Basta andar em Nova York para perceber que a cidade é feita pelos nova-iorquinos, não pelos carros. É uma abordagem que molda a cidade não a partir do ponto de vista do parabrisa de um carro, mas do cidadão comum”, afirmou.

Por definição, a palavra pedestre pode significar aquele que anda, mas, em Nova York, significa “fabuloso” e “extraordinário”. “Quando falamos sobre projetar cidade, quero que o mundo pense sob diferentes perspectivas. A perspectiva urbana é a interface com o usuário da via. Você aceitaria um celular ruim, feito? O mesmo se aplica à cidade”, refletiu. É preciso pensar a cidade do ponto de vista da fachada dos prédios, do calçamento, das árvores – sob a perspectiva do pedestre. Por fim, defendeu que espaços públicos só geram confiança quando são acessíveis a todas as pessoas. “Meu prazer é lutar pelos espaços públicos e pela igualdade para os pedestres. E fico extremamente feliz cada vez que eu ando pelas ruas de Nova York”, finalizou.

As cidades precisam mudar pelas pessoas

Para o Diretor Global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, Ani Dasgupta, cidades inclusivas produzem riqueza para todos. Além disso, são mais amigáveis com o clima, trazem qualidade de vida, tempo par as pessoas. “O que acontece em locais onde as pessoas são jogadas para fora da cidade? Há mais deslocamentos motorizados, mais poluição, mais insegurança para os cidadãos e exclusão social”, provocou. Ele convidou os presentes a pensarem numa cidade inclusiva, com transporte público e infraestrutura para caminhada e bicicleta para todos. “Cidades produzem 75% dos gases de efeito estufa no mundo, e a solução para os problemas está nas cidades”, pontuou.

Os desafios urbanos para cidades sustentáveis são o foco do trabalho do programa de cidades do WRI. Liderando um time de mais de 200 especialistas em vários países, Dasgupta é otimista quanto ao futuro, em especial por duas razões. “Uma é que as cidades passaram a ser reconhecidas como protagonistas da ação climática, sendo convidadas a grandes debates como a COP21 em Paris. Segundo, que a história mostra que é possível transformar cidades, a exemplo de Copenhague, há 30 anos centrada no carro e hoje referência em mobilidade sustentável”, explicou, lembrando que Amsterdã tomou a decisão política em mudar sua lógica. “É um trabalho árduo, demorado e, se feito em conjunto, pode ser ainda mais rápido”, concluiu.

Decidindo com e para pessoas

O diretor de Desenvolvimento e Ecologia de Chihuahua, no México, Guillermo Humberto Monarrez Vota, destacou o papel que a cidadania desempenha na construção de cidades justas. “A estratégia em nossa cidade é incluir o cidadão na tomada de decisão, colocando os prós e contras de cada projeto proposto. Cada decisão que tomamos tem envolvimento cidadão e, assim, estamos num caminho para construir uma cidade melhor”, finalizou.

O impacto da regulamentação de novas tecnologias

10/09/2015

Na Cidade do México, como apresentou Alejandro Faya, da COFECE (Comisión Federal de Competencia Económica), a regulamentação para o UBER, por exemplo, foi aprovada. A medida torna a Cidade do México como a primeira do mundo a aprovar este sistema. De acordo com o Governo, os impostos arrecadados serão destinados a um fundo de apoio ao transporte e mobilidade urbana. Para Faya, a regulamentação é positiva, pois esse tipo de serviço traz “algo diferente e parte de um processo de inovação, além de oferecer não somente a mobilidade de um ponto para outro dentro da cidade, mas também certas características em termos de transparência, confiabilidade, conveniência, conforto, segurança”

(Fotos: Luísa Schardong / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Fotos: Luísa Schardong / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

É preciso saber quão transparente são os serviços tecnológicos que estamos lidando. Victor Rufino, Procurador Chefe do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), afirmou que algumas perspectivas devem ser analisadas com cuidado, aspectos ambientais e de tráfego devem ser levados em conta, “mas esse processo vai levar algum tempo, pois é um debate que está apenas começando”

Entre os integrantes do painel, foi unânime a opinião de que a regulamentação deve seguir os fatos, e não o contrário. Anthony Ling, Arquiteto e Urbanista idealizador da BORA e do website Caos Planejado apresentou a perspectiva de empreendedor no setor de transportes no Brasil. “O desafio é tornar nossas cidades menos dependentes do automóvel”. Segundo Ling, o que vemos hoje em regulamentação de transportes é o incentivo ao transporte individual, mas o universo de possibilidades de inovação é muito maior do que isso. “A tecnologia hoje começa a resolver certos problemas, pois tem baixo custo de processamento de dados e permite que o cidadão se torne um provedor de serviços com acesso a inúmeros clientes com informações transparentes, rápidas e fáceis; conceito da economia de compartilhamento”

Corey Owens, Chefe de Políticas Públicas Globais da UBER destacou que é preciso ser honesto acerca da tarefa a ser enfrentada: “estamos no meio de uma catástrofe de mobilidade e isso não é um problema para nossos filhos enfrentarem, é um problema atual, nosso”. Corey asseverou que fatos e regulações devem seguir o mesmo caminho e que não podemos ver as coisas como competições. Para ele, táxis não são os maiores competidores do UBER, e sim os automóveis particulares.

(Corey Owens, da UBER - Foto: Luísa Schardong/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Corey Owens, da UBER - Foto: Luísa Schardong/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Nicolas Estupiñán, integrante do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), informou que ainda não temos os dados necessários sobre o impacto que esses novos serviços tecnológicos abrangem. “Precisamos definir algumas entidades públicas que voltem seus esforços de pesquisa para monitorar os impactos de tais ferramentas em diferentes partes do mundo”

“É possível ver as vias das cidades brasileiras cada vez mais carregadas de automóveis, isso que estamos apenas começando o processo de motorização no Brasil, imagine se chegássemos ao nível do Estados Unidos”, falou Luis Antonio Lindau, Diretor Presidente do WRI Brasil Cidades Sustentáveis. Lindau destacou a importância de existirem cada vez mais debates para enfrentar o embate regulatório junto com as cidades. 

Phil Evans, Autoridade de Concorrência e Mercados, do Reino Unido, respondeu a pergunta de José César Martins, Fundador da Paradoxa, sobre suas recomendações para as cidades que enfrentam inovações tecnológicas  disruptivas. Para Evans quando barreiras são quebradas não significa que leis estão sendo quebradas, apenas que você precisa encontrar maneiras de lidar com as mudanças. “Durante isso é preciso evitar o conflito entre os reguladores e aqueles que são regulados; depois, é preciso analisar, num contexto histórico, os aspectos positivos e negativos do processo”

Acompanhe o Congresso:

Entre 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

A EMBARQ Brasil agora é o WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Lideranças visionárias debatem questões urbanas urgentes na Cúpula de Prefeitos

10/09/2015

Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

As lideranças visionárias que reinventaram suas cidades e hoje são exemplos de vontade política, gestão e foco no desenvolvimento sustentável abriram a Cúpula de Prefeitos, no início desta tarde, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Ken Livingstone (Londres), Jaime Lerner (Curitiba), Mary Jane Ortega (San Fernando), Enrique Peñalosa (Bogotá) e Sam Adams (Portland) foram recebidos por Andrew Steer, Presidente do WRI; Ani Dasgupta, Diretor do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis; Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis. O cerimônia teve como anfitrião o prefeito Eduardo Paes e a presença do Presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Marcio Lacerda.

"Temos aqui hoje uns dos lideres que fazem parte da revolução das cidades. Vamos aprender muito com eles nestes dias e com as cidades brasileiras presentes aqui. Muitas cidades brasileiras estão liderando essa revolução", afirmou Steer. "O grande problema é que as cidades estão crescendo da forma errada. Por anos construímos nossas cidades através do automóvel, o que desencadeou em mortes no trânsito, poluição. Vamos discutir, hoje e no Congresso, formas de superar isso", declarou.

A Cúpula de Prefeitos e o Congresso Internacional Cidades & Transportes, que acontece dias 10 e 11 de setembro, marcam os 10 anos de atuação da EMBARQ no Brasil. Durante toda a tarde, os ex-prefeitos compartilharam histórias, barreiras e vitórias que os elevaram ao patamar de líderes transformadores.

"Este evento celebra 10 anos da EMBARQ, organização que tem sido parceria da cidade do Rio com a rede de BRT da cidade, que contará com 150 km. O investimento no transporte coletivo de alta capacidade é um dos maiores legados olímpicos que deixaremos para a cidade. Estou honrado de participar deste encontro hoje para construir cidades mais sustentáveis", agradeceu o prefeito Eduardo Paes.

Na plateia, 350 pessoas - entre elas, mais de 100 representantes municipais de diversas partes do mundo - acompanham o debate a fim de aprender com as experiências de sucesso dos prefeitos internacionais e, assim, vencer os obstáculos que ainda se interpõem à construção de cidades mais humanas e sustentáveis. "É uma honra estar no evento que também celebra os 10 anos da EMBARQ no Brasil. A organização tem sido uma parceira fundamental de muitas cidades brasileiras em muitos projetos de transporte. Belo Horizonte tem muito a agradecer à organização, pois tivemos uma evolução vigorosa do transporte público nos últimos anos, com a assessoria da EMBARQ Brasil", agradeceu Lacerda, prefeito de BH.

 

Gestão e liderança por cidades mais igualitárias

Mediados pelo Presidente do WRI, Andrew Steer, os integrantes da Cúpula de Prefeitos foram provocados, na primeira rodada de debates nesta tarde, a apresentarem as ‘receitas’ para tornar suas cidades locais ambientalmente responsáveis e socialmente mais igualitários. Ken Livingstone (Londres), Jaime Lerner (Curitiba), Mary Jane Ortega (San Fernando), Enrique Peñalosa (Bogotá), Sam Adams (Portland) e o anfitrião e Prefeito do Rio, Eduardo Paes, enfrentaram cenários diferentes entre si, mas utilizaram soluções semelhantes para enfrentar a burocracia e a oposição.

Liderança, gestão e planejamento foram as diretrizes que guiaram estes líderes para transformações reais. Para que o planejamento seja traçado, porém, é necessário construir o objetivo que se deseja alcançar com clareza, comentou o moderador Andrew Steer, que lançou a questão para o debate: “quando você se tornou prefeito, qual foi a visão que idealizou para a sua cidade?”

Eduardo Paes tem a importante missão de construir um dos maiores legados públicos que a cidade do Rio já teve, com a realização dos Jogos Olímpicos. “Diria que a renovação do Porto Maravilha é um símbolo do que queremos para nossa cidade: que a cidade esteja mais próxima das pessoas; que não percam muito tempo em deslocamentos e vivam mais a cidade”, declarou. Para o prefeito do Rio, um passo importante para a construção da visão comum de cidade é encontrar os pontos fracos. “Temos que ter clareza para onde queremos ir, de modo estratégico. Precisa-se definir quais são os problemas, a partir de dados, quando existem. Assim temos ideia de o que se deve lidar”, finalizou.

Com o apoio dos dados, Ken Livingsonte assumiu a prefeitura de Londres e sabia que algo urgente precisava ser feito para combater os congestionamentos da capital inglesa. Decidiu, com apoio da equipe técnica municipal, implementar o ousado programa de taxação de congestionamento (congestion charging) em áreas centrais. “Se eu não resolvesse o problema do congestionamento, sabia que Londres poderia perder seus residentes para Paris, Bruxelas ou outras capitais globais”, explicou. A oposição foi dura, mas os resultados atuais mostram que o esforço valeu a pena: a cidade garantiu um aumento de 14% mais usuários no transporte coletivo. “O congestion charging ocasionou uma grande ascensão no uso do transporte coletivo. Se eu tivesse que escolher, eu faria isso de novo”, finalizou.

A ousadia acompanhou também Peñalosa. O ex-prefeito de Bogotá implantou o emblemático sistema BRT TransMilenio, que hoje transporta 2,2 milhões de pessoas por dia em 113 km de corredores de ônibus. Também liderou uma revitalização em ampla escala de espaços públicos e parques urbanos e construiu mais de 250 km de ciclovias. “Quando você dá mais espaço para o carro do que para pessoas, você passa a mensagem que os carros são mais importantes que as próprias pessoas, e não é isso que queremos. Pela primeira vez, mudamos essa lógica. Tentamos construir uma cidade mais justa e sustentável”, explicou. “Durante minha gestão quisemos dar mais felicidade às pessoas, mas é um conceito muito relativo, então partimos para a equidade e construir uma cidade onde todos se sintam iguais e sintam satisfação de andar nas ruas”, declarou Peñalosa.

 

Mudanças climáticas, desafio para cidades e prefeitos

Após um breve intervalo, a discussão foi retomada com uma das mais pungentes preocupações contemporâneas – as mudanças climáticas. Andrew lançou o questionamento sobre iniciativas que líderes municipais podem tomar para mitigar os efeitos das mudanças no clima e lutar contra o problema. Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba assinalou que as muitas preocupações que assolam a vida urbana nas cidades hoje não podem ser esquecidas por seus líderes: “O esforço que uma cidade faz no sentido de melhorar a qualidade de vida das pessoas repercute em todos os outros aspectos da vida urbana. Nenhuma cidade pode se afastar dos problemas de suas populações, mas todas precisam manter a preocupação com os problemas que afetam toda a humanidade: mobilidade, sustentabilidade e sociodiversidade”.

Sam Adams, que liderou a transformação em Portland, reforçou a importância de repensarmos nossos hábitos e o que isso pode representar na prática, no dia a dia nas cidades: “Quanto mais as pessoas deixam de dirigir, ou passam a dirigir menos, mais elas economizam – deixam de gastar comprando e mantendo carros e contribuem para reduzir emissões e melhorar a qualidade do ar e da própria vida nas cidades. É um desafio para moradores e prefeitos, mas precisamos enfrentá-los, dialogando e trocando experiências, a fim de evitar erros já cometidos”.

Prefeita de San Fernando, nas Filipinas por três mandatos, Mary Jane Ortega recebeu diversos prêmios por suas realizações como prefeita. Vinda do continente asiático, onde os estragos causados pelas mudanças no clima são mais frequentes, ela assevera: “Provavelmente muitos aqui não sintam diretamente os efeitos das mudanças climáticas. Mas quando vemos dez mil pessoas mortas por um furacão mudamos nossa perspectiva. Em cidades asiáticas, fenômenos naturais devastam milhares de pessoas. Por isso, estou feliz de fazer a minha parte. Ela pode ser pequena, mas é mais um passo em direção à mudança”.

 

Um presente para as cidades

Como forma de marcar seus dez de atividade com as cidades brasileiras, a EMBARQ Brasil lançou o livro “Mobilidade em 1 Instante”. A publicação une fotografias e textos para contar a história de dez cidades com as quais a EMBARQ Brasil trabalhou na última década. Rejane Fernandes, nossa Diretora de Relações Estratégicas & Desenvolvimento, sintetizou o que representa a publicação do livro: “Com este livro, nós comemoramos os dez anos de atuação da EMBARQ Brasil. Ele traz histórias de dez das cidades que fizeram parte da nossa história e nessa última década. São momentos de mobilidade – um passeio na praça, um encontro, um olhar. É um presente da EMBARQ Brasil para todos aqui hoje”.

Congresso Internacional Cidades & Transportes tem início no Rio

10/09/2015

Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, na abertura do Congresso Internacional Cidades & Transportes (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, na abertura do Congresso Internacional Cidades & Transportes (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Lar para bilhões, as cidades são fascinantes. Concentram os principais desafios globais, bem como suas soluções. Nos centros urbanos, grandes ideias se tornam realidade para preservar o que têm de mais precioso: as pessoas. Para explorar as questões chave à vida urbana, o Congresso Internacional Cidades & Transportes teve início nesta manhã (10) na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

Um público de mais de mil pessoas e 130 palestrantes, entre especialistas, prefeitos e lideranças nacionais e internacionais estão reunidos no Cidade das Artes para compartilhar boas práticas e iniciativas bem-sucedidas na construção de cidades mais inclusivas e humanas.

Na abertura oficial do Congresso nomes e palavras inspiradoras. Antonio Juan Sosa, Vice-Presidente de Infraestrutura do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina; Andrew Steer, Presidente do WRI - World Resources InstituteVicente Loureiro, Diretor-Executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do RJ; Marcio Lacerda, Presidente da Frente Nacional de Prefeitos e Prefeito de Belo HorizonteLuis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis; e Rachel Biderman, Diretora do WRI Brasil, lembraram que o futuro é agora, e a ação precisa começar.

Antonio Juan Sosa fez as saudações iniciais. “Para a CAF, é um prazer estar aqui, ao lado de quem trabalha pelo desenvolvimento de cidades e mobilidade sustentável na América Latina”, disse, lembrando que a Cúpula de Prefeitos, dessa quarta-feira, trouxe ideias, novas soluções e problemas que continuam a persistir. “Temos um relacionamento de colaboração com a EMBARQ há muitos anos com um portfólio de atividades que envolve infraestrutura, transportes, e que continuará no futuro. Parabenizamos pelos 10 anos e desejamos longa vida à organização”, concluiu.

“É um momento especial pra nós”, celebrou Rachel Biderman, Diretora do WRI Brasil. “O planeta vive seu maior desafio – o clima, e estamos aqui para fazer mudanças. Para tanto, precisamos de dois motores – um que reduza as emissões, e outro que adapte as cidades aos impactos das mudanças”, finalizou.

O Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Luis Antonio Lindau, agradeceu a todas as instituições que viabilizaram a realização do evento, como a Prefeitura do Rio de Janeiro. “Chegamos até aqui construindo uma equipe de qualidade, com o fundamental apoio de fundações e organizações locais e internacionais que se somam a nós”, pontuou. “Deixamos nossa marca em projetos emblemáticos para a mobilidade sustentável e desenvolvimento urbano e temos orgulho de ter proporcionado, com essa atuação, em ter proporcionado mais tempo para pessoas, menos acidentes no trânsito e mais saúde. Estamos prontos para o futuro”.

Ao saudar os presentes, o ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner defendeu que a solução das cidades passa por um transporte coletivo de qualidade – na superfície. “86% dos deslocamentos em São Paulo são por superfície. Precisamos aproximas as moradias dos empregos, combinar modais e oferecer um bom transporte público. O carro não é o problema. Esqueçam o automóvel: aí as cidades vão começar um novo caminho”. Para ele, os gestores municipais devem ter visão de futuro e equipe dedicada à cidade. “Gente que cuida”, como definiu. “Espero que cada vez mais, o debate e as ações em cidades aconteçam”, finalizou.

Vicente Loureiro, representando a Câmara Metropolitana do RJ salientou a importância da integração metropolitana e da gestão com governança, lembrando dois importantes pilares para a mobilidade fluminense. “A região metropolitana carioca recebe, na última década, importantes investimentos em mobilidade, como a expansão da rede metroviária, que é uma das maiores do mundo. Além disso, os esforços no sistema BRT têm sido expressivos, e nossa prioridade é renovar esse investimento com qualidade, criatividade e equipe”. No uso da palavra, Loureiro também anunciou uma novidade. Vai construir um plano metropolitano de Governança até o fim de 2016. “Para que novos prefeitos tenham um ambiente novo de governança e uma metrópole a perseguir, onde politicas publicas como transporte e mobilidade tenham um peso estruturante”.

Marcio Lacerda, presidente da FNP e prefeito de Belo Horizonte, reforçou a visão de governança metropolitana mencionada por Loureiro. “Nos enche de esperança ouvir que uma cidade como o Rio de Janeiro terá um plano para sua Região Metropolitana.  É um trabalho de gerações, mas cada um de nós, como prefeitos, poderemos deixar nossas contribuições para o avanço das cidades – cujo protagonismo é reconhecido no processo de evolução da sociedade como um todo”.

O Presidente do WRI, Andrew Steer, proferiu as palavras finais. “É nas cidades que se concentram os grandes desafios das próximas décadas. As cidades são uma invenção maravilhosa, mas estamos atrasando seu sucesso. Por exemplo, Beijing perde 50% de sua renda pelos congestionamentos, 10% pela poluição e 6% em acidentes. E não é um problema econômico”, salientou. Segundo ele, ouvir os líderes reunidos no Congresso é levar a revolução das cidades adiante. “É uma alegria, para o WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, fazer parte dessa jornada”, celebrou.

Mais que planejar, é hora de agir. A realidade urbana demanda soluções efetivas para garantir qualidade de vida às pessoas. Isso inclui menos emissões – apesar de ocuparem somente 2% do território terrestre, áreas urbanas emitem 70% dos gases relacionados ao setor de energia –, mais eficiência no desenvolvimento urbano – 75% da infraestrutura erguida no mundo em 2050 ainda não existem –, mais segurança – 1,2 milhão de pessoas falecem em acidentes de trânsito no mundo.

Crescem os desafios, mas também as oportunidades para ação.

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Acompanhe o Congresso:

Entre 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

A mudança começa na visão das cidades

10/09/2015

Especialistas durante o painel que debateu o planejamento estratégico das cidades (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Especialistas durante o painel que debateu o planejamento estratégico das cidades (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Como as cidades podem desenvolver um planejamento estratégico para o futuro e deixar às pessoas um legado que transcenda os diferentes mandatos? Para responder essa pergunta, a sessão “A importância de ter uma visão de cidade” reuniu esta manhã no Teatro de Câmara da Cidade das Artes um time de especialistas: Andrew Steer, Presidente e CEO do WRI; Judith Pollock, Vice-diretora da Shell Foundation; Rodrigo Rosa, Assessor Especial da Prefeitura do Rio de Janeiro na C40; Nina Lualdi, Diretora de Iniciativas Transformacionais e Investimentos Estratégicos da Cisco no Brasil; Ciro Biderman, Chefe de Gabinete da SPTRANS; e Sérgio Duarte, Diretor da FIRJAN.

Com a moderação de Ana Nassar, Gerente de Políticas do ITDP Brasil, os participantes debateram os possíveis caminhos que podem ser trilhados pelas cidades brasileiras rumo a um futuro planejado e de desenvolvimento sustentável. Tópicos como o processo de construção da visão, o que fazer para que as medidas tomadas se perpetuem em longo prazo e formas de mensurar e monitorar as metas estabelecidas nortearam uma discussão rica em referências e troca de conhecimento.

Onde se está, aonde se almeja chegar e o que é necessário para atingir os objetivos são questões que gestores e tomadores de decisão devem ter em mente quando assunto é planejar para o futuro. Assim pensa Andrew Steer, Presidente do WRI, e primeiro a falar na sessão. Na concepção de Andrew, a construção da visão de cidade é o primeiro e essencial passo a ser dado: “A visão é necessária porque ela motiva as mudanças. A visão de uma cidade é a primeira responsável pelas mudanças nessa cidade. Mas além da visão, é preciso planejamento de ações integradas entre as diferentes instâncias da administração municipal”.

Andrew Steer, Judith Pollock e Rodrigo Rosa na conversa sobre como deixar para as cidades um legado que transcenda mandatos (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Andrew Steer, Judith Pollock e Rodrigo Rosa na conversa sobre como deixar para as cidades um legado que transcenda mandatos (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Ciro Biderman falou sobre a importância do comprometimento dos prefeitos com a visão de cidade (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Ciro Biderman falou sobre a importância do comprometimento dos prefeitos com a visão de cidade (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Para que a visão prospere e se transforme em mudanças sentidas na prática pela população, porém, um elemento é fundamental: a liderança e o comprometimento do prefeito ou prefeita. No caso de São Paulo, conforme conta Ciro Biderman, representante da prefeitura no evento, foi o que fez toda a diferença: “No caso da nossa cidade, foi essencial ter um prefeito passando sua visão para os secretários e demais integrantes da equipe. Dividindo suas metas com a população e estabelecendo estratégias. A mudança do carrocentrismo é lenta, e provavelmente ainda vai demorar, mas é preciso persegui-la sempre, e é o que estamos fazendo”.

Ações alinhadas com estratégias estabelecidas a partir de uma visão de cidade são essenciais para o desenvolvimento sustentável das cidades. Essa cultura de planejamento e gestão, característica do setor privado, se integrada à administração municipal, pode beneficiar pessoas e cidades ao estabelecer uma continuidade administrativa capaz de transcender mandatos. Sérgio Duarte, ao compartilhar um pouco de sua experiência na FIRJAN, confirma essa premissa: “O planejamento estratégico de longo prazo é fundamental para o sucesso. Mas muitas vezes faltam ferramentas para os gestores públicos; e esse é um aspecto em que a indústria pode ajudar as cidades. Oferecendo índices e dados que podem orientar no processo de planejamento e construção da visão que vai nortear as ações. A troca de experiências entre o setores público e privado é uma grande oportunidade para ambos os lados”.

O planejamento é a chave para o desenvolvimento das cidades. Visando a um futuro mais próspero e sustentável, são as ações estratégicas, previamente pensadas e posteriormente bem executadas, que movem o crescimento dos centros urbanos: “Às vezes pensamos em uma visão que parece impossível, loucura, mas no momento em que se começa a trabalhar para atingi-la ela passa a se mostrar viável. Assim começam as mudanças. Sem estabelecer metas – qual é sua visão e seu objetivo –, não se chega a lugar nenhum. O caminho começa com a visão, e depois disso é extremamente importante planejar e executar”, comenta Nina Lualdi.

Nina Lualdi: é preciso estabelecer uma meta e agir para concretizá-la (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Nina Lualdi: é preciso estabelecer uma meta e agir para concretizá-la (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Rodrigo Rosa, reforçando a mensagem de seus colegas, atenta também para outro pilar do sucesso da visão de cidade: o apoio da população. “Uma cidade vale pela solidez do conjunto de valores que tem, e o planejamento é o que vai concretizar esses valores. Mas, para que tudo isso seja possível, o confiança e a participação das pessoas são fundamentais. O engajamento da população com a visão da cidade é um dos pilares para o sucesso”, afirma.

E o que é possível fazer para engajar a população – para mostrar as pessoas o que a cidade deseja e contar com o suporte e participação popular na tomada de decisões? Judith Pollock traz uma resposta simples e direta: “Atingir transformações é um desafio, e se você, como líder municipal, não tiver todos embarcados nessa jornada com você, a mudança será muito mais difícil. A visão de cidade – alinhada com a população – é o que vai impulsionar essa mudança”. Na síntese da moderadora Ana Nasser: “Estamos falando de conquistar corações e mentes a partir de uma visão de cidade que engaje as pessoas e transforme as cidades”.

 

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Entre 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

O futuro é agora

10/09/2015

(Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

A grande maioria da população ainda pensa no futuro do passado. No futuro dos Jetsons, no futuro ainda com o carro. “A gente vai ter que começar a voar se quisermos manter todo mundo no sistema individual”, comentou Clarisse Linke, Diretora Executiva do ITDP Brasil. A taxação do uso do carro, por meio de cobrança de pedágios e estacionamento, pode ser uma alternativa para mudar essa tendência de apego ao carro. A sessão “O futuro da mobilidade urbana no Brasil” que aconteceu hoje pela manhã no Congresso Internacional Cidades & Transportes apontou alguns caminhos para melhorar a mobilidade.

Vivemos em cidades com uma taxa de motorização similar às cidades europeias na década de 80. No Brasil ainda não há nenhum município com transporte coletivo equivalente ao transporte das cidades do mundo desenvolvido, com abrangência e qualidade.  “Precisamos construir o futuro olhando para o presente. A solução é destinar o espaço para quem transporta mais gente. Com o poder da tinta e da lei é possível organizar as cidades’”, comentou Luis Antonio Lindau, diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.  Berlin, por exemplo, tem algumas vias com duas faixas para ônibus e táxi e apenas uma para os carros.

Cidades de todo o mundo podem fornecer boas ideias. Mas nem todas inovações podem ser replicadas exatamente como foram implementadas nas suas cidades de origem. “Muitas soluções podem ser tropicalizadas e funcionar nas cidades brasileiras, basta fazer alguns ajustes, conhecer e analisar a realidade local e ter flexibilidade e criatividade para fazer adaptações”, disse Holger Dalkmann, Diretor de Estratégia e Políticas do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis. O ideal é que a cidade tenha várias opções de transporte e que o usuário possa escolher como se deslocar.

(Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentável) (Foto: Luke Garcia/WRI Brasil Cidades Sustentável)

Soluções existem, mas o governo sempre precisa de um empurrãozinho para tomar uma decisão e investir na melhoria da mobilidade da cidade. “O poder público não é ativo, é reativo, com alguns momentos de proatividade”, disse Dario Lopes, Secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades. A partir de 2016, as cidades poderão receber investimentos do governo federal para transporte não motorizado. O Secretário aproveita e dá também um recado para as cidades. “Avancem com seus planos de mobilidade e procurem um parlamentar para garantir orçamento para o transporte não motorizado. Uma outra forma de melhorar a mobilidade é fazer pressão. “Se a sociedade não pressiona, nada anda. É preciso pressionar e essa pressão precisa ser constante em busca da racionalização do transporte público”, reforça Dario.

A participação dos cidadãos é fundamental na construção de uma cidade mais inclusiva. E a Política Nacional de Mobilidade prevê isso. O desafio futuro é como engajar a população nesta discussão. As formas de participação disponibilizadas pelo poder pública envelheceram. As novas tecnologias possibilitam uma ampla gama de formas de participação direta. “É preciso muita ousadia e desejo do poder público para envolver as pessoas. E chegou a hora disso acontecer”, finalizou Clarisse Linke.

'Prefeitos, não esperem os governos'

10/09/2015

Ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone, em palestra de abertura do Congresso. Ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone, em palestra de abertura do Congresso.  

Um dia depois de trocar experiências com gestores municipais de várias partes do mundo na Cúpula de Prefeitos, o ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone, voltou ao auditório principal da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Ele abriu, nesta quinta-feira (10), o Congresso Internacional Cidades & Transportes com uma palestra que já inspira pelo nome: "O poder das cidades". E provocou: "Prefeitos, não esperem os governos. Vocês devem liderar os esforços para conseguir investimentos, para fazer com que as cidades sejam mais modernas e atraentes para os negócios", disse, acrescentando: "Os prefeitos podem começar o processo contra as mudanças climáticas".   

Foi o que ele fez em Londres: agiu. Assim que assumiu a prefeitura, em 2000, os empresários da cidade bateram à sua porta com um ultimato. Se ele não resolvesse os problemas de mobilidade urbana, iriam embora dali. "Nossas ruas estavam congestionadas, não tínhamos investido em transporte público e mais e mais gente estava usando carros. As pessoas não conseguiam andar, chegar a tempo em seus compromissos", recordou.

Livingstone resolveu atacar o problema por duas frentes. De um lado, tornou o sistema de transporte público mais atraente, modernizando a frota de ônibus e tornando-a mais eficiente. De outro, seguiu uma iniciativa que Cingapura havia adotado em 1975, cobrando uma espécie de pedágio urbano para os carros que circulassem em determinadas regiões.

Após uma chuva inicial de críticas, o resultado começou a aparecer:  nos últimos 15 anos, houve um aumento de 50% no uso de transporte coletivo em Londres. As empresas não só deixaram para trás a ideia de ir embora, como outras companhias chegaram para apostar no mercado local. "Somos a única cidade da Europa que coincide com as cidades americanas em termos de competitividade", comemorou. "Fizemos com que o setor privado pudesse explorar as oportunidades criadas por uma melhor mobilidade".

Ao perceber que estava caminhando na rota certa, o ex-prefeito continuou indo atrás de investimentos. Em seu mandato, conseguiu bilhões de libras do governo federal para aplicar na melhoria do sistema de transporte. Ampliou a linha ferroviária, tornando-a muito mais popular, e convenceu o governo a tirar do papel uma linha de metrô que estava engavetada desde a década de 1960. "Os políticos não podem ficar adiando essas decisões. É necessário conseguir esses investimentos, que são tão importantes para as cidades", disse. "Veja Pequim: em 15 anos, criaram um sistema de metrô maior que o de Londres. É isso que cidades como o Rio de Janeiro e outras no mundo precisam buscar".

Livingstone também lembrou que a mudança de paradigma na mobilidade urbana faz bem à saúde. "Se as pessoas deixarem de usar carro vamos melhorar a qualidade do ar. Nove mil pessoas estão morrendo em Londres por causa da poluição. Ter três vezes a taxa de óbito que tivemos em 11 de setembro é uma coisa inaceitável", criticou.

As melhorias, ele apontou, têm reflexo na vida da população.  "Ao modernizar o sistema de transporte, a vida melhora. Tenho 70 anos, vivi sempre em Londres e nunca aprendi a dirigir. Quando era prefeito, usava metrô e ônibus: a cada dia tinha meia hora para ler quando ia trabalhar. Quando não estou dirigindo posso usar esse tempo para fazer algo produtivo”, sugeriu.

E frisou que as transformações são necessárias não só para esta, mas para as gerações que estão por vir. “Fazer com que as pessoas usem transporte público é tão importante quanto fazer nossos prédios eficientes em termos de energia", comparou. E fechou sua palestra convocando mais uma vez os prefeitos a agirem. "Não vamos esperar os governos. Reduzam as emissões de carbono. Vamos dar aos nossos filhos e netos a qualidade de vida que eles não têm a chance de alcançar se não for através de nossos esforços".

 

A EMBARQ Brasil agora é o WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

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Cidades Acessíveis: educar para desenvolver cidadania

10/09/2015

A discussão em torno de como abolir as dificuldades em torno da mobilidade urbana no Brasil e como ultrapassar as barreiras para que a lei de acesso à mobilidade e acessibilidade seja cumprida pautou o debate entre os convidados.

Palestrantes discutem as barreiras para se construir cidades acessíveis no painel 'O Direito a Uma Cidade Acessível' (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Palestrantes discutem as barreiras para se construir cidades acessíveis no painel 'O Direito a Uma Cidade Acessível' (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

O desafio de uma cidade inclusiva passa, de antemão, pela compreensão do conceito de acessibilidade e a mudança do olhar sobre a questão. “Acessibilidade é mais do que o desenho urbano. Cidade acessível é aquela em que todas as pessoas podem viver, onde homens e mulheres têm os mesmos direitos, onde os idosos têm espaço como cidadãos ativos. Ainda falta a sociedade acreditar que a acessibilidade é um direito básico”, afirmou Paula Santos Rocha, Coordenadora de Projetos de Transporte e Acessibilidade do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

No Brasil, alguns fatores indicam a urgência em se pensar o portador de necessidades especiais de maneira cada vez mais abrangente. O primeiro deles diz respeito ao aumento do número de indenizações pagas por invalidez permanente, que passou de 66% para 72% e depois para 76% nos últimos anos, apontando um crescimento considerável na quantidade de pessoas com baixa mobilidade no país, segundo Paulo Fraga, Diretor de Marketing e Comunicação da FETRANSPOR e moderador da discussão. O outro ponto é referente ao aumento da expectativa de vida, uma vez que a chegada à terceira idade implica no surgimento de dificuldades locomotoras e na diminuição da mobilidade mesmo para quem viveu com perfeitas condições de deslocamento.

O Deputado Federal Hugo Leal aposta na mudança de olhar sobre portadores de deficiência (Foto Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis) O Deputado Federal Hugo Leal aposta na mudança de olhar sobre portadores de deficiência (Foto Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

A transformação da percepção na maneira de enxergar deficientes como pessoas diferentes e tratá-los como a exceção da sociedade esbarra na questão da discriminação. “Não podemos pensar na exceção e sim na regra. Todos os ambientes deveriam ser acessíveis. Um exemplo são os 3% de unidades habitacionais acessíveis previstos pela legislação que, na verdade, deveriam ser 90%. Mais cedo ou mais tarde, todos nós teremos baixa mobilidade. Todas as vezes que tratamos aqueles que necessitam de acessibilidade como exceção, estamos novamente discriminando”, pontou o Deputado Federal Hugo Leal.

A despeito de uma legislação elaborada e de um índice de 24% da população sendo portadora de deficiência, segundo o censo de 2010, o Brasil ainda não possui nenhuma cidade plenamente acessível. O prazo para o cumprimento do Decreto nº 5.296, que deu dez anos para que todas as cidades oferecessem plenas condições de mobilidade para cidadãos com dificuldade de locomoção, venceu em 2014.

Diante desses fatores, a discussão acerca de uma educação consciente e inclusiva para desenvolver a cidadania plena no país é fundamental. “O não cumprimento das leis precisa ser encarado como inaceitável. As crianças, desde o sistema de educação, precisa pensar que não é aceitável tratar a pessoa diferente de maneira diferente”, destacou Robin King, Diretora de Desenvolvimento Urbano do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis.

Robin King, do WRI, apresentou publicalçao 'Cities Safer by Design'. (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Robin King, do WRI, apresentou publicalçao 'Cities Safer by Design'. (Foto: Benoit Colin/ WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Luiz Cláudio Carvalho de Almeida, Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Idoso e à Pessoa com Deficiência do Ministério Público do Rio de Janeiro, reiterou a importância da educação e da participação popular como motor para impulsionar as ações do poder executivo: “O governante também reflete o que a sociedade pensa. Ele age de acordo com a pressão que ele recebe. A sociedade somos nós. E a mudança do cenário está na educação inclusiva. Se você identifica o outro como alguém que é você, a coisa muda”, garantiu ele.

Por outro lado, pensar no cumprimento da lei apenas como uma questão do executivo não é o suficiente para Manfred Breithaupt, Gerente de Transportes Sênior da GIZ. Segundo ele, é preciso pensar na viabilização da mudança a partir dos investimentos financeiros. “Há apenas uma forma de colocar a legislação na prática: a maioria das cidades precisam ter financiamento aliado ao planejamento. Se não há planejamento, os investidores não deveriam dar a contribuição deles”, colocou, encerrando o painel.

Por Elis Bartonelli.

Secretário e dirigentes de transporte reúnem-se durante Congresso Cidades & Transportes no Rio

10/09/2015

Secretários e Dirigentes acompanham as apresentações no Fórum Nacional. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil) Secretários e Dirigentes acompanham as apresentações no Fórum Nacional. (Foto: Luke Garcia / WRI Brasil)

Secretários Municipais de Transporte e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana se reuniram, nesta manhã (10), durante o Congresso Internacional Cidades & Transportes (CTBR) 2015, para definir temas a serem tratados nos próximos meses e mostrar exemplos de sucesso de suas cidades. Veja a Proposta Temática Preliminar da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), organizadora do encontro.

Ao todo, 20 cidades brasileiras, como Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Mangaratiba e Angra dos Reis (RJ), Fortaleza (CE) e Belém (PA), tiveram seus representantes na Reunião Extraordinária do Fórum Nacional de Secretários Municipais de Transporte e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana.

Roberto Gregório da Silva Jr., Presidente da URBS de Curitiba/PR e do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, explicou o objetivo da reunião, que também discutiu os temas que serão tratados nos próximos meses, até o final do ano que vem.

(Roberto Gregório da Silva Jr., Presidente da URBS de Curitiba/PR / Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Roberto Gregório da Silva Jr., Presidente da URBS de Curitiba/PR / Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

"Este encontro serve para estreitar as relações com a Frente Nacional de Prefeitos e criar um canal, um grupo de discussão exclusivo, no qual os temas serão debatidos a cada duas semanas, permitindo que todos aqueles que tiverem condições e interesse, apresentem as suas contribuições e a gente vá sistematizando e tirando resultados concretos", garantiu Gregório.

O Secretário Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Dario Lopes, trouxe novidades e prazos sobre os planos de mobilidade de todo o País. Segundo ele, 3.326 municípios brasileiros precisam implementar um plano de mobilidade.

"Temos duas equipes na secretaria que fazem workshops em cidades pequenas, no sentido de orientá-las para a elaboração dos planos de mobilidade", afirmou Lopes.

O presidente da BH Trans, Ramon Vitor Cesar, falou sobre a 'Atuação da Guarda Municipal nas Atividades de Trânsito'. Além de pontuar os sucessos em redução de mortes no trânsito e as operações em conjunto com outros órgãos, como a Polícia Militar, ele contou um pouco da história da criação da Guarda Municipal em Belo Horizonte, que iniciou seus trabalhos em agosto de 2008.

(Presidente da BH Trans, Ramon Vitor Cesar / Foto: Luke Garcia / WRI Cidades Sustentáveis) (Presidente da BH Trans, Ramon Vitor Cesar / Foto: Luke Garcia / WRI Cidades Sustentáveis)

"Devido aos eventos e o lazer, temos operações intensas nos fins de semana. Para programar nossas ações, nos reunimos duas vezes por semana e ainda realizamos operações conjuntas, como a Lei Seca e a Fiscalização de Áreas com Bares e Restaurantes. Entre 2011 e 2013, conseguimos reduzir em 69% o número de mortes por acidentes de trânsito, levando em consideração os 30 dias seguidos do acidente. Com isso, 107 vidas foram salvas. Neste mesmo período, conseguimos aumentar os intervalos sem registro de morte: em 2011 eram seis dias, no ano seguinte aumentou para 9 e em 2013 eram dez. Ainda estamos calculando os números do ano passado", detalhou Ramon.

Prefeito de BH e Presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Marcio Lacerda, falou da importância de manter e aprofundar esse tipo de encontro. 

"Estamos conseguindo encaminhar pautas no Congresso, naturalmente selecionando-as. É importante que os fóruns encaminhem as questões para nós e nos dêem oportunidade de ajudar e tentar mobilizar parlamentares e executivos", pediu Lacerda.

(Vanderlei Luiz Cappellari, Presidente da EPTC/ Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) (Vanderlei Luiz Cappellari, Presidente da EPTC/ Foto: Luke Garcia / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Vanderlei Luiz Cappellari, Presidente da EPTC de Porto Alegre (RS), trouxe para o encontro assuntos relacionados à Sustentabilidade Financeira das Empresas Gestoras do Transporte e Trânsito. 

"Estamos trabalhando muito na questão das concessões que a secretaria e a prefeitura fazem em relação a qualquer serviço público. Trabalhando na questão de ter uma receita para a empresa. Tivemos agora um projeto importante, que é o rastreamento da frota de táxis da cidade. Se criou uma taxa de gestão desse serviço. Hoje, os quatro mil táxis da cidade têm sistema de rastreamento de gestão e o permissionário paga uma taxa, em torno de R$ 80 por mês. Só neste ano, na taxa vai dar R$ 2,5 milhões. Estamos quase chegando na metade do orçamento da empresa com uma fonte de receita. Em 2020, provavelmente estaremos atingindo 97% a 98% do orçamento necessário", explicou Cappellari.

Oficina de capacitação debate medidas para qualificar a acessibilidade e a segurança do transporte ativo

09/09/2015

Cerca de 50 participantes acompanharam o debate sobre as condições necessárias para o uso da bicicleta como meio de transporte e o que as cidades podem fazer para promovê-lo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Cerca de 50 participantes acompanharam o debate sobre as condições necessárias para o uso da bicicleta como meio de transporte e o que as cidades podem fazer para promovê-lo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Dando início às atividades que fazem parte da programação do Congresso Internacional Cidades & Transportes, a Oficina Giz de Capacitação reuniu esta manhã profissionais de diferentes cidades e setores, interessados em aprender mais sobre como garantir segurança para os ciclistas a partir da infraestrutura urbana. A oficina foi coordenada por Manfred Breithaupt, Assessor de Transportes Sênior da GIZ, e contou com a participação de Zé Lobo, fundador da ONG Transporte Ativo; e Warner Vonk, cofundador da Buus.

O crescente número de carros nas ruas prejudica a qualidade de vida e causa prejuízos sociais, ambientais e econômicos. Cidades em todo o mundo sofrem com as elevadas taxas de motorização – em São Paulo, por exemplo, campeã entre as brasileiras, existem 465 carros para cada mil habitantes. Para mudar esse paradigma, é preciso promover uma distribuição mais igualitária do espaço viário e, principalmente, investir em transporte coletivo e não motorizado: “Os veículos ocupam espaços que poderiam ser destinados a pedestres, ciclistas, modais coletivos e mais sustentáveis. Nós sabemos muito bem o que influencia positivamente a vida nas cidades: transporte coletivo de qualidade, infraestrutura abrangente, acessibilidade, espaços públicos. Precisamos enfrentar o problema com comprometimento”, observou Breithhaupt.

MANFRED BREITHAUPT, COORDENADOR DA OFICINA (FOTO: SERGIO TRENTINI/WRI BRASIL CIDADES SUSTENTÁVEIS) MANFRED BREITHAUPT, COORDENADOR DA OFICINA (FOTO: SERGIO TRENTINI/WRI BRASIL CIDADES SUSTENTÁVEIS)

Uma cidade que mova pessoas, não veículos: especialista holandês da área de transporte urbano sustentável, Warner Vonk frisou a importância de se refletir sobre o uso do carro – de atentar para um uso que, sendo muitas vezes irracional, torna-se tão prejudicial para a qualidade de vida nas cidades. Conforme Vonk, é possível qualificar a mobilidade nas áreas urbanas investindo em alguns pontos-chave: “Planejamento participativo, para envolver a população; gestão de demanda de viagens, para racionalizar o uso do automóvel; e desenho urbano, para qualificar a infraestrutura e a acessibilidade do transporte não motorizado, estão entre as principais medidas que as cidades podem adotar. Sabemos que não é fácil, mas a troca de experiências e conhecimento é um grande passo que podemos dar rumo a uma mobilidade mais igualitária e sustentável”.

Warner Vonk (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Warner Vonk (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Redistribuir o espaço público e redesenhar o sistema viário são condições essenciais para qualificar a mobilidade por bicicleta e efetivamente fazer deste um meio de transporte seguro e viável. Convidando os participantes da oficina a pensar mais atentamente no que a bicicleta representa para as cidades, Zé Lobo apresentou um panorama do modal no Brasil, quarto maior produtor mundial. O especialista atentou para os reflexos do uso da bicicleta na vida urbana: “Nos últimos dez anos, o número de fabricantes de bicicletas no Brasil aumentou 35%. E tanto o uso quanto a infraestrutura cicloviária vêm crescendo também, o que gera impactos positivos para a mobilidade e para o dia a dia nas áreas urbanas. Hoje as bicicletas fazem parte do cenário das cidades. As cidades que investiram em infraestrutura cicloviária são as cidades que viram aumentar a segurança, a saúde e a qualidade de vida”.

Zé Lobo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Zé Lobo (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Ao longo da oficina, os participantes discutiram maneiras de transformar o ambiente urbano, a fim de torná-lo de fato seguro e acessível para pedestres e ciclistas. Experiências nacionais e internacionais abordadas mostram que os caminhos são múltiplos e se complementam. “Não existe uma receita pronta. Por isso o diálogo é sempre tão importante; essencial para chegarmos aonde queremos em termos de cidades mais acessíveis. A convivência harmoniosa entre os modais é possível”, garante Vonk. Distribuição equilibrada do espaço viário, desenho urbano com prioridade aos modais não motorizados, criação de espaços públicos, oferta de uma rede de transportes integrada – juntos, todos são elementos que garantem segurança e acessibilidade e, assim, contribuem para fazer das cidades lugares melhores para as pessoas.

Grupo de participantes da oficina, na Cidade das Artes (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Grupo de participantes da oficina, na Cidade das Artes (Foto: Luísa Schardong/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Sobre os organizadores

GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit, Sociedade Alemã de Cooperação Internacional) é uma organização que atua em diversas partes do mundo oferecendo serviços no setor de cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável. Um deles é o projeto SUTP – Sustainable Urban Transport Project (em português, Projeto de Transporte Urbano Sustentável) foi criado para ajudar cidades em desenvolvimento a alcançarem suas metas de transporte sustentável e, para isso, atua por meio da disseminação de informações a respeito de boas práticas e experiências internacionais de sucesso, orientação política, treinamento e capacitação. O projeto já realizou mais de 140 cursos em cidades da Ásia, da África e da América Latina.

 

Acompanhe:

Nos dias 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

Oficina Solutions apresenta soluções de mobilidade urbana inovadoras

09/09/2015

(Fotos: Luísa Schardong / WRI Cidades Sustentáveis) (Fotos: Luísa Schardong / WRI Cidades Sustentáveis)

A intenção do projeto de conectar as cidades é fazer com que o cenário seja de compreensão mútua, para que os pares entendam os problemas relacionados e possam resolve-los de maneira eficiente.  É preciso identificar as diferenças entre as cidades, governos e prefeitos, ainda assim algumas das diretrizes de análise dos projetos permanecem iguais: congestionamento, acesso, qualidade do ar, segurança, eficiência econômica, segurança energética, meio ambiente.

Ao fim de sua exposição, Oliver enfatizou a importância de pensar a logística urbana e criar laços empáticos com os outros membros da sociedade civil, de políticos a vizinhos. Apenas assim, as trocas de informação podem continuar acontecendo para o crescimento conjunto.

Inovação e eficiência

Michael Glotz Richter, gerente de transportes da cidade de Bremen, na Alemanha, apresentou formas de construir uma cidade inovadora que seja ao mesmo tempo eficiente e orientada para o transporte não motorizado. “Para isso é preciso fazer com que o processo se inicie durante o processo de aprendizado escolar, ainda no ensino básico”, disse. Tais políticas acabam resultando nos hábitos dos mais de meio milhão de moradores da cidade alemã, onde 25% dos deslocamentos são feitos de bicicleta.

O gestor público alemão asseverou como possuir uma bicicleta é benéfico desde a saúde até a economia local. Além da iniciativa de apoio às bicicletas, a cidade de Bremen é a única da Europa com uma estratégia ambiciosa para substituir a posse do carro por um compreensivo serviço de car-share. Atualmente, 60 estações estão espalhadas pela cidade e a previsão é que haja 80 delas até o fim de 2015. “Quando preciso de um carro, tenho um a minha disposição, então eu pago para ter ele por algumas horas. Isso, sim, é conveniência”, disse Michael, ao apontar os dados do sistema de car-sharing no painel: cada carro disponibilizado no sistema de car-share substitui 11 carros privados.

Durante sua apresentação, Michael sinalizou como o projeto SOLUTIONS proporcionou a troca de experiências entre Bremen, na Alemanha, e Belo Horizonte, Minas Gerais. Convidou, por fim, todos os participantes da oficina para participar da 3ª Conferência Europeia sobre os planos de mobilidade urbana sustentável que acontecerá em Bremen nos dias 12 e 13 de abril de 2016.

Transporte: um tema político

“Fazer transformação sem vontade política é muito difícil. Transporte é um tema político. Os técnicos apontam as soluções, mas as decisões acabam sendo sempre políticas”, asseverou Adriana Lobo, Diretora Presidente da EMBARQ México, ao apresentar seu painel sobre os rumos necessários para obtermos melhores sistemas de transportes integrados.

Na América Latina continuamos vendo o desenvolvimento urbano através da priorização de vias para automóveis. Para planejar isso de melhor maneira é preciso ter visão de largo prazo. “Em alguns lugares do México, o transporte público chega a ser de 14% do total e, infelizmente, esse baixo número não acontece por substituição por bicicletas ou caminhadas, mas por mais carros particulares”, destacou a palestrante.

Para mudar isso, segundo Adriana, é preciso trabalhar ponto a ponto, mas sem deixar de ter uma ideia de figura final a ser obtida para não perder a visão de conjunto da integração. “Para isso, é preciso priorizar a otimização da infraestrutura, pois as vias públicas dão estrutura para o corpo da cidade e acabam definindo como ela vai se conectar”.

O espaço viário é restrito e tem cada vez mais atores e veículos para dividir o mesmo espaço, portanto, não parece mais recurso infinito como parecia quando as cidades começaram a ser construídas. Isso obriga que pensemos melhor o uso desses espaços, de maneiras mais sociais e compartilhadas. “Quando vemos que mais de 40% dos mortos são pedestres, sabemos que isso é preciso mudar e repensar o funcionamento de nossas cidades”, asseverou.

Os sistemas de bicicleta, integração tarifária e a tecnologia com seu caráter inovador de criar possibilidades de serviço podem alterar a realidade das cidades. Por fim, em sua exposição, Adriana Lobo destacou a importância da imagem que passamos do transporte público. “É primordial, pois é preciso mostrar a qualidade desse produto, a comunicação direta com a população é extremamente necessária”

Tecnologia deve ser apoio, não solução

A quarta palestrante da oficina, Suzanne Hoadley, Senior Manager da Polis Network, apresentou alguns sistemas em que tecnologias podem ajudar a alterar a realidade das cidades. “Ainda assim, o fator tecnológico não pode ser considerado como o único salvador, pois as obrigações com a qualidade do ar, saúde dos cidadãos, estradas mais seguras, a promoção de diferentes modais e o controle de tráfego precisam continuar sendo prioridades”, afirmou.

Após, Suzanne, apontou alguns motivos para os quais sistemas tecnológicos podem promover melhorias para as cidades.  Uma das tecnologias apresentadas foi o Pedestrian Scoot, um sensor que calcula o número de pessoas esperando para atravessar e, de acordo com a quantidade detectada, o equipamento prolonga o tempo para que mais pessoas atravessem. Ou seja, ele oferece mais eficiência e otimização nas viagens a pé. Iniciativa que faz parte dos esforços de Londres para reduzir em 40% o número de pedestres mortos ou feridos até 2020.

Ressaltou também os aplicativos para ciclistas que reforçam a rede de pessoas que utilizam esse modal. “Iniciativas como essa fornecem dados sobre os tipos de rotas que os ciclistas vão enfrentar, entretanto, tais dados abertos, se utilizados de maneira apropriada pelos governos, pode resultar em melhores cidades para todos”

Por fim, ressaltou a como dados abertos e colaborativos podem ajudar os tomadores de decisão, pois assim são abastecidos com informações e ferramentas necessárias para tornar a mobilidade sustentável uma realidade.

Saiba mais sobre o Projeto Solutions

Projeto SOLUTIONS (Sharing Opportunities for Low Carbon Urban Transportation) é uma iniciativa da União Europeia que reúne 23 organizações, 20 cidades com assistência direta e indireta, e mais de 70 especialistas no desenvolvimento e implementação de uma agenda de cooperação global por soluções de baixa emissão de carbono em transporte público, infraestrutura de transportes, logística urbana, planos de mobilidade urbana, gestão das redes de mobilidade urbana e veículos não poluentes.

A intenção do programa é facilitar o diálogo e intercâmbio de iniciativas de mobilidade sustentáveis, promoção de políticas públicas de sucesso, fornecendo orientação e aconselhamento personalizado para os representantes municipais.

Acompanhe o Congresso:

Entre 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

WRI lança programa de Cidades Sustentáveis no país

09/09/2015

  Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, durante o lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis no Brasil (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, durante o lançamento do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis no Brasil (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Ao completar 10 anos, o WRI Brasil | EMBARQ Brasil torna-se o WRI Brasil Cidades Sustentáveis. O objetivo é ir além da atuação em transportes para atingir resultados ainda mais transformadores em áreas urbanas de todo o país. O lançamento oficial da nova marca foi feito por Andrew Steer, Presidente do WRI - World Resources Institute, ao lado do Diretor do programa no Brasil, Luis Antonio Lindau; do Diretor do programa global, Ani Dasgupta; e da Diretora do WRI Brasil, Rachel Biderman.

O anúncio ocorreu esta tarde, durante a abertura da Cúpula de Prefeitos, no Rio, na presença do prefeito anfitrião Eduardo Paes, e dos ex-prefeitos integrantes da Cúpula: Jaime Lerner (Curitiba), Ken Livingstone (Londres), Mary Jane Ortega (San Fernando); Enrique Peñalosa (Bogotá) e Sam Adams (Portland). Os líderes internacionais vieram ao Rio compartilhar suas experiências de sucesso com centenas de gestores municipais do Brasil e do mundo. Assista ao vivo.

Andrew Steer, Presidente e CEO do WRI, deu início à apresentação do novo programa: “Temos aqui hoje alguns dos líderes que fazem parte da revolução das cidades. Nessa ocasião, reafirmamos e consolidamos nosso trabalho na construção de cidades mais sustentáveis”.

O que começou como um trabalho em mobilidade urbana é agora o WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, o programa global de cidades do WRI – World Resources Institute.  Localmente, o WRI Brasil Cidades Sustentáveis. “É difícil sintetizar em poucas palavras o trabalho de dez anos. Trabalhamos muito. Agora, é a hora de seguir em frente e mudar –para melhor. Seguiremos na busca de soluções para cidades melhores e mais sustentáveis”, declarou Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Prefeito do Rio de Janeiro e anfitrião do evento, Eduardo Paes recepcionou a todos com uma mensagem-chave para este momento de mudanças: “As cidades são a chave no combate às mudanças climáticas e na busca por um mundo resiliente. É uma honra receber esse encontro na nossa cidade, e quero aproveitar a oportunidade e convidar a todos para se juntarem a nós e mudar a realidade das cidades”.

Ani Dasgupta, Diretor do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, falou sobre as expectativas e objetivos do trabalho do novo programa: “Nossa missão é muito simples: ajudar as cidades a atingirem um maior nível de sustentabilidade através de planejamento e eficiência. É isso que vamos buscar com o WRI Cidades. Esperamos moldar o debate global, ouvindo a todos e construindo redes de cidades”.

 

WRI Brasil | EMBARQ Brasil é agora WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Nos últimos 10 anos, o WRI Brasil | EMBARQ Brasil ajudou a construir marcos definitivos para a mobilidade urbana e a qualidade de vida no país. Surgimos como o programa de transporte sustentável do WRI. Com a força do nosso trabalho, prestamos auxílio de alto nível técnico para a concretização de sistemas de transporte urbano por ônibus de alta capacidade em Brasília, Rio e Belo Horizonte. Hoje, nestas capitais, 1,5 milhão de pessoas se deslocam com mais rapidez e qualidade todos os dias.

Desenvolvemos ações, ferramentas e publicações que estão ajudando os municípios a executarem planos de mobilidade sustentáveis e conectados às necessidades das pessoas. Construímos pontes com parceiros estratégicos, como o Ministério das Cidades, que elevaram o alcance do nosso trabalho e nos fizeram ir mais longe.

Os projetos de impacto real estão no nosso DNA.

Trabalhamos por cidades melhores. Afinal, elas já são o lar de 85% da população brasileira –um panorama que apresenta desafios e oportunidades sem precedentes para o crescimento econômico sustentável e inclusivo. Movido por este propósito, o WRI agora expande as áreas de atuação no país e o WRI Brasil | EMBARQ Brasil passa a fazer parte de um todo bem maior.

O WRI atua há mais de 30 anos como uma instituição internacional de pesquisa, que transforma grandes ideias em ações que integram meio ambiente, oportunidades econômicas e bem estar humano. É formado por mais de 450 profissionais e tem escritórios no Brasil, México, Índia, China, Turquia, Indonésia, Europa e Estados Unidos.

Em um curso natural de fortalecimento, WRI e EMBARQ fundem seus aprendizados, expertises e áreas de atuação em 2015 para acompanhar a complexidade do rápido crescimento urbano. O que começou como um trabalho em mobilidade urbana é agora o WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, o programa global de cidades do WRI.  Localmente, o WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Nosso desafio extrapola os campos de transportes e desenvolvimento urbano para atingir resultados ainda mais transformadores. Temos um objetivo ousado: impulsionar a ação em 200 cidades até 2019, com foco em desenvolvimento urbano, mobilidade, água, saúde, segurança viária, energia, edificações e governança.

Somos um time de 200 profissionais, em escritórios no Brasil, México, China, Índia, Turquia e Estados Unidos e continuaremos agindo com alto embasamento técnico para transformar a vida urbana em ampla escala.

A mudança é urgente e o impacto positivo na realidade faz parte da nossa essência. Estamos mais fortalecidos para atingir a desafiadora e inspiradora missão de tornar nossas cidades lugares mais sustentáveis para milhões de pessoas.

Acompanhe a Cúpula de Prefeitos:

De prefeito para prefeito: planejamento e gestão para construir cidades mais sustentáveis e igualitárias

09/09/2015

Representantes da Cúpula discutem rumos para o futuro sustentável para as cidades. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Representantes da Cúpula discutem rumos para o futuro sustentável para as cidades. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Ken Livingstone (Londres), Jaime Lerner (Curitiba), Mary Jane Ortega (San Fernando), Enrique Peñalosa (Bogotá), Sam Adams (Portland) e o anfitrião e Prefeito do Rio, Eduardo Paes, enfrentaram cenários diferentes entre si, mas utilizaram soluções semelhantes para enfrentar a burocracia e a oposição.

Liderança, gestão e planejamento foram as diretrizes que guiaram estes líderes para transformações reais. Para que o planejamento seja traçado, porém, é necessário construir o objetivo que se deseja alcançar com clareza, comentou o moderador Andrew Steer, que lançou a questão para o debate: “quando você se tornou prefeito, qual foi a visão que idealizou para a sua cidade?”

Mesmo sob forte oposição de interesses contrários, os ex-prefeitos não desistiram. “O mais importante é ter em mente que a sua visão não pode ser imposta aos seus cidadãos e sim fazer com os seus cidadãos construam a visão junto com você”, declarou Mary Jane Ortega, eleita três vezes prefeita de San Fernando. Pelo trabalho de empoderamento de mulheres e pela estratégia de desenvolvimento da cidade, recebeu um prêmio da Organizações das Nações Unidas. “Em San Fernando, mapeamos que as pessoas gostariam de viver em uma cidade mais saudável, com pessoas saudáveis mental, espiritual e fisicamente”, explicou Mary Jane.

Mary Jane Ortega e Ken Livingstone durante debates dessa tarde no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Mary Jane Ortega e Ken Livingstone durante debates dessa tarde no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Eduardo Paes tem a importante missão de construir um dos maiores legados públicos que a cidade do Rio já teve, com a realização dos Jogos Olímpicos. “Diria que a renovação do Porto Maravilha é um símbolo do que queremos para nossa cidade: que a cidade esteja mais próxima das pessoas; que não percam muito tempo em deslocamentos e vivam mais a cidade”, declarou. Para o prefeito do Rio, um passo importante para a construção da visão comum de cidade é encontrar os pontos fracos. “Temos que ter clareza para onde queremos ir, de modo estratégico. Precisa-se definir quais são os problemas, a partir de dados, quando existem. Assim temos ideia de o que se deve lidar”, finalizou.

Com o apoio dos dados, Ken Livingsonte assumiu a prefeitura de Londres e sabia que algo urgente precisava ser feito para combater os congestionamentos da capital inglesa. Decidiu, com apoio da equipe técnica municipal, implementar o ousado programa de taxação de congestionamento (congestion charging) em áreas centrais. “Se eu não resolvesse o problema do congestionamento, sabia que Londres poderia perder seus residentes para Paris, Bruxelas ou outras capitais globais”, explicou. A oposição foi dura, mas os resultados atuais mostram que o esforço valeu a pena: a cidade garantiu um aumento de 14% mais usuários no transporte coletivo. “O congestion charging ocasionou uma grande ascensão no uso do transporte coletivo. Se eu tivesse que escolher, eu faria isso de novo”, finalizou.

 

Peñalosa inspirou prefeitos brasileiros e de outras partes do mundo na Cúpula. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Peñalosa inspirou prefeitos brasileiros e de outras partes do mundo na Cúpula. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) A ousadia acompanhou também Peñalosa. O ex-prefeito de Bogotá implantou o emblemático sistema BRT TransMilenio, que hoje transporta 2,2 milhões de pessoas por dia em 113 km de corredores de ônibus.

Também liderou uma revitalização em ampla escala de espaços públicos e parques urbanos e construiu mais de 250 km de ciclovias. “Quando você dá mais espaço para o carro do que para pessoas, você passa a mensagem que os carros são mais importantes que as próprias pessoas, e não é isso que queremos. Pela primeira vez, mudamos essa lógica. Tentamos construir uma cidade mais justa e sustentável”, explicou.

“Durante minha gestão quisemos dar mais felicidade às pessoas, mas é um conceito muito relativo, então partimos para a equidade e construir uma cidade onde todos se sintam iguais e sintam satisfação de andar nas ruas”, declarou Peñalosa.

 

 

 

 



Sam Adams, ex-prefeito de Portland. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Sam Adams, ex-prefeito de Portland. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Em Portland a transformação também foi profunda. Sam Adams foi um dos principais responsáveis por levar a cidade ao caminho sustentável durante seu mandato (2009 a 2012).

O atual Diretor da Iniciativa Climática do World Resources Institute (WRI) aprovou metas ambiciosas, claras e mensuráveis que guiaram a cidade pelo caminho de baixo carbono. “Traçamos prioridades. Focamos em educação de qualidade; passamos à prosperidade; e depois gestão e meio ambiente”, explicou ao público.

Mas para isso, foi necessário um plano de gestão municipal. “Reunimos diferentes níveis de governo para fazer reduções racionais nos gastos públicos. Sofremos forte oposição e fomos odiados por um tempo pelas mudanças que propomos”, contou Adams.

Em relação ao transporte, foram implantados 120 km de ciclovias.

 

 

 

O segundo representante brasileiro na Cúpula, Jaime Lerner, é um ícone de gestão e inovação no país e no mundo. Lerner contou ao público que ver os projetos não andarem o deixava extremamente incomodado. “Ficava realmente frustrado ao ver que as coisas não aconteciam, e comecei a pensar e estruturar uma visão muito clara do futuro com o ímpeto de cumprir o objeto pouco a pouco, passo a passo”, destacou Lerner. O ex-prefeito de Curitiba, que idealizou o BRT, salientou que sem planejamento dificilmente teria conseguido implementar na década de 70 ações que são copiadas até hoje. “Vida, trabalho e mobilidade devem andar juntos - assim como a comunicação com a população e a interlocução com a classe política”, aconselhou. Para ele, o ponto-chave é começar: “eu sempre preferi trabalhar com pessoas que assumam riscos. O importante é começar. Considero o começo como 50% do que precisa ser feito”, finalizou Lerner.

Lerner inspirou muitos lideres municipais pelo mundo. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Lerner inspirou muitos lideres municipais pelo mundo. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Os ex-prefeitos continuarão a rodada de perguntas e debates em um segundo momento desta tarde durante a Cúpula de Prefeitos.

Acompanhe a Cúpula de Prefeitos e o Congresso Internacional Cidades & Transportes:

Cúpula de Prefeitos tem início no Rio de Janeiro

09/09/2015

Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Ken Livingstone (Londres), Jaime Lerner (Curitiba), Mary Jane Ortega (San Fernando), Enrique Peñalosa (Bogotá) e Sam Adams (Portland) foram recebidos por Andrew Steer, Presidente do WRI; Ani Dasgupta, Diretor do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis; Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis. O cerimônia teve como anfitrião o prefeito Eduardo Paes e a presença do Presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Marcio Lacerda.

Steer, presidente do WRI. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Steer, presidente do WRI. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) "Temos aqui hoje uns dos lideres que fazem parte da revolução das cidades. Vamos aprender muito com eles nestes dias e com as cidades brasileiras presentes aqui. Muitas cidades brasileiras estão liderando essa revolução", afirmou Steer.

"O grande problema é que as cidades estão crescendo da forma errada. Por anos construímos nossas cidades através do automóvel, o que desencadeou em mortes no trânsito, poluição. Vamos discutir, hoje e no Congresso, formas de superar isso", declarou. 

A Cúpula de Prefeitos e o Congresso Internacional Cidades & Transportes, que acontece dias 10 e 11 de setembro, marcam os 10 anos de atuação da EMBARQ no Brasil.

Durante toda a tarde, os ex-prefeitos compartilham histórias, barreiras e vitórias que os elevaram ao patamar de líderes transformadores.

Acompanhe ao vivo!

 

 

 

 

"Este evento celebra 10 anos da EMBARQ, organização que tem sido parceria da cidade do Rio com a rede de BRT da cidade, que contará com 150 km. O investimento no transporte coletivo de alta capacidade é um dos maiores legados olímpicos que deixaremos para a cidade. Estou honrado de participar deste encontro hoje para construir cidades mais sustentáveis", agradeceu o prefeito Eduardo Paes.

Prefeito Paes durante abertura da Cúpula de Prefeitos, no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Prefeito Paes durante abertura da Cúpula de Prefeitos, no Rio. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

"Sabemos que as cidades são peças chave para um mundo mais resiliente e sustentável", destacou. Paes destacou o Compact of Mayors, compromisso global da C40 que estabelece e cria metas ambiciosas para as cidades mitigarem as emissões de gases de efeito estufa. O prefeito aproveitou o momento para convidar a todos gestores públicos brasileiros "a fazerem a diferença e estarem na linha de frente". "Mais uma vez obrigada pelo apoio da EMBARQ Brasil em projetos com a cidade do Rio, assim como a outras organizações que estão, com certeza, transformando nossa realidade", finalizou o prefeito Paes.

Na plateia, 350 pessoas - entre elas, mais de 100 representantes municipais de diversas partes do mundo - acompanham o debate a fim de aprender com as experiências de sucesso dos prefeitos internacionais e, assim, vencer os obstáculos que ainda se interpõem à construção de cidades mais humanas e sustentáveis.

"É uma honra estar no evento que também celebra os 10 anos da EMBARQ no Brasil. A organização tem sido uma parceira fundamental de muitas cidades brasileiras em muitos projetos de transporte. Belo Horizonte tem muito a agradecer à organização pois tivemos uma evolução vigorosa do transporte público nos últimos anos, com a assessoria da EMBARQ Brasil", agradeceu Lacerda, prefeito de BH.

Lacerda, prefeito de Belo Horizonte e presidente do FNP. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Lacerda, prefeito de Belo Horizonte e presidente do FNP. (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Conheça os ex-‘super’-prefeitos

Ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone ficou conhecido pela implementação da maior área com taxação de congestionamento do mundo. Prefeito entre 2000 e 2008, foi responsável por uma série de mudanças positivas na capital inglesa, como a ampliação de espaços públicos para pedestres, a melhoria do serviço de transporte público e corredores prioritários aos ônibus.

Jaime Lerner foi prefeito de Curitiba por três mandatos e transformou a cidade em referência de transporte coletivo de qualidade ao implementar, ainda na década de 1970, uma nova modalidade de transporte: o BRT. Mary Jane Ortega também foi prefeita por três mandatos, mas em San Fernando, nas Filipinas. Durante sua gestão, implementou um projeto de realocação de pescadores em áreas de risco, para minimizar o impacto dos tufões, e acumulou prêmios por suas realizações.

Em Bogotá, o nome da transformação é o de Enrique Peñalosa. Entre 1998 e 2001, fez da capital colombiana modelo de transporte cicloviário na América Latina, com a construção de 300 quilômetros de ciclovias, além da ampliação dos espaços públicos. Por fim, mas não com menos importância, Sam Adams, diretor da Iniciativa Climática do WRI, que investiu em planejamento estratégico e integrado para tornar Portland uma cidade mais eficiente e sustentável. Durante seu mandado, entre 2009 e 2012, implementou o Plano de Ação pelo Clima, com metas específicas em cada setor para seja atingido o objetivo de reduzir em 80% as emissões de gases de efeito estufa até 2050.

Prefeitos do mundo inteiro precisam de apoio e de novas ideias para alavancar projetos que tornem as cidades mais sustentáveis e inclusivas. Os cinco ex-prefeitos visionários debatem as diferentes maneiras de investir no desenvolvimento sustentável e fazer dos centros urbanos parte da solução, deixando um legado real, sustentável e positivo para as suas cidades. 

"Estas são as pessoas que nos inspiram e nos mostraram que é possível fazer a mudança na realidade", destacou Dasgupta.

Acompanhe a Cúpula de Prefeitos:

Debate sobre as mudanças climáticas marca o encerramento da Cúpula de Prefeitos

09/09/2015

Ken Livingstonte, Mary Jane Ortega, Enrique Peñalosa, Sam Adams e Jaime Lerner (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Ken Livingstonte, Mary Jane Ortega, Enrique Peñalosa, Sam Adams e Jaime Lerner (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Com a moderação de Andrew Steer, a discussão foi retomada com uma das mais pungentes preocupações contemporâneas – as mudanças climáticas. Andrew lançou o questionamento sobre iniciativas que líderes municipais podem tomar para mitigar os efeitos das mudanças no clima e lutar contra o problema. Enfáticos em suas contribuições, os ex-prefeitos reforçaram uma mensagem já conhecida: a necessidade de mudanças que tornem nossas cidades mais sustentáveis.

Ken Livingstone destacou o papel desempenhado por nós, habitantes dos centros urbanos, no combate às mudanças no clima: “Nós, as pessoas, exercemos um impacto catastrófico nas mudanças climáticas – mas também temos uma responsabilidade tão grande tanto com as gerações futuras. E potencial para reverter o cenário atual. Precisamos agir agora para evitar problemas ainda maiores no futuro”.

Ano a ano, as cidades mostram-se mais ambiciosas e comprometidas com a luta pela sustentabilidade e contra as causas das alterações climáticas vividas hoje. Ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa vê na sustentabilidade o caminho para os centros urbanos: “Muitas soluções para os problemas urbanos estão na sustentabilidade e na mobilidade. Precisamos tornar nossas cidades mais abertas às pessoas, mais caminháveis. As cidades têm uma grande responsabilidade no que diz respeito à sustentabilidade – está com elas o poder de mudar a realidade e conosco o poder de mudar as cidades”.

Embora ocupem apenas 2% da superfície terrestre, as cidades são as maiores responsáveis pelas emissões globais de poluentes. Por isso, como enfatizou Jaime Lerner, é nas cidades que a mudança precisa acontecer: “Uma vez que a maior parte das emissões vem das cidades, é nas cidades que precisamos focar ações para combater as mudanças no clima”. O ex-prefeito de Curitiba assinalou, ainda, que as muitas preocupações que assolam a vida urbana nas cidades hoje não podem ser esquecidas por seus líderes: O esforço que uma cidade faz no sentido de melhorar a qualidade de vida das pessoas repercute em todos os outros aspectos da vida urbana. Nenhuma cidade pode se afastar dos problemas de suas populações, mas todas precisam manter a preocupação com os problemas que afetam toda a humanidade: mobilidade, sustentabilidade e sociodiversidade”.

Sam Adams, que liderou a transformação em Portland, reforçou a importância de repensarmos nossos hábitos e o que isso pode representar na prática, no dia a dia nas cidades: “Quanto mais as pessoas deixam de dirigir, ou passam a dirigir menos, mais elas economizam – deixam de gastar comprando e mantendo carros e contribuem para reduzir emissões e melhorar a qualidade do ar e da própria vida nas cidades. É um desafio para moradores e prefeitos, mas precisamos enfrentá-los, dialogando e trocando experiências, a fim de evitar erros já cometidos”.

Prefeita de San Fernando, nas Filipinas por três mandatos, Mary Jane Ortega recebeu diversos prêmios por suas realizações como prefeita. Vinda do continente asiático, onde os estragos causados pelas mudanças no clima são mais frequentes, ela assevera: “Provavelmente muitos aqui não sintam diretamente os efeitos das mudanças climáticas. Mas quando vemos dez mil pessoas mortas por um furacão mudamos nossa perspectiva. Em cidades asiáticas, fenômenos naturais devastam milhares de pessoas. Por isso, estou feliz de fazer a minha parte. Ela pode ser pequena, mas é mais um passo em direção à mudança”.

Finalizando as atividades da tarde, de debates intensos e enriquecedores, Luis Antonio Lindau, Diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, agradeceu a presença de todos e atentou para um ponto em particular no que diz respeito às boas gestões municipais: “De todas as questões levantadas aqui hoje, me chamaram a atenção a paixão e o amor pelo que se faz. Contagiar tanto a população quanto sua equipe de trabalho. Suportar a dor e manter aquilo em que se acredita. Como lideranças municipais, isso é extremamente importante e se reflete na qualidade de vida das cidades. Temos certeza: todas as cidades, sejam elas pequenas ou grandes, mais ou menos ricas, podem ser bons lugares para as pessoas”.

Um presente para as cidades

Como forma de marcar seus dez de atividade com as cidades brasileiras, a EMBARQ Brasil lançou o livro “Mobilidade em 1 Instante”. A publicação une fotografias e textos para contar a história de dez cidades com as quais a EMBARQ Brasil trabalhou na última década. Rejane Fernandes, nossa Diretora de Relações Estratégicas & Desenvolvimento, sintetizou o que representa a publicação do livro: “Com este livro, nós comemoramos os dez anos de atuação da EMBARQ Brasil. Ele traz histórias de dez das cidades que fizeram parte da nossa história e nessa última década. São momentos de mobilidade – um passeio na praça, um encontro, um olhar. É um presente da EMBARQ Brasil para todos aqui hoje”.

Rejane Fernandes no lançamento do livro Mobilidade em 1 Instante (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis) Rejane Fernandes no lançamento do livro Mobilidade em 1 Instante (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

 

A EMBARQ Brasil agora é o WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Entre 10 e 11 de setembro, o Congresso Internacional Cidades & Transportes traz grandes temáticas como mobilidade e transporte; resiliência, vulnerabilidade e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica; novas tecnologias, entre outras, em mais de 30 sessões.

Andrew Steer responde quatro questões-chave na Cúpula de Prefeitos

08/09/2015

Andrew Steer Andrew Steer

1. Mais de metade da população mundial vive em cidades, onde os níveis de emissões e estresse são os mais altos registrados. O que as lideranças municipais podem fazer hoje para mitigar as mudanças climáticas?

Andrew: Qualquer solução para as mudanças climáticas em escala global precisa ter as cidades no centro. As cidades, hoje, produzem 75% da poluição com origem no carbono. Mas elas também são centros de atividade econômico, inovação e criatividade.

Líderes municipais podem fazer muitas coisas para controlar as emissões de carbono. Felizmente, essas ações também são boas ideias para melhorar o planejamento e a eficiência das cidades.

Em primeiro lugar, as cidades precisam mensurar suas emissões anualmente. Precisam ter um plano para reduzir essas emissões e precisam ter ações estabelecidas com clareza para atingir suas metas. As cidades precisam, ainda, divulgar os resultados dessas medições todos os anos, permitindo que as pessoas saibam se algum progresso está sendo feito.

As cidades podem imediatamente implantar novas legislações e começar a passar de um padrão de transporte privado e baseado principalmente no carro para modais coletivos e mais sustentáveis. Em seguida, vão analisar sua matriz energética e começar a perceber que, aos poucos, precisarão de mais energia de fontes renováveis – e então passarão à mudança, abandonando os combustíveis fósseis, que provocam a poluição, causam problemas de saúde e, consequentemente, diminuem a produtividade.

Os líderes municipais podem começar hoje. E muitos prefeitos já estão fazendo exatamente isso.

 

2. Muitos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, enfrentam dificuldades em unir as pessoas, os gestores municipais e outros atores chave no trabalho por um futuro urbano melhor. Qual você acredita ser o primeiro e mais importante passo para ultrapassar as barreiras que ainda impedem uma mudança urbana positiva? Por quê?

Andrew: Me parece que o ponto inicial é perguntar às pessoas: vocês estão felizes com a vida e a economia na cidade? Vocês estão felizes com o fato de que nós perdemos produtividade graças aos congestionamentos, de que altos custos são gerados pela poluição do ar, que também prejudica a saúde da população? Vocês estão felizes em precisar de duas, três ou mais horas para chegar ao trabalho e em perder dinheiro com isso?

O ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, já disse: se você é capaz de estabelecer uma visão clara de aonde você quer chegar, se você é capaz de se comunicar com seus cidadãos e tem a habilidade de implementar suas ações, então você pode mudar os rumos de uma cidade enquanto prefeito.

 

3. O objetivo de longo prazo do WRI é transformar ideias em ações por um mundo mais sustentável. Com este fim, quais são as principais metas e oportunidades para o WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis?

Andrew: O foco do WRI em cidades sustentáveis vem das bases de seu programa de mobilidade urbana, a rede EMBARQ. Por mais de doze anos, o WRI tem trabalhado com cidades e lideranças municipais no México, na Turquia e no Brasil visando ao sucesso. A EMBARQ foi uma força criativa no trabalho em busca de opções mais limpas e saudáveis de transporte, como os sistemas BRT (Bus Rapid Transit) que hoje operam em mais de 160 cidades.

Ao reconhecer que as cidades são o coração dos desafios de sustentabilidade de hoje, estamos fazendo a nossa parte trabalhando pela mobilidade e olhando as cidades como um todo. Isso inclui olhar para a forma urbana e o planejamento de uso do solo e compreender as conexões entre política fiscal e os governos em escala local e nacional. Nós também precisamos melhorar os sistemas de água e energia. Entendemos que, para criar as cidades sustentáveis do futuro, precisamos olhar para as cidades de uma maneira holística.

É isso que o WRI Ross Centro busca fazer. Nós queremos utilizar a profunda expertise de nossos especialistas em transporte e o crescente conhecimento de design urbano para ajudar administradores municipais a criar cidades melhores para as pessoas. Nós queremos cidades compactas, conectadas e eficientes. Estamos identificando novas abordagens e trabalhando com parceiros locais – em governos, no setor privado e da sociedade civil – para desenvolver e ampliar as soluções urbanas.

 

4. A Cúpula de Prefeitos e o Congresso Internacional Cidades & Transportes vão reunir gestores públicos, tomadores de decisão, técnicos e ONGs para debater maneiras de transformar ideias em ação. Quais são suas expectativas com esses eventos?

Andrew: O Brasil traz todas as oportunidades e desafios de desenvolvimento urbano. Sim, você pode ter de lidar com pobreza e insegurança. Mas você também pode descobrir os pontos vibrantes, cheios de criatividade, inovação e visão. A Cúpula de Prefeitos e o Congresso vão reunir lideranças municipais e especialistas para explorar ideias que estão no coração da urbanização sustentável. Nós teremos discussões vigorosas, lançaremos novas ideias e reuniremos muitos dos principais pensadores urbanos do Brasil e do mundo nesses debates.

Esses eventos também são uma oportunidade de destacar as tremendas contribuições da EMBARQ Brasil, que se tornou um dos mais reconhecidos e respeitados atores da mobilidade urbana no país e também fora dele. Durante a última década, a EMBARQ abraçou o desafio da mobilidade urbana e agora, junto ao WRI Brasil, dá o próximo passo rumo a cidades mais sustentáveis. Nosso time no Brasil fez um grande trabalho organizando a Cúpula e o Congresso. Estou feliz de ter um pequeno papel no que serão três dias extraordinários focados na construção de cidades sustentáveis.

 

Mobilidade corporativa: o exemplo da Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais

28/08/2015

Por décadas e, em alguns casos, ainda hoje, encontra-se na construção de viadutos, duplicação de avenidas e alargamento de ruas a tentativa de resolver o problema dos congestionamentos nos centros urbanos. Tal “solução”, contudo, acabou por mostrar-se obsoleta e ineficaz, na medida em que mais espaço para os carros invariavelmente atrai mais carros. Hoje, para otimizar o uso da infraestrutura e da oferta de transporte disponível, bem como para equilibrar a distribuição do espaço, cidades começam a aplicar novos modelos e soluções. Uma delas é a gestão de demanda de viagens (GDV), termo originado do inglês travel demand management, assunto que será debatido no Congresso Internacional Cidades & Transportes, em setembro, no Rio de Janeiro.

A GDV busca racionalizar o uso do automóvel por meio de medidas de incentivo ao transporte coletivo e não motorizando. Essas medidas podem ser aplicadas por empresas e cidades a fim de qualificar a mobilidade local, e, no Brasil, começam a despontar alguns exemplos inspiradores – caso da Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais, em Belo Horizonte, que atualmente trabalha para implantar um plano de mobilidade corporativa.

Inaugurada em 2010, a nova sede do governo mineiro abriga o Palácio Tiradentes, prédios de secretarias de estado, os edifícios Minas e Gerais, um centro de convivência e o Auditório Presidente Juscelino Kubitschek, além de unidades de apoio para equipamentos. O complexo possui cerca de 270 mil metros quadrados de área construída e é o destino diário de pelo menos 17 mil funcionários – mas está localizado a 20 quilômetros do centro de Belo Horizonte.

Foto: Osvaldo Afonso/Imprensa-MG Foto: Osvaldo Afonso/Imprensa-MG A transferência para o novo endereço, conforme conta Renato Ribeiro, Subsecretário de Regulação de Transportes de Minas Gerais, “causou mudanças para a maioria dos servidores, aumentando o tempo e o custo de seus deslocamentos”. Diante das novas circunstâncias, tornou-se necessário repensar a organização do espaço e a dinâmica de deslocamento dos funcionários. Com o apoio técnico do WRI Brasil | EMBARQ Brasil, a Cidade Administrativa está trabalhando no desenvolvimento de seu plano de mobilidade corporativa, que deve contemplar incentivos para promover o uso mais racional do carro entre os servidores.

Como primeiro passo do trabalho, foi definido o comitê gestor do plano, composto por membros das secretarias de transportes e obras públicas (SETOP) e de planejamento e gestão (SEPLAG). Na visão de Ribeiro, a implementação do plano na Cidade Administrativa, além de configurar um novo modelo de gestão da mobilidade, trará impactos positivos para toda a região: “Os planos de mobilidade corporativa são ferramentas importantes para melhorar a mobilidade em escala local, mas acabam refletindo em melhoras para toda a região no entorno. Como responsável pela gestão da mobilidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a SETOP apoia a implementação dessas medidas”.

Definidos os atores envolvidos na elaboração, um dos pontos fundamentais para o sucesso da implementação de um projeto de mobilidade corporativa é o engajamento tanto de funcionários quanto de gestores. Ao perceber o comprometimento das diretorias, por exemplo, as pessoas sentem-se encorajadas a mudar também os próprios hábitos. Grasielle Esposito, Intendente da Cidade Administrativa de Minas Gerais e uma das palestrantes da sessão de GDV do Congresso, considera o plano de mobilidade corporativa essencial para promover a humanização da CA: “O projeto faz parte de um plano de humanização da Cidade Administrativa, que agora passa a ser uma prioridade da Intendência. Esse processo envolve, entre outros fatores, a melhoria no acesso e nas condições de sustentabilidade tanto do complexo quanto de seus serviços – e a mobilidade corporativa assume um papel central, uma vez que está diretamente relacionada com a melhora da qualidade de vida dos servidores”.

Photo by Osvaldo Afonso/Imprensa-MG Photo by Osvaldo Afonso/Imprensa-MG

Para despertar o engajamento entre as pessoas e garantir que a implantação do projeto seja bem sucedida, os responsáveis pelo desenvolvimento do plano circularam entre os servidores o questionário de GDV desenvolvido pela equipe do WRI Brasil | EMBARQ Brasil. O documento reúne uma série de questões para apurar o padrão de deslocamento das pessoas que trabalham no local, incluindo, entre outros tópicos, qual o meio de transporte mais utilizado, o tempo gasto nos trajetos, se há flexibilidade no horário de trabalho e quais incentivos as levariam a utilizar meios de transporte mais sustentáveis e deixar os carros em casa.

O questionário obteve o mais alto índice de respostas entre as pesquisas já aplicadas na CA - quatro mil - , indicando que a mobilidade é uma questão importante e mostrando o interesse das pessoas em fazer as mudanças necessárias. A partir do levantamento das respostas da pesquisa, será possível traçar um panorama preciso do padrão de deslocamento dos funcionários, mapear as necessidades e, dessa forma, implementar as soluções mais adequadas ao contexto local. “Trata-se de uma solução que beneficia empresas, funcionários e toda a coletividade, aumentando as alternativas de transporte e reduzindo os congestionamentos e a poluição. O plano de mobilidade da Cidade Administrativa, além de trazer benefícios aos funcionários, é um exemplo das políticas que o governo quer para a Região Metropolitana de Belo Horizonte”, afirma Ribeiro.

 

Direção inteligente para a mobilidade

As estratégias de GDV trazem impactos positivos diretos para os funcionários, na medida em que ajudam a reduzir o tempo gasto nos deslocamentos, a melhorar a qualidade de vida e a economizar tempo e dinheiro. Em paralelo, as cidades também são beneficiadas – pela redução dos congestionamentos e dos índices de emissões e pela melhora da mobilidade local.

Incentivos às opções de transporte sustentável, como bicicletários e vestiários para quem opta pela bicicleta, vagas especiais para quem oferece carona, bonificações para quem utiliza o transporte coletivo ou até ônibus fretados para os funcionários são alguns exemplos de medidas que podem despertar a mudança de comportamento e contribuir para reduzir o uso do automóvel como principal meio de transporte.

  Photo by Osvaldo Afonso/Imprensa-MG Photo by Osvaldo Afonso/Imprensa-MG

A GDV, assim, cria oportunidades concretas para que as cidades façam um uso inteligente da infraestrutura e dos serviços de transportes já existente e gerem circunstâncias mais favoráveis para incentivar as opções sustentáveis de transporte. O exemplo da Cidade Administrativa de Minas Gerais mostra que as organizações começam a se preocupar com a qualidade de vida de seus funcionários não apenas no local de trabalho, mas para além dele, reconhecendo o impacto que as condições de transporte têm na produtividade e na qualidade de vida das pessoas. As medidas de GDV, em suma, têm o potencial de mudar a forma como nos locomovemos, expandindo o horizonte de atuação de empresas e administrações municipais e, dessa forma, contribuindo para que o caminho rumo a cidades mais sustentáveis continue sendo trilhado.

Salvando vidas com transporte sustentável

27/08/2015

O trânsito tem vários significados. Pode ser o momento de ler no ônibus, ouvir as notícias do rádio, exercitar-se na bicicleta, ou se estressar ao volante. Quando acontecem os acidentes, contudo, os dados apontam numa só direção. O Brasil é o quarto país mais fatal do mundo nesse quesito. Se medidas não forem tomadas, mais de 40 mil brasileiros não terão a sorte de voltar para casa só neste ano.

Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil

A missão de salvar vidas recai sobre toda sociedade. Mas quem deve fazer o quê? O painel “Transporte Sustentável Salva Vidas”, a ser realizado no Congresso Internacional Cidades & Transportes, vai reunir grandes nomes da área para debater o assunto, desde as formas de integrar a segurança viária ao planejamento urbano até casos de cidades bem sucedidas na questão.

O Congresso reúne, dias 10 e 11 de setembro no Rio de Janeiro, mais de 130 palestrantes de diversas especialidades e países. As inscrições  estão abertas. Clique aqui para saber mais.

Cidades transformando ideias em realidade

Em todo o mundo, 1,2 milhão de pessoas perdem a vida no trânsito – é como se oito aviões Boeing 747 despencassem a cada dia. Levando em consideração que mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas e, no Brasil, o índice é de 85%, o papel das cidades é claro. É preciso criar políticas e mecanismos de segurança viária como infraestrutura para o transporte sustentável, normas de redução de velocidades, fiscalização, educação.

Rede EMBARQ criou um vídeo que apresenta soluções em transporte e espaços públicos no intuito de preservar o que há de mais importante nas cidades – a vida das pessoas. O trabalho tem apoio da Bloomberg Philanthropies.

 

São Paulo e Fortaleza integram iniciativa global de segurança viária

A polêmica em torno da redução do limite de velocidade das marginais Tietê e Paulista, no mês passado em São Paulo, ressoou em todo o país. Condenada por uns, celebrada por outros, a medida se mostrou profícua. Foram 30% menos acidentes nos locais em relação ao ano passado. Pesquisa do WRI Brasil | EMBARQ Brasil também mostra os benefícios de reduzir velocidades nas vias urbanas.

Nesses locais, a velocidade máxima para automóveis foi reduzida de 90 km/h para 70 km/h, nas pistas expressas; de 70 km/h para 60 km/h, nas centrais, e de 70 km/h para 50 km/h, nas locais. Já para os veículos pesados, foi estabelecida a redução de 70 km/h para 60 km/h nas pistas expressas, como mostra a imagem a seguir:

Foto: Prefeitura de São Paulo Foto: Prefeitura de São Paulo

Agora, a maior cidade brasileira também decidiu limitar a velocidade a 50 km/h em todas as suas avenidas até o fim deste ano.

São Paulo e Fortaleza integram a seleta lista de dez cidades mundiais apoiadas pela Iniciativa Global em Segurança Viária da Bloomberg Philanthropies. Ao longo de cinco anos, o programa vai investir US$ 125 milhões para implementar intervenções municipais para salvar vidas. As cidades selecionadas recebem, cada uma, equipe sênior para atuar em tempo integral com os governos municipais nas suas iniciativas de segurança viária por pelo menos cinco anos; assistência técnica abrangente das organizações mundiais líderes em segurança viária; treinamento para policiais e outros relevantes profissionais do município; e apoio para a criação  de campanhas midiáticas de massa contundentes.

Com apoio técnico do WRI Brasil | EMBARQ Brasil, cada cidade criou um plano de trabalho focado em Mobilidade Segura & Vias Seguras para os próximos dois anos.

Em São Paulo, o programa abrange reduções nos limites de velocidade; projetos de sistemas prioritários aos ônibus; infraestrutura para uso da bicicleta; segurança de pedestres e implantação das zonas 40. Em Fortalezao trabalho é focado em sistemas de ônibus e BRT (Bus Rapid Transit); infraestrutura cicloviária; tratamento de pontos críticos; e redução de limites de velocidade.

Os desafios do transporte coletivo no contexto metropolitano

20/08/2015

Foto: Agência Brasília/Flickr Foto: Agência Brasília/Flickr Para qualificar a mobilidade e o desenvolvimento das cidades, é necessário pensar os problemas urbanos em uma escala que ultrapasse os limites municipais e articular soluções ligadas às necessidades e inter-relações de toda a região. Atuando de forma integrada, as regiões metropolitanas dos estados passam a se enxergar como um organismo mais amplo e assumem responsabilidade mútuas na organização, planejamento e execução de serviços.

O Estatuto da Metrópole, sancionado em janeiro deste ano, estabelece fundamentos e diretrizes para a gestão urbana integrada e determina o prazo de três anos para que as cidades construam seus Planos de Desenvolvimento Urbano Integrado (PNDI). Com a nova legislação, as cidades de regiões metropolitanas têm agora suporte legal para se articularem na gestão de funções públicas de interesse comum, como é o caso dos serviços de transporte coletivo.

No Congresso Internacional Cidades & Transportes, o assunto estará em debate na sessão O desafio do transporte coletivo no contexto metropolitano, dia 10 de setembro, às 14 horas. Vicente Loureiro, Subsecretário de Urbanismo Regional e Metropolitano Estado do Rio de Janeiro; Riley Rodrigues, Especialista Sênior em Competitividade Industrial e Investimentos no Sistema da FIRJAN; Cássio Taniguchi, Superintendente-geral da SUDERF; Severiano Macedo, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Cisco; e Flavio Almada, Presidente do MetrôRio, participam do evento para debater como diferentes regiões estão se preparando para atender as premissas do Estatuto e quais os principais avanços até agora.

Com pelo menos 100 milhões de brasileiros vivendo em regiões metropolitanas e aglomerações urbanas e as cidades seguindo um ritmo de expansão muitas vezes mal planejado, são necessárias medidas para orientar o desenvolvimento dos centros urbanos e tornar realidade a mobilidade sustentável.  Ao considerar o contexto metropolitano, para além do municipal, ampliam-se os desafios de gestão. Em paralelo, porém, surgem as oportunidades de trabalhar a mobilidade em uma proporção maior, atingindo mais pessoas e diferentes padrões de deslocamento. Pensar o transporte coletivo em escala metropolitana, a partir do planejamento integrado entre as cidades, permite atender de forma mais direcionada diferentes necessidades de deslocamento – como a de quem trabalha em uma cidade, mas mora em outra.

 

Ações brasileiras

O Estatuto da Metrópole é recente, mas já existem no Brasil casos de regiões metropolitanas que se articularam para resolver questões urbanas. O Rio de Janeiro instalou a Câmara Metropolitana de Integração Governamental e o Grupo Executivo de Gestão Metropolitana, responsável pela contratação e gestão do plano de desenvolvimento da RM, no qual um dos destaques é a mobilidade. O Estado de Minas Gerais desenvolve o Plano Metropolitano de Belo Horizonte e trabalha no Plano de Mobilidade.

Outro exemplo é o Plano de Mobilidade Sustentável da Grande Florianópolis – PLAMUS. O processo de construção do plano envolveu a coordenação de pesquisas, levantamentos, análises e proposições para mapear necessidades de mobilidade na região dos 13 municípios que compõem a RM: Anitápolis, Rancho Queimado, São Bonifácio, Angelina, Antônio Carlos, Águas Mornas, São Pedro de Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz, Biguaçu, Governador Celso Ramos, São José, Palhoça e Florianópolis. O WRI Brasil | EMBARQ Brasil prestou apoio técnico no âmbito da participação social do plano que, desde o início, teve a governança como preocupação, estabelecendo diversos formatos de diálogo e transparência com a sociedade e parceiros. 

O desenvolvimento do plano e as soluções articuladas entre as cidades seguiram uma diretriz fundamental: levar mais integração, sustentabilidade e qualidade de vida às pessoas da região metropolitana de Florianópolis.

 

Como o uso de dados abertos pode transformar as cidades do futuro

18/08/2015


dados dados O crescimento exponencial da quantidade de dados disponíveis tanto para os cidadãos quanto para os tomadores de decisão torna pontuais certos questionamentos acerca da forma que fazemos o uso dessas informações. É preciso partir da lógica de que vivemos, hoje, em dois mundos: o mundo físico e o mundo digital. É cada vez maior o número de iniciativas tecnológicas que transcendem a barreira para a realidade física. Computação na nuvem, big data, e dados abertos fornecem às cidades novas perspectivas para melhorar a integração e eficiência de seus serviços. O uso adequado de tais ferramentas permite que as comunidades tenham mais interação direta com suas cidades e governanças.

De acordo com relatório da Cisco, em 2019, o tráfego online será equivalente a 64 vezes o volume de toda a internet em 2005. Imagine a quantidade de dados diários que os usuários vão gerar. Para debater sobre o assunto, o arquiteto de tecnologia da Future Cities e gerente do OpenGlasgow, Colin Birchenall, participa do painel Cidades, dados abertos e transparência, composto, por Gustavo Maia, co-fundador do Colab, eleito o melhor aplicativo para questões urbanas do mundo pelo concurso AppMyCity; assim como Cesar Taurion, Fundador e CEO da Litteris Consulting; Nina Lualdi, Diretora de Iniciativas Transformacionais e Investimentos Estratégicos da CISCO no Brasil; e Alessandro Saraceni, Gerente de Programas da Transport Systems Catapult, do Reino Unido. A mesa será mediada por Ciro Biderman, Chefe de Gabinete da SPTRANS.

 

Cidades, dados abertos e transparência

Todos podem ajudar na tomada de decisões que impactam a cidade, tais como a resiliência econômica e crescimento, qualidade de vida, bem-estar e sustentabilidade ambiental” é o que diz Colin Bichernall, Gerente do Programa Open Glasgow e palestrante do Congresso Internacional Cidades & Transportes, no Rio de Janeiro.

Colin e sua equipe acreditam que a cidade é feita pelas pessoas; tanto na tomada de decisões como no aspecto criativo. Glasgow é a maior cidade da Escócia e a terceira maior do Reino Unido. Há alguns anos, a cidade venceu um concurso com outros 29 municípios e ganhou um financiamento de 24 milhões de libras para implementar o programa Open Glasgow, parte do Glasgow Future Cities (GFC), um projeto que intenciona colocar os habitantes da cidade na linha de frente da integração e inovação tecnológica.

O programa vê cada habitante como um denominador comum do caráter e da história da cidade. Hoje, praticamente todos os resultados da atividade humana e do conhecimento são capturados através da Internet, dispositivos ou sensores. Para o Open Glasgow estes dados são matéria-prima. Para melhorar a realidade sustentável da cidade, por exemplo, o programa mapeou os principais pontos de reciclagem e desenvolvedores de painéis solares fotovoltaicos. Dessa forma, usando dados abertos, desenvolveram um mapa de energia renovável com as principais informações para os cidadãos.

A ideia do gerente do programa, Colin Bichernall, passa por uma análise crua dos dados. Para ele, se temos as matérias-primas corretas, podemos criar projetos incríveis. Ter os dados abertos e saber aproveitá-los para beneficiar a própria cidade empodera os moradores e encoraja a criação de novas soluções para antigos problemas urbanos. O acesso à informação é primordial para que possamos transformá-la em ferramentas que tornem mais fácil a vida nos centros urbanos.

Apesar de as cidades já possuírem altas quantidades de dados, ainda não são totalmente aproveitados novas técnicas e mecanismos que permitam a utilização dessas informações de modo inovador. Colin Bichernall defende que para resolver os problemas urbanos, é preciso criar uma cultura open data, e usar ferramentas efetivas de aplicação dos dados que já existem, a fim de facilitar a rotina das pessoas.

Os governos, grupos comunitários e indivíduos; todos têm (e produzem a todo momento) dados sobre as próprias cidades. Nos últimos anos passamos por uma mudança forte de cultura, pois muitos desses dados não estavam disponíveis, mas agora estão sendo abertos, e proporcionando espaço para compartilhamento. Assim, a partir da experiência de uma pessoa muitos outros cidadãos podem se beneficiar.

Planejamento e visão: um legado urbano

13/08/2015


Foto: Luísa Zottis/EMBARQ Brasil Foto: Luísa Zottis/EMBARQ Brasil Quando a infraestrutura do transporte sustentável transcende a função essencial de carregar pessoas de ponto a outro e paQuando a infraestrutura do transporte sustentável transcende a função essencial de carregar pessoas de ponto a outro e passa a intervir no ambiente ao seu redor, deixa um legado para as cidades.

Os corredores de ônibus do Move, sistema BRT (Bus Rapid Transit) de Belo Horizonte, refletem esse ideal. Eles revitalizaram o centro, importante área onde as atividades econômica e social fervilham e milhares de pessoas passam diariamente. Antes uma via para carros, hoje um passeio público com espaço para, além do ônibus, o pedestre e o ciclista. Trabalho que conquistou um prêmio internacional em mobilidade sustentável.

Líder dessa transformação, o prefeito Marcio Lacerda vai compartilhar sua experiência no próximo mês, no Rio de Janeiro. Lacerda ministra a palestra magna “O legado das cidades brasileiras”, no dia 10 de setembro, no Congresso Internacional Cidades & Transportes. As inscrições estão abertas.

Belo Horizonte, fundada em 1897, é fascinante não somente pela população acolhedora, pela gastronomia saborosa ou pelas obras arquitetônicas. A história de seu planejamento urbano diz muito sobre como a cidade foi moldada até aqui. Imagine que, ao completar seu primeiro centenário, a estimativa era atingir uma população de 100 mil habitantes; nesse meio tempo passou a abrigar as atuais 2,5 milhões de pessoas. Veja nas figuras abaixo:

  Expansão urbana em Belo Horizonte. À esquerda, a previsão de 100 mil habitantes em cem anos; à direita, a realidade urbana. Expansão urbana em Belo Horizonte. À esquerda, a previsão de 100 mil habitantes em cem anos; à direita, a realidade urbana.

Uma projeção equivocada anunciava a urgência em planejar. Entre 2003 e 2010, mesmo antes de sancionada a Política Nacional de Mobilidade Urbana, Belo Horizonte elaborou o Plano de Mobilidade Urbana, documento norteador das ações em transporte coletivo, individual e não motorizado para atender as necessidades da população. Ele foi instituído em 2013.

Na empreitada para garantir mais qualidade de vida às pessoas com a mobilidade urbana, Belo Horizonte não está sozinha. Conta com apoio internacional de organizações e cidades líderes em mobilidade urbana sustentável.

Com o BRT MOVE, o WRI Brasil | EMBARQ Brasil apoiou a cidade com uma série de projetos, incluindo auditorias de segurança viária, alinhamentos estratégicos, preparação para o lançamento do BRT, entre outros.

A rede SOLUTIONS, da União Europeia, conectou BH a exemplos do mundo todo e, em especial, a alemã Bremen, parceira direta da capital mineira no projeto. Intercâmbios entre as duas cidades e workshops marcam a parceria que está munindo a gestão mineira com conhecimento e experiência a ser aplicada à realidade local.

Outra aliada da cidade é a Embaixada Britânica. No último mês de junho, representantes de Belo Horizonte se uniram ao Ministério das Cidades e de outros governos municipais e metropolitanos numa missão técnica para conhecer os bastidores da gestão urbana britânica. No roteiro, Londres, Cambridge e Milton Keynes, onde os participantes viram de perto o gerenciamento do sistema de transportes (veja aqui).

Na semana passada, a britânica Future Cities Catapult levou um workshop à cidade para tratar de mobilidade urbana, plano diretor, acessibilidade e soluções urbanas britânicas. E, na sexta-feira (14), um workshop sobre acessibilidade trará especialistas europeus para falar sobre acessibilidade na mobilidade urbana, em realização conjunta entre o WRI Brasil | EMBARQ Brasil, BHTRANS e Embaixada Britânica.

Certamente, nenhuma cidade é perfeita, assim como nenhuma obra ou proposta são definitivas para solucionar os problemas complexos que assolam os municípios do Brasil e de todo o mundo. Contudo, planejamento, execução e visão de futuro, bem como parceiros estratégicos, fazem parte do caminho na busca por um bom legado urbano.

 

O caminho para reduzir as emissões no setor de transportes

11/08/2015

Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil Os danos à saúde a ao meio ambiente causados pela poluição atmosférica são cada vez mais intensos e recorrentes. Globalmente, a poluição do ar é responsável por 3,7 milhões de mortes por ano, fazendo do problema o maior risco ambiental e à saúde no mundo. Os transportes ocupam um espaço significativo nesse quadro, sendo o setor cujas emissões crescem mais rapidamente do que as de qualquer outra área. E a tendência é piorar: de acordo com o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), as emissões provenientes dos transportes devem dobrar até 2050.

Reverter esse cenário não é tarefa fácil e requer ações imediatas, visando a reduzir as emissões e desacelerar os efeitos das mudanças no clima. Diversas medidas referentes às operações de sistemas de transporte podem ser tomadas para reduzir os impactos negativos do setor ao meio ambiente, à saúde das pessoas e à qualidade de vida nas cidades. É o que mostra o livro "Transporte, uso de energia e impactos ambientais: uma abordagem introdutória", escrito por Márcio de Almeida D'Agosto (foto), engenheiro de transportes e professor adjunto do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) e presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes (ANPET).

(Foto: Divulgação) (Foto: Divulgação)

Destinada a estudantes e pesquisadores da área, a publicação aponta diretrizes para o planejamento eficiente do consumo de energia na gestão e operação de sistemas de transportes. Em conversa com o TheCityFix Brasil, Márcio D’Agosto falou sobre seu livro e a respeito da importância de serem tomadas medidas que visem a reduzir os impactos nocivos do setor ao meio ambiente. Na concepção de D’Agosto, “tudo o que puder ser feito para diminuir o uso do transporte individual por automóveis e privilegiar modais coletivos e/ou não motorizados é uma boa solução para ajudar a reduzir as emissões – desde a aplicação de tecnologia para reduzir as emissões de poluentes dos motores de combustão interna movidos a combustíveis que equipam os automóveis que já existem até a mudança de hábito por parte das pessoas”.

PLANEJAMENTO: A CHAVE PARA UM TRANSPORTE MAIS SUSTENTÁVEL

A motorização privada individual, responsável por menos de um terço das viagens realizadas em grandes cidades, responde por 73% das emissões de gases poluentes. Em áreas urbanas que cresceram a partir de um modelo de desenvolvimento "carrocêntrico", a escolha por modos sustentáveis ou não motorizados ainda encontra muitos obstáculos, como a falta de investimentos e de infraestrutura de qualidade. Para mudar isso, D'Agosto acredita que é preciso investir em mecanismos para colocar em prática aquilo que é planejado: “Muitos estudos e planos são elaborados no sentido de valorizar esse tipo de alternativa, e o que se percebe é uma dificuldade para colocar tais planos e estudos em prática. Muitas vezes, o que falta é a integração entre os diferentes projetos e entre poder público e inciativa privada”.

Conforme a análise presente no livro, o planejamento é fundamental para que as operações no setor de transportes não resultem em prejuízos em termos de tempo, gastos e danos ao meio ambiente e a saúde das pessoas. Atividades cotidianas como deslocamentos realizados em modais motorizados e muitas vezes individuais, opções insuficientes e/ou ineficazes de transporte coletivo e a logística mal planejada de transporte mercadorias precisam ser repensadas, a fim de que se alcance um modelo mais eficiente em termos de consumo energético.

Para elucidar essas questões, o professor dedica um capítulo inteiro à análise de como o planejamento da demanda pode impactar o consumo de energia e que procedimentos de gestão podem ser adotados tendo em vista o objetivo de reduzir o consumo e as emissões. “A tendência das emissões do setor de transportes é sempre de aumentar, mas é possível trabalhar para que essa taxa cresça mais devagar. Isso pode ser feito com técnicas de planejamento que privilegiem modos mais limpos, não motorizados, integrados e que usem tecnologia da informação para otimizar seu planejamento e operação”, afirma. Perguntado sobre como imagina o futuro do transporte nas cidades, o D’Agosto vê em uma abordagem holística o caminho para uma mobilidade mais eficiente e sustentável.

Reverter o cenário atual será um grande desafio. Nas cidades do futuro, o planejamento urbano deverá ajudar a redirecionar a concepção de transporte. A integração do planejamento do uso e ocupação do solo com os transportes e o entendimento de que todas essas atividades fazem parte de um mesmo sistema é fundamental para que se consiga vencer o desafio da mobilidade urbana.

REDUÇÃO DAS EMISSÕES É FOCO DE DEBATES NO #CTBR2015

Em setembro, o professor Márcio D’Agosto acompanhará os dois dias de discussão do Congresso Internacional Cidades & Transportes, que terá a redução das emissões provenientes do setor de transportes como foco de debates em três sessões diferentes.

No dia 10 de setembro, a sessão “Oportunidades para reduzir a emissão de carbono nas cidades” traz soluções eficientes para a redução das emissões que podem ser compartilhadas entre as cidades. Um desses exemplos é o Projeto SOLUTIONS, da União Europeia, que promove o intercâmbio de experiências inovadoras e sustentáveis de mobilidade entre cidades da Europa, da América Latina e do Mediterrâneo.

No segundo dia de programação, a sessão “Menos emissões, transporte melhor”, organizada pela Embaixada Britânica no Brasil e pela Future Cities Catapult, mostra que tornar o transporte coletivo mais sustentável é uma das ações-chave para reduzir as emissões. No mesmo dia, as emissões de gases do efeito estufa pelo setor de transportes ainda são o foco de discussão do painel “Transferência de tecnologia limpa na América Latina e Caribe”. A sessão analisa as barreiras regulatórias, econômicas, financeiras, de capacitação e de informação que ainda dificultam o desenvolvimento e a transferência de tecnologias limpas.

 CONHEÇA A PROGRAMAÇÃO E INSCREVA-SE!

Programe-se para o Congresso Internacional Cidades & Transportes no Rio

05/08/2015

A Cúpula de Prefeitos e o Congresso Internacional Cidades & Transportes vão reunir gestores públicos, especialistas, iniciativa privada e organizações da sociedade civil para pensar coletivamente alternativas viáveis ao futuro das áreas urbanas, entre os dias 9 e 11 de setembro, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Diversos  painéis e sessões simultâneas vão abranger os temas de mobilidade urbana, desenvolvimento orientado pelo transporte, TI e open data, gestão da demanda de viagens, entre outros. Se você ainda não se inscreveu, clique aqui e garanta sua vaga!

Para acessar todas as informações sobre o evento, está disponível para download gratuito o aplicativo Cidades & Transportes. O app traz uma série de funcionalidades para que você marque na agenda suas sessões preferidas, confira o mapa do local, notícias e outros serviços.

Principais funcionalidades do app:

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Leah Treat: Diretora de Transporte de Portland apresentará ações que salvam vidas

03/08/2015


Foto: Felicity J. Mackay/PBOT Foto: Felicity J. Mackay/PBOT Leah Treat, Diretora do Departamento de Transporte de Portland (EUA), será uma das palestrantes do painel Plano de Mobilidade Urbana, no Congresso Internacional Cidades & Transportes. O evento acontece nos dias 10 e 11 de setembro, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Treat foi convidada para apresentar o Plano de Mobilidade de Portland, bem como sua experiência anterior no Departamento de Transporte de Chicago. A diretora pedala diariamente para o trabalho e, no Twitter, compartilha detalhes sobre sua rotina como ciclista e de responsável pela mobilidade de Portland. . No congresso, a especialista dividirá o palco com o Secretário Nacional de Transportes e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Dario Lopes; o Prefeito de Joinville, Udo Döhler; o Coordenador do Departamento Técnico da SC Par e Coordenador do PLAMUS (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), Guilherme Medeiros; sob a moderação de Rômulo Orrico, Professor do COPPE-UFRJ.

Treat acredita que conversas sobre transportes devem começar por avaliar nossos valores e questionar o tipo de cidade que queremos para nós e nossos filhos. Quando assumiu a direção do Departamento de Transportes de Portland, em 2013, notou que no ano anterior a taxa de mortes em acidentes de trânsito havia sido duas vezes maior que a taxa de homicídios. Decidiu, portanto, incorporar em Portland o programa sueco Visão Zero, que possui a filosofia de que nenhuma morte no trânsito é tolerável.

Em Nova York, por exemplo, em cinco anos de programa Visão Zero, o resultado de acidentes de trânsito envolvendo pedestres caiu 50%. Treat concorda com as diretrizes do programa e assevera que “cada morte nas estradas é uma falha do governo e da comunidade”. E uma falha que não pode ser deixada de lado. Desde então, o Departamento de Transportes de Portland fez da segurança viária sua principal prioridade, tendo como pilares básicos as mudanças na infraestrutura viária, tecnologia de prevenção de acidentes, educação e fiscalização. A especialista afirma que a segurança viária pode impactar até mesmo a economia da cidade: em Portland, acidentes de trânsito custaram US$150 milhões (R$ 516 mi) em 2013.

Outra medida defendida pela especialista é o conceito de Road Diets, termo formulado a partir de um estudo realizado no Centro de Pesquisa de Segurança Viária da Universidade da Carolina do Norte e que diz respeito a uma reconfiguração do espaço das vias. Estradas de quatro pistas (duas em cada sentido) transformam-se em estradas de três pistas – uma em cada sentido, com uma área comum entre as duas. O conceito surgiu como resposta a uma prática comum de expansão das vias urbanas quando o tráfego atinge certo ponto. Esse pensamento leva em conta que quanto maiores as vias, melhor flui o trânsito. Entretanto, novas vias atraem mais carros, e fora dos horários de pico os vastos espaços ficam desertos. Na visão de Treat, esses espaços poderiam ser aproveitados para construção de ciclovias, por exemplo.

Entre 1997 e 2003 foram feitas três Road Diets em Portland. No primeiro ano de gestão de Leah, duas outras estradas foram reconfiguradas (as Avenidas SE Division between 60th-80th avenues e NE Glisan between 60th-80th avenues). Um estudo dos últimos vinte anos de acidentes em todas as Road Diets de Portland mostra que as reconfigurações das estradas diminuíram o número de acidentes em cerca de 40%.

Antes de ser nomeada Diretora do Departamento de Transportes de Portland, Leah atuou como chefe de equipe no Departamento de Transportes de Chicago. Entre suas realizações, destacam-se a adição de 48 km de ciclovia à cidade e o fechamento de um contrato para um sistema de bike-sharing que forneceu 300 estações de retirada e mais de três mil bicicletas para a cidade. Trabalhou também por 12 anos como vice-diretora do Departamento de Transportes de Columbia, onde ajudou a angariar um financiamento isento de impostos para a construção da 11th Street Bridge. O empréstimo federal para a construção da ponte poupou milhões de dólares que os habitantes locais deveriam pagar em impostos. 

Mary Jane Ortega: “Aprendi que, além de comunicar, você tem que educar. Se você comunica e educa, os efeitos são de longa duração"

31/07/2015


Mary Jane Ortega foi três vezes prefeita de San Fernando, uma cidade costeira situada a cerca de 270 km de Manila, capital das Filipinas. Ela acumula prêmios por suas realizações na gestão da cidade. Apesar de estar fora do gabinete oficial desde 2013, Mary Jane ainda se dedica a melhorar a gestão das cidades. É Assessora Especial da Rede Global para Cidades Mais Seguras e do ICLEI, membro do Comitê de Resiliência Sobre o Futuro dos Espaços Públicos e Secretária-Geral da CITYNET. "Meu marido me pergunta: ´por que você está envolvida em todas essas coisas?´ Você não termina sua militância quando sai do gabinete. Você continua, mesmo fora dos cargos públicos".

Em setembro, Mary Jane Ortega virá ao Brasil para a Cúpula de Prefeitos, que acontece no dia 9 de setembro. 

Confira a entrevista completa concedida pela ex-prefeita ao WRI Brasil | EMBARQ Brasil.

 

Quais foram as principais conquistas da sua administração?

Mary Jane Ortega - Recebi o UN-HABITAT Scroll of Honor Award por meu trabalho sobre o empoderamento das mulheres e também por defender uma estratégia de desenvolvimento para a cidade. O segundo prêmio foi o Konrad Adenauer de Mérito de Excelência em Governança. E o terceiro é um prêmio do Banco Mundial, dado pelo presidente James Wolfensohn, pela estratégia de desenvolvimento da cidade. Além disso, recebi uma doação do Fundo de Desenvolvimento Social do Japão, pelo projeto sobre realocação de pescadores de áreas de risco, para minimizar o impacto dos tufões. Mesmo estando fora do governo, por oito anos, o que começamos foi institucionalizado. Neste momento, estou trabalhando para melhorar a qualidade da educação básica. Sou mentora de não apenas uma cidade, mas de várias unidades de governo local no norte das Filipinas.

 

Quais as dificuldades de administrar uma cidade e seus problemas?

MJO - As cidades daqui são cidades de “macho”, que só olham para os homens. Sempre se pensou que apenas os homens poderiam controlar a cidade. Quando fui eleita prefeita, acharam que eu só lidaria com cultura. Então, todos se surpreenderam quando reduzimos a criminalidade, eliminamos a pesca com dinamite e acabamos com o uso de drogas pelos jovens. Assim, percebeu-se que uma mulher era tão capaz quanto um homem na administração.

 

Quais são os maiores problemas que as cidades asiáticas enfrentam?

MJO – Principalmente nas Filipinas, nos enfrentamos os impactos das mudanças climáticas. Jamais poderíamos prever quais seriam os riscos das chuvas, nós não estávamos preparados para terremotos eventuais. Nós precisamos preparar nossos cidadãos para estarem prontos e serem resilientes. Tentamos ajudar as cidades asiáticas a conseguir os meios para baixar a criminalidade e fazer com que as cidades sejam mais seguras especialmente para mulheres e populações marginalizadas. Deveríamos ter mais espaços públicos, cada cidadão deveria ter acesso a parques públicos que deveriam ser socialmente inclusivos.  Isto é um problema nas Filipinas e em algumas cidades da Ásia, em que a população é tão grande que nós não temos muitos parques verdes.  Estamos também tentando mostrar que as ruas não são apenas para os carros. Muitas cidades da Ásia são poluídas, o ar é ruim.  Eu convenci 1400 operadores a mudarem os triciclos de dois para quatro tempos e a ter uma abordagem bem holística na administração da cidade.

 

Como é possível manter a economia crescendo sem agredir o meio ambiente e a vida urbana?

MJO – Temos que ter empregos verdes. Toda vez que houver uma obra, uma construção, ela deve ser verde. Quando temos essa diretriz e as pessoas começam a investir, a economia também melhora. Por exemplo, estamos incentivando o uso de energia solar. É caro. Governos locais devem investir em energia solar porque isso possibilita uma redução do consumo de energia em até 35%.  Encorajamos investimentos em energias renováveis. Quando o dinheiro circula, a economia torna-se dinâmica.

 

Quais são as principais demandas de transporte dos filipinos?

MJO – Estamos instigando as pessoas a andarem. Se você pode andar de bicicleta, então ande de bicicleta. Se você pode usar o transporte público, então use. Existem causas básicas que nós temos para o transporte.  Uma frustração que eu tenho é que nas Filipinas nós não temos trens, nós temos um acesso muito limitado a trens. Isto é algo que nós achamos que o nosso país poderia ter.

 

O que você aprendeu como prefeita?

MJO – Você tem que aprender a comunicar, comunicar, e comunicar. Comunicação é a melhor forma de encorajar e educar pessoas. Eu também aprendi que, além da comunicar, é preciso educar. Se você comunica, você educa, e os efeitos são de longo prazo. Nós esperamos que as pessoas sejam capazes de internalizar e se apropriar da cidade, a participar da comunidade. Agora, eu sou a presidente do Conselho de Governança Multisetorial da cidade, um grande comitê de indivíduos.  Este é o meu envolvimento, pela minha cidade.

 

Quais são as suas expectativas para a Cúpula de Prefeitos e para o Congresso Internacional Cidades & Transportes?

MJO – Espero que eu possa aprender com as lições da América e que eu possa trazer estas lições para a Ásia.  E que talvez existam lições que a gente também possa compartilhar. Ficaria muito feliz em fazer isso.

 

Qual é a frase ou a ideia que você quer espalhar para o mundo?

MJO – Temos apenas um mundo, temos que cuidar dele. Podemos ter diferenças culturais, mas precisamos estar unidos para preservar o planeta.

O direito de ir e vir nas cidades

30/07/2015

Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil Estamos falando de um dos pilares do desenvolvimento de cidades ativas e saudáveis. Uma cidade acessível é aquela que garante o direito de ir e vir das pessoas, independentemente de suas condições de locomoção, e que, ao fazer isso, contribui para melhorar a qualidade de vida da população como um todo. Sabe-se, porém, que mágicas não acontecem. Para incorporar a acessibilidade no ambiente urbano, são necessárias leis amplas e contundentes e, é claro, o seu cumprimento.

A legislação brasileira referente à acessibilidade é considerada uma das mais completas do mundo. No Decreto Nº 5.296, estão elencadas diretrizes concernentes aos meios de transporte coletivo, construções e projetos, acesso à informação e habitação de interesse social, entre outros aspectos. Em 2004, ano em que foi lançado o decreto, o Brasil foi eleito pelo International Disability Rights Monitor (IDRM) um dos países mais inclusivos do continente americano.

Entretanto, mesmo com um conjunto de leis moderno e abrangente, na prática a implementação dessas normas tem se mostrado lenta e, em alguns casos, inexistente.

No Congresso Internacional Cidades & Transportes, em setembro deste ano no Rio de Janeiro, especialistas estarão reunidos para debater os entraves no cumprimento da lei e como vencê-los.

Hugo Leal, deputado federal e autor da Lei Seca; Luiz Cláudio Carvalho de Almeida, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Idoso e à Pessoa com Deficiência do Ministério Público do Rio de Janeiro; e Robin King, diretora de Desenvolvimento Urbano do WRI Ross Center for Sustainable Cities, participam da sessão “O direito a uma cidade acessível”, que discutirá como tornar as cidades ambientes mais inclusivos, onde pessoas com diferentes características antropométricas convivam com igualdade. (Saiba como acompanhar esse debate e conheça outras temáticas que serão foco de discussão durante os dois dias do #CTBR2015.)

A acessibilidade e a dinâmica dos espaços urbanos

Os espaços urbanos de uso público devem garantir que as pessoas, independentemente de idade e condição física, possam circular pela cidade. Mais do que rampas de acesso ou vagas reservadas, a acessibilidade diz respeito ao direito de ir e vir na cidade – com segurança, conforto e eficiência. Sendo assim, é essencial que esses espaços sejam mantidos em bom estado, acessíveis e adaptados às necessidades de todos

De acordo com o último censo realizado no Brasil, 45,6 milhões de brasileiros, ou em torno de 24% da população, têm algum tipo de deficiência. Destes, 13,2 milhões têm deficiência motora. Considerando o mundo inteiro, são 650 milhões de pessoas com alguma deficiência ou necessidade especial. A acessibilidade, portanto, é o fator que vai nortear a relação dessas pessoas com suas cidades, muitas vezes determinando quando e em que circunstâncias serão realizados seus deslocamentos cotidianos. As condições de circulação e acesso interferem na dinâmica dos espaços urbanos e nos usos que fazemos deles: calçadas planas, largas, sem obstruções ou pedras soltas, são mais propícias a atrair transeuntes do que aquelas degradadas ou mal pavimentadas.

Mas o que torna uma cidade acessível?

O desenho universal, que engloba os elementos arquitetônicos necessários para a acessibilidade, considera não apenas as necessidades de usuários de cadeiras de rodas, mas também de idosos, estrangeiros, analfabetos, obesos, anões, pessoas cegas ou com baixa visão, surdos e mudos, grávidas, crianças, usuários de muletas, pessoas com problemas de coluna, daltônicos, pessoas com atrite, pessoas com problemas de coração, entre outros. Todas essas características devem ser levadas em consideração para garantir o acesso pleno – à informação, aos serviços, ao transporte, às construções.

Integrar os elementos do desenho universal no planejamento urbano significa garantir inclusão social. Trata-se de um processo em que a acessibilidade precisa ser pensada de forma holística – em todas as esferas e considerando as diferentes necessidades que as pessoas podem ter. Ruas, calçadas, edificações, estacionamentos, parques e outras áreas urbanas precisam ser planejados adequadamente e de forma integrada para permitir o acesso de todos.

Exemplo brasileiro

Dada a tendência de envelhecimento da população de forma geral, a necessidade de incluir as diretrizes do desenho universal no planejamento urbano só tende a aumentar. Antecipando essa urgência, algumas cidades já trabalham para promover a acessibilidade para todos, como é o caso de Uberlândia (MG), primeira cidade brasileira a ter 100% da frota do transporte coletivo acessível e considerada pela ONU uma das 100 cidades modelo em acessibilidade no mundo.

O município mineiro tornou-se um exemplo de cidade acessível graças à criação, entre outras medidas, de leis e órgãos de fiscalização. A partir da implementação, em 2000, do Núcleo de Acessibilidade, todas as obras de uso coletivo passaram a ser vistoriadas, e nenhuma sai do papel sem um projeto de acessibilidade.

O resultado é uma cidade em que as diversas regiões são equipadas com as adaptações de inclusão necessárias e cuja população mudou seu modo de agir por meio da integração social, em larga escala, das pessoas portadoras de deficiência.

Ônibus nas ruas, ar mais limpo

29/07/2015

Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil As emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor de transportes estão crescendo mais rápido que as de qualquer outro setor no mundo. Isso significa que atividades urbanas, como deslocamentos motorizados individuais, opções insuficientes de transporte coletivo e logística de mercadorias mal planejada, precisam ser repensadas para um modelo mais eficiente em termos de consumo energético, porque as consequências à saúde humana e ao meio ambiente são graves.

Nessa transição, a tecnologia tem um papel essencial: tornar o transporte mais sustentável, especialmente o coletivo – elemento-chave para a mitigação das emissões. Alguns exemplos já comprovados mostram os efeitos positivos em apostar numa frota de ônibus mais limpa para as cidades.

Em Brasília, por exemplo, no ano passado, a renovação completa da frota de ônibus, cuja idade média era alta, trouxe um saldo positivo para a qualidade do ar e saúde dos cidadãos. Uma análise feita pelo WRI Brasil | EMBARQ Brasil mostra que a medida, conjuntamente à reestruturação das linhas do transporte coletivo local e ao início das operações do sistema BRT (Bus Rapid Transit) Expresso DF, tem potencial para reduzir 55% das emissões de GEE, o equivalente a 200 mil toneladas por ano.

Agora, a frota do transporte coletivo em Brasília possui a tecnologia Euro5, com diesel de baixo teor de enxofre, que emite menos poluentes locais. Com isso, somente em material particulado, a redução é de 95% em emissões, equivalente a 95 toneladas por ano. O estudo levou em consideração os principais poluentes locais do Distrito Federal: CO, NOx, HC, MP – e o CO2, principal poluente do efeito estufa.

Outra cidade que apostou na renovação da frota foi Curitiba. Desde 2005, os veículos adquiridos deveriam ter a tecnologia Euro III, cuja combustão é menos prejudicial que modelos mais antigos. Ao longo de seis anos, a capital paranaense incorporou quase a totalidade da sua frota em veículos com esta tecnologia. São 1915 ônibus com idade média de 4,6 anos, que resultaram em 35,7% menos emissões que o limite estabelecido pela legislação brasileira. No ano passado, por exemplo, foram feitos 3.153 testes de opacidade, uma média de 12 testes por dia, em todo o sistema. Os bons resultados com a operação deste sistema foram somados, recentemente, à incorporação de veículos híbridos na frota no ano de 2012, o “Hibribus". Movido a eletricidade e diesel, ele substituiu 10 veículos da Linha Interbairros nos dois sentidos.

Cada localidade, porém, possui características únicas no ar que, combinadas com determinado tipo de combustível, resultam em diferentes impactos nas emissões. Uma pesquisa feita por Magdala Arioli, Coordenadora de Projetos de Transporte e Clima da EMBARQ Brasil, e Erin Cooper e Aileen Carrigan, especialista de Clima do WRI Ross Center for Sustainable Cities, buscou desvendar alguns dos impactos dessas combinações no Brasil e na Índia.

A pergunta norteadora do estudo foi a seguinte: qual é o melhor combustível para reduzir as emissões de poluentes? Magdala explica os resultados. “Uma única tecnologia não é a solução para a redução das emissões de poluentes locais e de efeito estufa. No Brasil, por exemplo, descobrimos que o uso do Biodiesel associado a tecnologias de pós-tratamento de gases, e até mesmo o Diesel com baixo teor de enxofre associado à mesma tecnologia de pós-tratamento de gases é mais eficiente. Já no contexto indiano, o melhor desempenho em termos de emissões que encontramos foi o GNV (gás natural veicular) associado a tecnologia de pós-tratamento de gases”.

O tema será debatido no Congresso Internacional Cidades & Transportes, dias 10 e 11 de setembro, no Rio de Janeiro. Inscreva-se agora!

Cidades para pessoas: o presente e o futuro da mobilidade

24/07/2015


Foto: Justin Sovich/Flickr Foto: Justin Sovich/Flickr É o final do século XIX. Quando o automóvel surge e começa a ser comercializado, as cidades gradativamente remodelam-se de forma a abrir espaço para a nova promessa de mobilidade que se concretizava com as quatro rodas motorizadas. A possibilidade de se deslocar rapidamente de um ponto a outro era uma conveniência que chegava para facilitar a vida dos que tinham condições de acessar o novo modal. Aos poucos, os carros aumentaram em número e tomaram conta do espaço das ruas e, no geral, das próprias cidades, fazendo crescer com eles a infraestrutura característica das áreas urbanas, que desde então se desenvolveram seguindo um modelo “carrocêntrico”.

O crescimento sem planejamento cria cidades dispersas e aumenta as distâncias, estimulando o uso do carro para percorrê-las e muitas vezes inviabilizando outros modais. Hoje, com a frota de automóveis estimada a atingir a marca de 2,5 bilhões até 2050, a imobilidade nas ruas congestionadas e a fumaça dos escapamentos, cidades de diversas partes do mundo começam a enfrentar o problema e a pensar em soluções para desenvolver ambientes urbanos mais sustentáveis.

Para que essa mudança seja possível, contudo, desafios políticos, econômicos e culturais precisam ser superados. Com o objetivo de debater ações para vencer os obstáculos que ainda entravam a construção de cidades para pessoas, especialistas de diferentes países estarão reunidos, em setembro, no Congresso Internacional Cidades & Transportes. Alexandros Washburn, diretor do Centro para a Resiliência Costeira e Excelência Urbana (CRUX) do Stevens Institute of Technology; Marina Klemensiewicz, secretária de Habitação e Inclusão de Buenos Aires; Ricardo Montezuma, diretor da Fundación Ciudad Humana; Javier Garfio Pacheco, prefeito de Chihuahua (México); e Clarisse Cunha Linke, diretora executiva do ITDP Brasil, participam da sessão “Cidades pensadas para pessoas”, a fim de discutir exemplos bem sucedidos e lições aprendidas por diferentes cidades que já começaram a percorrer esse caminho.

 

Cidades que se transformaram para as pessoas

Caminhar é o modo mais democrático de se locomover e, mais do que isso: é apropriar-se do espaço urbano, perceber a cidade e fazer parte dela. Repensar a mobilidade de forma a priorizar as pessoas e os deslocamentos ativos aos poucos se torna uma diretriz para áreas urbanas em diferentes partes do mundo. Conheça os exemplos de quatro cidades que trabalham para garantir acessibilidade, segurança e conforto aos pedestres em seus caminhos e, assim, avançar rumo a um futuro de cidades pensadas para pessoas.

 

Copenhague, Dinamarca

A capital dinamarquesa é mundialmente famosa pelo uso da bicicleta como meio de transporte – mais da metade da população de Copenhague pedala para o trabalho todos os dias. A cidade também foi vanguarda no movimento de pedestrianização e implementou suas primeiras zonas exclusivas para pedestres já na década de 1960. Hoje, esses espaços estão espalhados pela cidade, e os diferentes modais convivem no espaço urbano. A transformação de Copenhague foi pautada pelo trabalho do arquiteto Jan Ghel, a partir do entendimento de que a priorização do pedestre e do transporte ativo é fundamental para qualificar a mobilidade e construir uma cidade melhor para as pessoas.

 

Helsinque, Finlândia

O plano de Helsinque é criar uma cidade de bairros mais densos, caminháveis e conectados, com prioridade para os modais ativos e coletivos. O objetivo que os deslocamentos cotidianos sejam viáveis a pé ou de bicicleta e a posse de um carro se torne desnecessária. Para isso, um aplicativo em fase de testes permite que as pessoas “encomendem” na hora um táxi ou uma bicicleta do programa de compartilhamento local ou encontrem as linhas de ônibus e trem mais próximas. A lógica é: quanto mais pessoas na cidade, menos carros serão permitidos nas ruas.

 

Bogotá, Colômbia

A transformação de Bogotá foi liderada pelo ex-prefeito Enrique Peñalosa, que, ao longo de seus anos de gestão, trabalhou para mudar a cara da cidade e fazer da capital colombiana um exemplo de priorização das pessoas no ambiente urbano. Bogotá, hoje, conta com 376 quilômetros de ciclovias, ruas arborizadas, parque e espaços públicos revitalizados, programa habitacional, milhares de metros quadrados de calçadas recuperadas e fortes políticas de gestão de demanda de viagens, além da restrição de estacionamentos e veículos nas ruas. Tudo isso faz com que a cidade ainda seja reconhecida mundialmente pela inovação em mobilidade urbana e justiça social.

 

Paris, França

No centro da capital francesa, não moradores já não podem circular de carro nos finais de semana, e a tendência é que a medida passe a valer para o resto da semana. Ao longo dos últimos anos, vem implementando diversas medidas para estimular o uso dos modais ativos e sustentáveis e reduzir os congestionamentos e emissões na cidade. A meta da prefeita Anne Hidalgo é dobrar o número de ciclovias até 2020, acabar com os carros a diesel e reservar algumas vias apenas para modelos elétricos ou de baixa emissão. Os resultados, aos poucos, começam a aparecer: de 2001 para cá, o índice de parisienses que não possui um veículo individual passou de 40% para 60%. Atualmente, 32% dos deslocamentos cotidianos são feitos a pé e a cidade conta com pelo menos 560 quilômetros de Zonas 30

Planos de mobilidade: transporte sustentável em 1º lugar

22/07/2015


Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil O ano de 2012 marcou uma nova e importante etapa para as cidades brasileiras, quando a Política Nacional de Mobilidade Urbana entrou em vigor. A partir da nova legislação, espera-se reestabelecer a configuração da mobilidade com o transporte coletivo e sustentável no topo das prioridades.

Pela primeira vez, o país recebeu uma injeção de R$ 30 bilhões advindos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para que mais de 60 cidades tornassem projetos de mobilidade urbana uma realidade e melhorassem a vida da população. A condição para acessar os recursos, contudo, exigia que os municípios a partir de 20 mil habitantes e integrantes de regiões metropolitanas deveriam entregar seus planos de mobilidade até abril de 2014.

Nem todos cumpriram a norma, prejudicando futuros projetos, mas outros trabalharam para desenvolver planos consistentes em tempo hábil. Dois exemplos vêm do estado de Santa Catarina. É o da cidade de Joinville e o da região da Grande Florianópolis, onde o desenvolvimento dos planos contou com um apoio-chave, a população, e também com o auxílio de especialistas internacionais para solucionar problemas locais. Conheça um pouco sobre essas histórias.

Colaboração e visão para o PlanMob Joinville

Com 500 mil habitantes, Joinville é o município mais populoso do estado. No horizonte, a ambição de se tornar uma cidade onde os deslocamentos a pé, por bicicleta e transporte coletivo sejam a primeira opção dos moradores. A visão foi preponderante para a construção de um plano ambicioso, voltado mais às pessoas e menos ao transporte individual motorizado.

Sancionado em março deste ano pelo prefeito Udo Döhler e pelo Ministro das Cidades, Gilberto Kassab, o PlanMob Joinville foi construído a múltiplas mãos, com participação ativa da população e apoio técnico do WRI Brasil | EMBARQ Brasil na metodologia e melhores práticas. Algumas das metas:

  • Transporte a pé: 15 minutos será o tempo máximo de caminhada para acessar áreas verdes urbanas de lazer e recreação; cortar pela metade o número de acidentes e de vítimas fatais no trânsito até 2020.
  • Bicicleta: implantar 730 km de vias cicláveis até 2025; obter 20% dos deslocamentos por bicicleta até 2025.
  • Ônibus: ter 40% de deslocamentos por ônibus até 2030; obter 50% de aumento na velocidade operacional média até 2025.

Um novo fôlego para a Grande Florianópolis

O PLAMUS - Plano de Mobilidade Urbana da Grande Florianópolis foi um estudo de um ano que mapeou desafios e propôs soluções para a mobilidade urbana dos 13 municípios da região metropolitana: Anitápolis, Rancho Queimado, São Bonifácio, Angelina, Antônio Carlos, Águas Mornas, São Pedro de Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz, Biguaçu, Governador Celso Ramos, São José, Palhoça e Florianópolis. O WRI Brasil | EMBARQ Brasil apoiou a comunicação e as oficinas de participação social do projeto, pontos-chave em seu desenvolvimento.

De acordo com o estudo, 1,7 milhão de viagens são realizadas por dia na região metropolitana. Destas, 48% por automóvel ou motocicleta – índice bem superior à média nacional de 38% – 24% por transporte coletivo e 25% a pé ou bicicleta. Outros números que impactam são em relação ao aproveitamento do espaço na ponte que liga a ilha ao continente. 75% dos deslocamentos são feitos por carros, que ocupam 90% da capacidade da ponte, e 3% são por ônibus, que levam 10 mil pessoas por hora e ocupam apenas 1% da capacidade.

Para mitigar a mobilidade urbana, estão previstos investimentos em transporte coletivo de qualidade e boas calçadas para incentivar trajetos a pé e o uso da bicicleta. No total, estão previstos 70 km de corredores exclusivos ao ônibus nas regiões norte, sul e leste da ilha e também no continente, com R$ 411 milhões já alocados pela Caixa. A capital catarinense também contará com o SAO – Sistema de Apoio à Operação, um controle de operação com tecnologia para gerenciar a operação, além de um Sistema de Informação ao Usuário através de aplicativo para smartphones com rotas, linhas que passam na região e horário dos ônibus.

Quais são as nações mais poluentes do mundo?

15/07/2015


Foto: World Bank Photo Collection/Flickr Foto: World Bank Photo Collection/Flickr Cento e noventa nações, um só futuro. A COP 21, Conferência do Clima das Nações Unidas que ocorrerá em dezembro na França, deve selar um acordo universal de ação climática a fim de manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC. A participação e o comprometimento de 190 países reunidos em Paris será a chave para que o novo marco climático, em substituição ao Protocolo de Kyoto em 2020, vislumbre um futuro de baixo carbono para a sobrevivência da terra.

As mudanças climáticas já são realidade, e as emissões de gás carbônico precisam desacelerar. Apresentamos, neste artigo, os dez países mais poluentes do mundo e o perfil de emissões de alguns deles. Seis são economias ainda em desenvolvimento, onde as consequências das mudanças climáticas ressoarão mais fortemente, especialmente entre os mais pobres.

O World Resources Institute (WRI) criou uma ferramenta específica para ajudar a compreender a origem de emissões entre os maiores emissores - que, juntos, emitem 72,28% dos gases de efeito estufa em todo o planeta. Vale lembrar que apenas metade da lista de dez nações já submeteu sua Contribuição Nacionalmente Determinada, ou INDC, na sigla em inglês. A INDC é um pré-compromisso em que os países indicam metas e intenções para as negociações da COP21. Outra ferramenta do WRI está mapeando as submissões de cada país.

Confira quais são as nações mais poluentes do mundo:

1º - China

INDC: enviada

O tamanho e o rápido crescimento econômico tornam a China uma importante potência econômica. Mas o desempenho que o país teve até aqui traz desafios enormes, especialmente pelo crescimento populacional. O país é lar para 20% da população, com 1,3 bilhão de habitantes, e é também o maior emissor de poluentes do mundo. Suas emissões, como mostra o infográfico do WRI, vêm principalmente do setor de energia, assim como na maioria dos países da lista. A China emite 8649.8 Mt CO₂e  em energia, equivalente a 20% das emissões globais desse setor. O compromisso do país asiático é começar a declinar a curva de emissões a partir de 2030.

2º - Estados Unidos

INDC: enviada

Os Estados Unidos contribuem com 14.4% das emissões globais, e o consumo de energia norte-americano não está muito abaixo do chinês, com 5460.6 Mt CO₂e. Recentemente, os dois grandes emissores mundiais selaram acordo climático para reduzir suas emissões. O compromisso dos EUA é reduzir as emissões em 28% até 2025, tomando os níveis de 2005 como parâmetro. A potência também firmou acordo bilateral com o Brasil. Entre os compromissos, está a inclusão de 20% de fontes renováveis na matriz energética.

3º - União Europeia

INDC: enviada

Juntos, os 28 países membros da União Europeia, que incluem países como Alemanha, França, Reino Unido, Portugal, entre outros, ocupam a terceira posição no ranking de emissores. Energia, agricultura, indústria e resíduos são as fontes de consumo predominantes. O bloco, vale ressaltar, está progredindo para reduzir 20% das emissões, em comparação ao ano de 1990, até 2020 .

4º - Índia

INDC: não enviada

A Índia abriga 17,5% da população mundial, com 1,2 bilhão de pessoas. Nas áreas urbanas, estima-se que haverá 590 milhões de residentes até 2030 – o país é o terceiro maior emissor do mundo. Assim como outros países em desenvolvimento, as cidades indianas enfrentam gargalos de infraestrutura e serviços urbanos que prejudicam a economia, mas o crescimento urbano não planejado tem impactos negativos sobre as condições climáticas e a qualidade de vida.

5º - Rússia

INDC: enviada

6º - Japão

INDC: não enviada

7º - Brasil

INDC: não enviada

Sétimo país mais emissor do mundo, o Brasil recentemente firmou acordo climático bilateral com os Estados Unidos, que inclui metas como 20% na inclusão de fontes renováveis na matriz energética brasileira e fim do desmatamento ilegal. Iniciativas para mitigar as mudanças climáticas são fundamentais, uma vez que o país pode deixar de apresentar o bom desempenho na redução de emissões que vinha mostrando até agora. As emissões brasileiras, ao contrário dos líderes do ranking, estão divididas quase igualmente entre os setores de energia, com 469.7 Mt CO₂e, e agricultura, com 444.4 Mt CO₂e. Indústria e resíduos também são fontes de emissão no Brasil.

8º - Indonésia

INDC: não enviada

9º - México

INDC: enviada

10º - Irã

INDC: não enviada 

Cidades se preparam para a ação

Ciente da importância de agir localmente para a mitigação das emissões globais, o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e a atual prefeita de Paris, Anne Hidalgo, anunciaram a criação de um evento destinado a prefeitos e líderes locais: a Cúpula do Clima para Líderes Locais. De fato, a iniciativa é crucial para o sucesso da ação climática, uma vez que áreas urbanas ocupam somente 2% do território terrestre, mas respondem por 70% da emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Bloomberg e Hidalgo afirmam, em artigo, que quanto mais empoderadas forem as cidades, maiores esforços nacionais serão feitos. O papel das cidades na mitigação das mudanças climáticas foi tema do primeiro post sobre mudanças climáticas deste mês no #NossaCidade, do TheCityFix Brasil.

Sam Adams: “Trabalhamos duro para ter certeza de que estávamos fazendo o bem para o ambiente e para a economia"

13/07/2015

Sam Adams, ex-prefeito de Portland (EUA) e Diretor da Iniciativa Climática do WRI, acredita que um planejamento estratégico e integrado é o caminho mais eficiente para um futuro sustentável. Foi desse modo que, durante seu mandato de 2009 a 2012, conseguiu implementar o Plano de Ação pelo Clima, alinhado ao plano de desenvolvimento econômico de Portland. Foram definidas metas claras de redução de emissão para cada setor para que se atinja o grande objetivo de reduzir em 80% a emissão de gases de efeito estufa até 2050.

Sam Adams será um dos palestrantes da Cúpula de Prefeitos e do Congresso Internacional Cidades & Transportes, eventos que acontecerão em setembro no Rio de Janeiro.  O especialista irá participar da sessão “Cidades na Nova Economia do Clima” para discutir as possibilidades de desenvolvimento às áreas urbanas baseadas em uma economia de baixo carbono.

Os eventos são organizados por WRI Brasil | EMBARQ Brasil e celebram seus 10 anos de trabalho no país. Confira a programação e faça sua inscrição para o Congresso Internacional Cidades & Transportes.

Leia a entrevista exclusiva com Sam Adams.

 

Quais são os principais desafios que as cidades enfrentam hoje? Como atender as necessidades do século XXI?

Sam Adams - Os desafios-chave que as cidades enfrentam são as demandas por serviços que ultrapassam os recursos necessários para provê-las. As cidades enfrentam desafios crescentes de infraestrutura para mobilidade e transporte público, saneamento, alimentação; os impactos das mudanças climáticas como condições meteorológicas mais severas, secas, enchentes, nevascas e ondas de calor; crescimento da disparidade entre ricos e pobres e a pressão sobre as famílias da classe média.

O encaminhamento destes problemas requer que as cidades adotem uma abordagem integrada na resolução dos problemas e trabalhem para melhorar a infraestrutura local, com o objetivo de proporcionar benefícios múltiplos. Por exemplo, não só tentando estimular mais pessoas a usarem o transporte público, mas também para reduzir a quantidade de viagens como um todo por meio da construção de uma vizinhança completa no entorno das estações de transporte que incluam diversos tipos de renda.

 

Nós todos sabemos que não é fácil fazer mudanças na cidade, visto a grande quantidade de interesses em jogo.  Quais foram as principais forças que você teve que enfrentar? Como você se saiu?

SA - Eu fui prefeito durante a recessão. A primeira parte do mandato foi de recessão econômica em que vivemos uma perda de postos de trabalho significativa, com aumento de pessoas desabrigadas e cortes orçamentários. A primeira tarefa foi tentar encontrar recursos de forma criativa e mais econômica para prestar assistência àqueles que estavam enfrentando os piores impactos da recessão econômica. Olhei não só para as oportunidades dentro do governo da cidade para ser mais eficiente e eficaz, mas também para todos os outros governos que trabalhavam com o governo de Portland, para colocá-los juntos para trabalhar de uma forma mais integrada e estratégica na prestação de serviços públicos.

 

Você poderia dar um exemplo de ação bem-sucedida relacionada ao plano estratégico?

SA - Quando fui eleito, percebi que o planejamento e orçamento dos transportes não estavam coordenados. Então você tinha o VLT e o sistema de ônibus; o sistema regional que não era ofertado pelo governo da cidade, que era responsável pelas ruas, pelo sistema dos carros nas ruas e pelos programas de bicicletas e pedestres. Todos estes programas eram bem intencionados, mas não estavam considerando a oportunidade de melhorar a integração e cooperação. Então passamos a decidir as prioridades sobre uma base anual de investimentos. Muitas vezes tivemos cortes na agência de trânsito e nos programas de incentivo ao uso de bicicletas, sem olhar o impacto desproporcional que estas decisões estavam tendo. Então, colocamos todos juntos para começar a olhar a estratégia anual, avaliando as prioridades de investimento e de orçamento.

 

Portland reduziu suas emissões de gás carbônico em cerca de 11% entre 1990 e 2013. Quais iniciativas que contribuíram para alcançar esta marca?

SA – O Plano de Ação pelo Clima foi aprovado enquanto fui prefeito.  Foi uma construção de esforços para o começo de uma economia de baixo carbono. Estabelecemos uma meta de redução de emissões de GEE para cada setor e, em seguida, tínhamos ações específicas para cada um destes setores.  Então, por exemplo, com o lixo e os aterros sanitários, fizemos uma grande mudança nos serviços que prestamos em relação à reciclagem e compostagem. Passamos de uma coleta de lixo semanal para uma coleta a cada duas semanas. Este programa, depois de alguns anos, reduziu a quantidade de lixo enviado para os aterros em 34%. Durante minha gestão no Conselho da Cidade, construímos 120 km (75 milhas) de ciclovias e fomos capazes de calcular a redução nas emissões de GEE como resultado do aumento do número de viagens feitas com bicicleta na cidade. Fomos capazes de fornecer meios baratos e mais seguros para as pessoas se locomoverem em Portland. Essas iniciativas realmente trazem benefícios na vida real.

 

Portland é considerada uma das cidades mais sustentáveis do mundo. Quais são as características consideradas e quais as dificuldades enfrentadas?

SA - É uma combinação dos nossos resultados com as nossas ações. O fato de termos uma estratégia atualizada regularmente foi um atributo-chave para que Portland fosse reconhecida como uma cidade sustentável: ter uma estratégia, ter métricas e realizar regularmente um inventário de emissões.

Os desafios estão sempre por perto. A percepção de que você tem que escolher entre fazer o bem para o clima e o meio ambiente ou fazer o bem para a economia e o emprego é falsa. Trabalhamos duro para ter certeza de que enquanto estávamos fazendo o bem para o ambiente também fazíamos o bem para a economia. É um desafio que as pessoas ainda pensam que é preciso escolher entre os dois. Além disso, a política nacional não é sempre consistente, nem sempre são favoráveis as ações locais com relação às ações climáticas e aos esforços de baixo carbono. O desafio é a falta de políticas de apoio. Às vezes, a política é obstruída e às vezes é a falta dela que é o desafio.

 

Qual foi a lição mais importante que você aprendeu como prefeito?

SA – Agir sem uma estratégia abrangente é quase sempre mais caro e menos eficaz. Ter uma estratégia ampla e um plano estratégico para sua cidade, um plano de ação climática, uma estratégia de desenvolvimento econômico torna mais fácil seguir e completar uma iniciativa de ação climática. Assim, mantemos um nível elevado e as pessoas reconhecem o valor, de que não estamos apenas fazendo a ação climática pela ação climática: também estamos tentando melhorar a casa das pessoas e sua educação, sua prosperidade e equidade. Uma estratégia e uma abordagem integradas são chave.

 

Qual é a frase ou ideia que você gostaria de espalhar para o mundo?

SA – Planejamento holístico e inteligente, foco nos locais e nas pessoas para uma cidade próspera, educada, saudável e equitativa.

 

O equilíbrio entre crescimento econômico e o combate às mudanças no clima

08/07/2015

Por Priscila Pacheco

Foto: Ed Yourdon/Flickr Foto: Ed Yourdon/Flickr As cidades ocupam 2% do território mundial, mas são responsáveis por 70% das emissões de poluentes em todo o mundo. São também elas, as cidades, que devem abrigar 2,5 bilhões de pessoas a mais até 2050. Diante disso, garantir que os espaços urbanos em crescimento sejam economicamente vibrantes e ambientalmente sustentáveis requer uma nova perspectiva de desenvolvimento.

As mudanças climáticas são uma realidade a ser encarada, e as decisões tomadas hoje vão determinar o futuro do sistema climático no mundo: se não houver ação imediata, a temperatura média no planeta pode estar 4°C mais alta até o final deste século, com impactos extremos e potencialmente irreversíveis para a vida terrestre. Mesmo com um cenário preocupante, as cidades têm o potencial de mudar os paradigmas do desenvolvimento ao conciliar crescimento econômico e sustentabilidade.                    

O papel das cidades no combate às mudanças climáticas estará em debate em setembro, no Congresso Internacional Cidades & Transportes, com a participação de Sam Adams, ex-prefeito de Portland (EUA); Rachel Biderman, diretora do WRI Brasil; Nelson Franco, gerente de Mudanças Climáticas da Prefeitura do Rio de Janeiro; e Délio Malheiros, vice-prefeito e Secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte. A discussão ganha o suporte do relatório de 2015 da New Climate Economy, lançado na terça-feira (7) pela Comissão Global de Economia e Clima.

O documento traz um plano de ações globais e mostra que é possível combater as mudanças no clima sem abrir mão do crescimento econômico. Com o título de Seizing the Global Opportunity, o relatório apresenta 10 recomendações que cidades e tomadores de decisão podem adotar para melhorar o clima e o crescimento simultaneamente. 

1. Impulsionar o desenvolvimento de baixo carbono nas cidades

As cidades devem se comprometer a desenvolver e implementar estratégias de desenvolvimento de baixo carbono até 2020, priorizando políticas de investimentos em modais de transporte coletivos, não-motorizados e sustentáveis e o uso de energia renovável. Além disso, devem investir no planejamento urbano sustentável, na medida em que cidades conectadas e compactas crescem com mais força, criam mais empregos e contribuem para diminuir a desigualdade, bem como melhorar a qualidade de vida por meio da redução da poluição e dos congestionamentos. (Saiba mais sobre o Desenvolvimento Urbano Orientado pelo Transporte Sustentável.)

2. Recuperar e proteger as paisagens agrícolas e florestais e melhorar a produtividade na agricultura

Governos, instituições financeiras, investidores e o setor privado devem trabalhar juntos para impulsionar o financiamento do uso sustentável do solo, a fim de alcançar a meta global de acabar com o desmatamento e recuperar pelo menos 500 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030.

3. Investir pelo menos US$ 1 trilhão por ano em energia limpa

Para reduzir os custos da energia limpa e catalisar investimentos privados, bancos de desenvolvimento nacionais e multilaterais precisam reforçar sua colaboração com os governos e com o setor privado. Além disso, devem estabelecer seus próprios compromissos, com o objetivo de atingir um total global de investimento de pelo menos 1 trilhão de dólares por ano em eficiência energética até 2030.

4. Elevar os padrões de globais de eficiência energética

O G20, assim como outros países, deve elevar seus padrões de eficiência energética em setores-chave até 2025. O G20 também precisa desenvolver uma plataforma global para alinhar e continuamente melhorar esses padrões.

5. Implementar uma taxação de carbono efetiva

Tanto economias desenvolvidas quanto emergentes devem se comprometer a implantar ou fortalecer a taxação de carbono até 2020, bem como a acabar com os subsídios a combustíveis fósseis. Estabelecer preços de carbono fortes e crescentes são uma medida importante para orientar o consumo e os investimentos e infraestrutura e inovação; os fundos gerados com essa taxação podem ser usados para apoiar famílias de baixa renda ou até mesmo levar à redução de outros impostos.

6. Assegurar que novas infraestruturas sejam climate-smart

Países desenvolvidos e em desenvolvimento precisam adotar alguns princípios chave para assegurar que as metas para o clima e o risco imposto pelas mudanças climáticas sejam levados em consideração no desenvolvimento de políticas e planos nacionais. Esses princípios devem ser incluídos na Iniciativa Global de Infraestrutura do G20 e podem ser usados para guiar estratégias de investimento dos setores público e privado.

7. Estimular a inovação de baixo carbono

Pensando na redução de emissões e no crescimento no período pós 2030, governos de países emergentes e desenvolvidos devem começar a trabalhar juntos, entre si e com o setor privado, a fim de firmar parcerias para desenvolver a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia de baixo carbono.

8. Gerar o crescimento de baixo carbono por meio de ações de empresas e investidores

Todas as grandes empresas devem estabelecer metas de redução de emissões de curto e longo prazo e implementar planos de ações. Os grandes setores industriais devem entrar em acordo a respeito de roteiros de transformação do mercado, em consonância com o processo de “descarbonização” da economia global.

9. Elevar a ambição de reduzir as emissões internacionais nos setores marítimo e de aviação

As emissões provenientes dos setores marítimo e de aviação precisam ser reduzidas – por meio da implementação de medidas e padrões de eficiência para as aeronaves e do estabelecimento de padrões de eficiência dos combustíveis no setor marítimo.

10. Diminuir o uso de hidrofluorocarbonetos (HFCs)

Os hidrofluorocarbonetos, usados como refrigerantes, solventes, na proteção contra incêndios e em espumas isolantes, são os gases de efeito estufa que mais crescem no mundo, em uma taxa de 10% a 15% por ano. Substituir esses gases por alternativas mais verdes gera baixos custos e pode resultar em economia financeira e de energia.

***

Na medida em que abrigam parcelas cada vez maiores da população, as cidades são os locais onde a mudança deve acontecer. Ao adotar um modelo de planejamento 3C – conectado, compacto e coordenado –, os centros urbanos têm a oportunidade de garantir o desenvolvimento econômico sustentável e, ao mesmo tempo, contribuir para amenizar os efeitos das mudanças climáticas.

Felipe Calderón, ex-presidente do México e presidente da Comissão Global de Economia Clima, em entrevista ao TheCityFix, enfatiza a necessidade de repesarmos o crescimento urbano como forma de mitigar as mudanças no clima: “Precisamos construir nova infraestrutura urbana e precisamos fazer isso de forma a criar cidades mais compactas e bem conectadas. A maneira com que construímos nossas cidades e sistemas de transporte vai determinar seu desempenho econômico, a qualidade de vida de quem vive nelas e a quantidade de emissões de gases de efeito estufa ao longo das próximas décadas”.

 

 

 

Encontros reúnem líderes municipais para debater mudanças climáticas

07/07/2015

(Foto: Secretaria de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro/Flickr) (Foto: Secretaria de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro/Flickr) Enchentes, desmoronamentos, secas, ondas de calor. Consequências das mudanças climáticas, os eventos extremos afetam comunidades inteiras e são cada vez mais recorrentes. Embora presumam medidas abrangentes de mitigação, contam com grandes aliadas locais: as cidades. Cada vez mais, gestores urbanos têm um papel crucial para frear esta realidade, já que, globalmente, cidades são responsáveis por 70% das emissões de carbono. As decisões tomadas hoje nas áreas urbanas vão impactar o futuro desta e próximas gerações.

Com esse norte, líderes urbanos brasileiros estão se articulando para buscar soluções e políticas de incentivo ao desenvolvimento sustentável. Em setembro deste ano, secretários municipais de meio ambiente de todo o país estarão reunidos no Rio de Janeiro para debater os planos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Ao lado deles, especialistas nacionais e internacionais fomentarão um debate ainda mais qualificado.

O encontro ocorrerá durante o Congresso Internacional Cidades & Transportes, dia 11 de setembro, realizado por WRI Brasil | EMBARQ Brasil. Entre os participantes confirmados, estão Délio Malheiros, de Belo Horizonte, e Nelson Franco, do Rio de Janeiro, além de secretários de todas capitais brasileiras. Além deles, participarão Rachel Biderman, diretora executiva do WRI Brasil, Alice Baldo, da Future Cities Catapult, e Guilherme Jonhston, da Embaixada Britânica. O painel será moderado por Laura Valente, consultora do WRI Brasil.

É a oportunidade para que gestores troquem experiências e pensem soluções conjuntas, unam conhecimentos e intensifiquem a cooperação entre cidades.

Titulares do meio ambiente das capitais brasileiras também estiveram reunidos, na última semana, durante o Fórum CB27, do qual o World Resources Institute (WRI) é parceiro. Foramdebatidos projetos e desafios para um futuro de baixo carbono. O encontro também contou com a participação do Ministério das Relações Exteriores e do WRI Brasil | EMBARQ Brasil.

Na ocasião, a gerente de Relações Estratégicas da EMBARQ Brasil, Daniely Votto, apresentou boas práticas de transporte e desenvolvimento urbano que contribuem com cidades mais compactas e menos viagens motorizadas. É o caso, por exemplo, do Move, sistema BRT (Bus Rapid Transit) de Belo Horizonte, e do programa Minha Casa Minha Vida na cidade de Rio Grande, que está em implantação dentro dos princípios do Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Sustentável – ambos com apoio técnico da organização. Laura Valente, consultora do WRI Brasil, apresentou o GHG Protocol, uma ferramenta global do WRI utilizada por governos e empresas para compreender, quantificar e gerenciar as emissões de GEE.

Confira a programação do Congresso Internacional Cidades & Transportes e inscreva-se.

Cidades na nuvem de informações

03/07/2015

 Por Luísa Zottis

(Foto: City Clock Magazine) (Foto: City Clock Magazine)

Os dados, hoje, nos permitem chamar um táxi pelo celular, descobrir o restaurante mais próximo ou achar a melhor rota. Essas valiosas informações reunidas e organizadas podem ser traduzidas em soluções para as nossas cidades, criando impactos positivos e de larga escala na vida urbana.

É isso que a cidade São Paulo fez, por exemplo, ao estabelecer uma política de open data com a mobilidade urbana. Com isso, veio uma onda de aplicativos como o Moovit, Waze, Cadê meu Ônibus, entre outros que fornecem informação ao usuário do transporte coletivo. A cidade criou também um laboratório para fomentar a inovação em mobilidade, o MobiLab. Lá, técnicos da prefeitura, universidades e start-ups podem, juntos, pensar em soluções para a cidade. É um processo novo, complexo, mas que já está ocorrendo. “São desafios tecnológicos pesados, que lidam com big data, e que aumentariam muito a capacidade de planejar a mobilidade urbana da cidade”, pontuou Ciro Biderman, responsável pelo MobiLab, em entrevista ao blog.

Melhorar a vida urbana e empoderar cidadãos. Os dados oferecem uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que permitem o desenvolvimento de aplicativos e plataformas de informação às pessoas, são chave para um planejamento urbano eficiente e assertivo por parte dos gestores públicos.

Tecnologia na mão, soluções rápidas

Eleito melhor aplicativo urbano do mundo, o Colab.re conecta cidadãos a gestores públicos no intuito de aprimorar os serviços públicos. É uma troca que possibilita, ao mesmo tempo, que cada pessoa vire um “fiscal” da cidade, avaliando a gestão pública e apontando falhas nos serviços públicos e irregularidades (como o poste estragado ou o carro estacionado em local proibido), e que os gestores públicos tenham capacidade de agir rapidamente ao chamado, enviando um técnico ao local, e mesmo consultando cidadãos sobre questões da cidade.

A tecnologia é uma realidade e tem um papel claro na construção de cidades mais inteligentes. Mas os dados precisam ser utilizados de forma integrada e inteligente para, de fato, impactarem a realidade. Na prática, há que analisar os dados existentes a fim de compreendê-los e criar estratégias para novas soluções e mensurá-las periodicamente.

Outro exemplo vem de Barcelona, que está utilizando a Internet de Todas as Coisas para conectar ônibus, carros, estacionamentos, sensores, de forma integrada para um uso mais eficiente de recursos. A Cisco explica como as cidades podem se valer dela para aprimorar a gestão urbana neste infográfico. Em evento do WRI Brasil | EMBARQ Brasil, Nina Lualdi, diretora da Cisco, reforçou que tecnologia deve ser pensada “com foco nas pessoas, em como melhorar a vida delas. Essa é sua verdadeira utilidade”.

Cidades na nuvem de informações

No Congresso Internacional Cidades & Transportes (#CTBR2015), dias 10 e 11 de setembro no Rio de Janeiro, o painel “Cidades na Nuvem de Informações” vai explorar a questão. Ele contará com a participação de Ciro Biderman (SPTrans-MobiLab), Gustavo Maia (Colab.re), Nina Lualdi (Cisco) e Cesar Taurion (Litteris Consulting), para debater sobre como utilizar os dados no planejamento, operação e gestão das cidades e como transformar inteligência nas cidades em cidades inteligentes. Inscreva-se!

Cidades pela ação climática

01/07/2015

Por Luísa Zottis e Magdala Arioli.

  (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil) (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil) As mudanças climáticas deixaram de ser exclusivamente objeto científico e passam cada vez mais a entrar nos noticiários e rodas de conversa. Nas duas últimas semanas, pelo menos 1,2 bilhão de católicos, além de pessoas de todas as crenças pelo mundo, ouviram sobre a Encíclica ambiental lançada pelo Papa Francisco em apelo ao desenvolvimento de baixo carbono. Em setembro, a pauta também será discutida no Congresso Internacional Cidades & Transportes, no Rio de Janeiro.

A ação é agora. Em dezembro deste ano, a Conferência do Clima de Paris, COP21, vai estipular a nova meta climática para as nações globais, num acordo para substituir o Protocolo de Kyoto em 2020. O Brasil sinalizou, ontem, o que poderá apresentar na capital francesa. Dilma Rousseff anunciou, ao lado de Barack Obama, acordo bilateral para a atuação climática, com metas como a inclusão de 20% de fontes renováveis na matriz energética brasileira, o fim do desmatamento ilegal até 2030 e a cooperação acadêmica entre Brasil e Estados Unidos para pesquisas na área.

O bom caminho que o Brasil percorreu nos últimos anos é animador. Há cinco anos, o país assumiu o compromisso voluntário de reduzir suas emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020, e a curva de emissões esteve em  declínio entre 2004 e 2012. Além disso, mais da metade da redução global em emissões de carbono nos últimos 15 anos veio do Brasil, graças à desaceleração do desmatamento florestal.

Contudo, estimativas do Observatório do Clima indicam que o país não manterá os bons resultados, e nem mesmo o acordo com Obama será suficiente para manter a curva em declínio.

Embora as mudanças climáticas necessitem de um conjunto de ações em todos os setores e mudanças comportamentais para mitigar as emissões, existe um grande aliado que pode ajudar nesse processo: as cidades.

Como as cidades podem agir

As cidades são organismos vivos, em constante transformação e abrigam mais da metade da população mundial. Lar para bilhões, áreas urbanas ocupam somente 2% do território terrestre, mas respondem por 70% da emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Por isso, ações localizadas são tão importantes e dependem tanto dos gestores municipais quanto dos cidadãos.

Mas por onde começar? O Observatório do Clima indica que as emissões de GEE vão aumentar em alguns setores, em especial no de energia – cuja principal fonte emissora é o uso de combustíveis fósseis do setor de transportes. No Brasil, o setor foi responsável por 46,9% das emissões associadas à matriz energética.

Os números refletem a realidade das ruas brasileiras, em maioria congestionadas. A demanda por transporte é predominantemente rodoviária – com 91,6% do consumo energético em 2012 – e depende majoritariamente do petróleo – 82,8% do consumo em 2012 (gráfico).

A ação focalizada em transportes é uma oportunidade para que as cidades reduzam seus índices de emissões. À frente desse processo, governos e cidadãos devem trabalhar juntos para conquistar bons resultados.

A estratégia “evitar-mudar-melhorar” pode ser um bom começo para pensar na questão: evitar viagens motorizadas desnecessárias; mudar o deslocamento individual motorizado pelo sustentável; e melhorar as políticas públicas para que os sistemas de transporte sejam mais eficientes em termos de consumo energético.

As cidades podem qualificar a infraestrutura e a qualidade do serviço ofertado em transporte sustentável, criar políticas de desestímulo ao transporte individual motorizado e de incentivo às tecnologias mais eficientes em termos energéticos para seus sistemas de transporte.

Cidades brasileiras a caminho da mudança

A mitigação de emissões dos transportes requer compromissos de longo prazo. Algumas iniciativas brasileiras ilustram como é possível superar os obstáculos sociais e econômicos para promover o desenvolvimento de baixo carbono no setor.

Em Brasília, ações conjuntas como a modernização da frota de ônibus do transporte coletivo, o início das operações do sistema BRT (Bus Rapid Transit) e a reestruturação das linhas de ônibus reduziram emissões de poluentes locais prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. Análise do WRI Brasil | EMBARQ Brasil mostrou que com os ônibus de tecnologia Euro5, movidos a diesel de baixo teor de enxofre, o material particulado foi reduzido em 95%, o equivalente a 95 toneladas por ano. Os positivos impactos da renovação também se devem à idade média da antiga frota, que era alta.

Com a plena implementação do sistema BRT e as linhas mais eficientes, o potencial de redução das emissões de GEE pode chegar a 55%, equivalente a 200 mil toneladas por ano.

Com 11,8 milhões de habitantes, outra cidade que vem assumindo liderança em políticas de fomento ao transporte sustentável é São Paulo.  A megalópole está investindo na implementação de ciclovias e corredores de ônibus de forma massiva. Já são mais de 479 km de corredores de ônibus implantados; as ciclovias totalizam 303,0 km. São esforços importantes porque encorajam cada vez mais pessoas a aderirem aos novos modos de transportes numa cidade onde o espaço era restrito ao carro.

Ao sul do Brasil, Curitiba também encara o transporte sustentável como forma de reduzir suas emissões. A Urbanização de Curitiba, empresa responsável pela operação do transporte coletivo, registrou a redução de 35.341 toneladas de poluentes no meio ambiente com a renovação da frota de ônibus entre 2005 e 2014. Combustíveis mais eficientes, bem como a incorporação de veículos híbridos na frota também fazem parte de um programa amplo de sustentabilidade em transporte na cidade.

 

Texto originalmente publicado no TheCityFixBrasil.

“O espaço viário pertence igualmente a todos os membros da sociedade, com carro ou não"

22/06/2015


O ex-prefeito relata todas as lutas que teve que enfrentar para transformar Bogotá em uma cidade equitativa. Peñalosa estará no Brasil em setembro para participar da Cúpula de Prefeitos, no Rio de Janeiro.

Enrique Peñalosa / Colin Hughes - Flickr Enrique Peñalosa / Colin Hughes - Flickr A Cúpula de Prefeitos e o Congresso Internacional Cidades & Transportes irão discutir alguns dos assuntos que Peñalosa vivenciou como prefeito: criação de uma cidade para pessoas, o desenvolvimento orientado pelo transporte e construção de uma visão estratégica para cidades.

Para mais informações sobre o programa do Congresso e para fazer sua inscrição acesse cidadesetransportes.org.

Como prefeito, você foi responsável por inúmeras, e às vezes radicais, melhorias na cidade. Qual destas melhorias trouxe mais felicidade para as pessoas?

EP – Nós construímos uma cidade mais para as pessoas e menos para os carros. Tiramos dezenas de milhares de carros das ruas e fizemos novas calçadas. Produzimos comerciais de TV explicando que as calçadas são para conversar, para brincar, para fazer negócios e para nos beijarmos. Fizemos a revolução das calçadas.

O Transmilênio, um sistema BRT, também foi um símbolo muito poderoso de equidade, porque tirou espaço dos carros e deu ao transporte público. Pela primeira vez, as pessoas que usam transporte público vão mais rápido do que aquelas que usam o carro. Isto demostra que a democracia existe, mostra que os cidadãos são iguais.

Talvez a conquista que mais me orgulha é a Alameda El Porvenir,  que possui uma ciclovia rápida de 15 metros de largura e 24 km de extensão e que é usada por milhares de pessoas diariamente para ir ao trabalho. Além desta, a Rota Verde Juan Amarillo Green Way, que liga partes mais ricas da cidade às partes mais pobres, através de uma via verde, também me orgulha.  Nós começamos a construir escolas de alta qualidade em bairros pobres com bibliotecas para mostrar que o conhecimento  é mais importante do que a fortuna.

Quais melhorias deram mais dor de cabeça para você?

 EP – O mais importante é perceber que nós fizemos o que ninguém mais teria feito. Era um conceito completamente novo, novas ideias. Então, nós tivemos muitos conflitos. Talvez o mais difícil tenha sido tirar dezenas de milhares de carros das calçadas. Houve um processo de coleta de assinaturas para meu “impeachment”.  Para implementar um sistema de ônibus, nós travamos uma enorme guerra contra os operadores tradicionais, eles entraram em greve e a cidade ficou quente.

Foi uma batalha também para criar parques porque muitos parques foram fechados pela iniciativa privada. Travamos batalhas ao recuperar a área central que tinha sido tomada pelos traficantes de drogas – uma área localizada a apenas dois quarteirões do Palácio Presidencial e da praça central, um pouco similar, mas cem vezes pior que a Cracolância em São Paulo. Entramos em conflito também para construir espaços públicos, praças que foram completamente tomadas pelos vendedores de drogas. O clube de campo mais elitizado,  que tinha as famílias mais poderosas como membros, teve uma parte de sua área expropriada para a criação de um parque público.

Você disse que "sonha com uma cidade tropical, atravessada por grandes avenidas de pedestres, sombreadas por enormes árvores tropicais, como eixos de vida das cidades". Você foi capaz de conquistar esta cidade?

EP – Eu fui prefeito por apenas três anos e na Colômbia não há reeleição prevista na Constituição. Este período agora é mais longo, de quatro anos.  As cidades que temos hoje – todas as cidades do mundo - estão muito erradas.  Estamos tão acostumados com elas que achamos normal – viver com medo, de ser morto. Mas isso não pode ser normal. Para viver em cidades nós temos que criar lugares com centenas de quilômetros de vias verdes.  Com pessoas e bicicletas nas ruas. Em que você possa cruzar a cidade em todas as direções sem carros. Vai levar algumas centenas de anos para corrigir isso, mas isto irá mudará no momento em que percebermos que o temos hoje é completamente maluco. Que não é o ideal para os humanos no futuro.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, está sendo criticado pela construção de centenas de quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. Qual conselho você daria a ele ou a qualquer outro prefeito que faz mudanças ousadas e enfrenta fortes oposições?

EP – O que o prefeito Fernando Haddad está fazendo é muito corajoso. Um dos problemas mais ideológicos e políticos de nossa era é como distribuir o espaço viário. Espaço viário é o bem mais precioso que uma cidade tem.  Poderíamos encontrar petróleo ou diamantes no solo de São Paulo mas isso não seria tão valioso quanto o espaço viário. Como podemos distribuir o espaço viário entre pedestres, ciclistas, transporte público e carros? O espaço das vias pertence igualmente a todos os membros da sociedade, independente se eles têm carro ou não. Ele pertence tanto a quem está numa rodovia quanto a uma criança sobre a bicicleta. É uma questão, portanto, de democracia. Quem decidiu que deveríamos dar mais espaço aos carros que às pessoas? Quem decidiu que deveríamos ceder espaço para estacionar carros? Devemos lembrar que o estacionamento não é um direito constitucional. O governo não tem obrigação de prover espaço para estacionamento, então acho que é uma discussão muito interessante sobre democracia.

Quando construímos nossas ciclovias, havia poucos ciclistas, quase ninguém utilizava bicicletas. Agora temos cerca de três mil pessoas utilizando bicicletas todos os dias. Devemos lembrar que mesmo numa cidade gigante como São Paulo mais da metade das pessoas percorrem deslocamentos menores que 5 km, então é bem possível que, em algumas décadas, 20% da população utilize bicicletas – não será possível em um ano ou dois, mas talvez em 20 anos. Precisamos lembrar às pessoas que os carros não lhes dão mais direitos sobre o espaço da via que às pessoas sem carro.

O que você aprendeu sendo prefeito?

Quando virei prefeito foi preciso mudar completamente o modelo de cidade. Ninguém acreditava no que estávamos fazendo. Muitas das coisas que criamos agora parecem óbvias. Todos concordam que temos as calçadas amplas, ciclovias e prioridade ao ônibus. Então eu aprendi que precisamos encontrar mais formas de comunicação com os cidadãos, para explicar melhor sobre o que está acontecendo e estimular sua maior participação.

Para ser um bom prefeito você precisa ter sonhos, ter amor pelo que está fazendo. Para ser um bom prefeito você precisa ter muita preocupação com a igualdade. Em nossa sociedade atual, adotamos a propriedade privada e o mercado como a melhor forma de desfigurar a maioria dos recursos da sociedade. É inevitável a desigualdade de renda. Fazer uma cidade para pessoas é fazer uma cidade onde todos são iguais, ninguém se sente inseguro ou explorado. Para ser um bom prefeito às vezes é preciso tomar decisões impopulares, e convencer as pessoas de que no final, será o melhor para a cidade.

Qual frase ou ideia você quer espalhar para o mundo?

EP – Você não define um sistema de transportes, embora você saiba que tipo de cidade você quer. As cidades são a coisa mais importante que estamos fazendo em nossa época. Quando estamos escolhemos uma cidade, escolhemos um estilo de vida. Na vida moderna, diferente de anos atrás, pessoas passam menos tempo em casa e mais em atividades fora. Então é ainda mais importante para a felicidade humana como as cidades são. A cidade deveria ser um lugar divertido. Um lugar de onde as pessoas não desejassem ir embora. Temos que construir cidades onde as pessoas sejam felizes no espaço público. Uma cidade deve promover felicidade.

Enrique Peñalosa virá ao Brasil com o apoio da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).

 

Dispersão das cidades causa prejuízos à economia

16/06/2015

Cidades dispersas custam à economia americana US$ 1 trilhão por ano, de acordo com um estudo do New Climate Economy publicado este ano. Estes custos incluem gastos com infraestrutura, serviços públicos e transporte. O relatório “Análises de Políticas Públicas que Encorajam e Subsidiam a Dispersão” (tradução livre) investiga os custos de expansão e os potenciais benefícios do “crescimento inteligente”, que estimula o desenvolvimento de cidades mais compactas.

Foto: NYC DOT/Flickr Foto: NYC DOT/Flickr “Na maioria das comunidades há limites estritos sobre as densidades de desenvolvimento, restrições à habitação plurifamiliar e exigências excessivas de estacionamento, que aumentam os custos da habitação e incentivam a expansão das cidades. As preferências dos consumidores sobre habitação estão mudando, as leis também devem mudar", comenta Todd Litman, do Instituto de Políticas de Transporte de Victoria.

A dispersão das cidades aumenta a distância entre residências, empresas, serviços e empregos e eleva o custo do fornecimento de infraestruturas e serviços públicos de 10% a 40%. As cidades americanas mais dispersas gastam uma média US$ 750 com infraestrutura por pessoa a cada ano, enquanto as cidades mais compactas gastam cerca de US$ 500. O estudo aponta que a implementação de políticas mais inteligentes de crescimento urbano em escala global poderia reduzir o investimento em infraestrutura urbana em mais de US$ 3 trilhões nos próximos 15 anos.

Cidades com crescimento inteligente possuem fronteiras bem definidas, com uma gama de opções de habitação, uma combinação de edifícios residenciais e comerciais, calçadas acessíveis, ciclovias e transporte público. Ao reduzir a necessidade de terras e, consequentemente, os custos de infraestrutura e transporte,  as políticas de crescimento urbano inteligentes podem oferecer benefícios econômicos, sociais e ambientais significativos.

Se você quer saber mais sobre como cidades compactas podem ajudar a mitigar mudanças climáticas, inscreva-se para o Congresso Internacional Cidades & Transportes, que acontece entre os dias 10 e 11 de setembro no Rio de Janeiro. O evento irá reunir prefeitos, especialistas, iniciativa privada e organizações não-governamentais para pensar coletivamente sobre alternativas viáveis para o futuro das cidades.

Como aumentar o engajamento dos cidadãos nas cidades?

03/06/2015

Imagine uma cidade em que os moradores tivessem reuniões periódicas para discutir os problemas locais. Imagine uma cidade em que as opiniões da população fossem incorporadas  pelo poder público. Um local em que a vontade dos cidadãos se transformasse em ação política. Carolyn Lukensmeyer desenvolve iniciativas inovadoras para engajar os cidadãos nas decisões das cidades há mais de uma década e acredita que isso é perfeitamente possível.

Carolyn Lukensmeyer Carolyn Lukensmeyer A participação social é fundamental para o fortalecimento da democracia. A criação ou a manutenção de espaços de participação aumenta as chances de o poder público ouvir a opinião da população sobre determinados assuntos, sobre a elaboração de políticas ou até mesmo sobre a alocação de recursos. A comunidade precisa ser representada em sua totalidade para entender o que, coletivamente, queremos ver acontecer na nossa cidade.

 “Quando é dado aos cidadãos uma oportunidade autêntica de engajamento na tomada de decisão – quando a vontade política está alinhada a vontade das pessoas – as decisões têm maior poder de permanência e a confiança do público nas instituições aumenta”, afirma Carolyn  Lukensmeyer.

Conselhos, conferências, ouvidorias, audiências, consultas públicas, mesas de diálogo e negociação são alguns modelos de espaços de participação.  Estas ferramentas fortalecem o diálogo da sociedade com o poder público e aumentam as formas de controle social. As emergentes formas de participação digital assim como o clamor das ruas visto nos últimos anos apontam para a necessidade de ampliação e qualificação dos mecanismos já existentes, bem como a criação de novos processos e formas de participação.

Mas ainda falta infraestrutura e vontade política para ampliar as formas de participação nos processos de decisão de grande parte das cidades que dificultam a implementação de processos para a efetiva participação. Os líderes locais, muitas vezes, não possuem todas as informações para tomar esta decisão ou estão sufocados por temores de que isso será prejudicial. Esta combinação de medo com falta de informação paralisa qualquer ação e os gestores preferem não adotar qualquer forma de governança.  Para romper este tabu com informações e experiências bem sucedidas, Carolyn irá participar da sessão Governança e Participação Social no Cenário Global do Congresso Internacional Cidades & Transportes que abordará a transparência na administração e participação direta da população na tomada de decisão. 

O Congresso Internacional Cidades & Transportes irá acontecer entre os dias 10 e 11 de setembro no Rio de Janeiro e tratará de temas como resiliência, governança e mobilidade. Para mais informações e para realizar sua inscrição acesse cidadesetransportes.org

Carolyn J. Lukensmeyer é a Diretora Executiva do Instituto Nacional de Discurso Civil, uma organização que atua para fortalecer a democracia participativa. Carolyn também é fundadora da AmericaSpeaks, que já implementou formas inovadores de inclusão dos cidadãos no debate de uma série de política pública, incluindo a reforma do sistema de saúde na Califórnia e no Maine, a recuperação de Nova Orleans após o furacão Katrina, a construção do Ground Zero em Nova York e o déficit do orçamento federal dos EUA. Carolyn é a autora de “Bringing Citizen Voices to the table: um guia para gestores públicos” que fornece estratégias e melhores práticas para engajar de forma autêntica os cidadãos.

Ex-Prefeito de Portland confirmado no Congresso Internacional Cidades & Transportes

02/06/2015

Sam Adams, o mais recente palestrante confirmado na Cúpula de Prefeitos e no Congresso Internacional Cidades & Transportes, teve um papel central no reconhecimento da cidade americana de Portland, no Oregon, como uma das mais sustentáveis e melhores para viver nos Estados Unidos. 

Foto: Team Sam Adams/Flickr Foto: Team Sam Adams/Flickr Como prefeito, Adams assegurou a inclusão da sustentabilidade em todos os níveis de tomadas de decisão ao integrar o tema ao planejamento da cidade. Ele também conduziu uma coalizão de líderes governamentais, empresariais, comunitários e ambientalistas para criar o Plano de Ação Climática de Portland. Atualmente, Sam é diretor da Iniciativa Climática do World Resources Institute (WRI), em Washington D.C., e lidera esforços para a pesquisa e o desenvolvimento de novas políticas públicas e para o apoio a coalizões que incentivem a transição dos EUA para uma economia de baixo carbono.

Sam Adams irá participar como palestrante na sessão “Cidades na Nova Economia Climática” do Congresso Internacional. Especialistas, políticos, gestores e organizações da sociedade civil estarão juntos em dois dias de painéis e debates focados em cidades sustentáveis no Congresso Internacional Cidades & Transportes, que acontecerá nos dias 10 e 11 de setembro, na Cidade das Artes, Rio de Janeiro. As inscrições para o Congresso já estão abertas e podem ser realizadas pelo site cidadesetransportes.org.

O congresso faz parte das comemorações dos 10 anos da EMBARQ Brasil, que também incluem a Cúpula de Prefeitos, em que líderes locais de várias partes do mundo dividirão o palco pela primeira vez em uma conversa inédita e interativa sobre o futuro das cidades. Jaime Lerner, Ken Livingstone, Enrique Peñalosa, Mary Jane Ortega, além de Sam Adams, irão compartilhar experiências e explorar caminhos para melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas.

Estes eventos reforçam a visão da EMBARQ Brasil de construir cidades para todos. Há dez anos, a organização auxilia grandes e médias cidades brasileiras a desenvolverem e implementarem soluções de mobilidade urbana sustentável.

Ken Livingstone e o poder das cidades

28/05/2015

Ken Livingstone foi prefeito de Londres entre 2000 e 2008 e colocou em prática uma série de inovações na cidade como a ampliação de espaços públicos para uso de pedestres, a melhoria do serviço de transporte público e corredores prioritários aos ônibus. Dentre suas iniciativas mais conhecidas, uma ganhou maior destaque por ter transformado a mobilidade de Londres e influenciado cidades em todo o mundo: a taxação de congestionamento. 

Foto: Overseas Development Institute/Flickr) Foto: Overseas Development Institute/Flickr) A taxação de congestionamento (congestion charge, em inglês) é um conceito que se refere à cobrança de taxas dos usuários para acessar determinada zona, na maioria das vezes, o centro das cidades, em certos horários. Este termo, popularmente conhecido por pedágio urbano, procura equilibrar o excesso de automóveis a esses locais nos horários de pico, quando a oferta disponível deste “bem público” (espaço) é insuficiente para satisfazer essa demanda (desejo de se deslocar ao centro de carro).

Essa medida baseou-se em uma experiência de Cingapura, que introduziu o pedágio urbano em 1975. Ao contrário da pioneira cidade asiática, a taxação foi o resultado de uma votação democrática,  submetida à detalhada preparação e consulta pública. A área de abrangência da taxação de congestionamento é uma das maiores do mundo. Esta política foi fundamental para reduzir o uso do automóvel e promover o transporte sustentável em Londres, diminuiu em 30% o número de carros no centro e incentivou um aumento no uso de meios de transporte sustentáveis​​, como ônibus, metrô, bicicleta e a caminhada.  Iniciativas parecidas foram replicadas em Estocolmo, Copenhague e Milão. 

Ken Livingstone irá participar da Cúpula de Prefeitos e do Congresso Internacional Cidades & Transportes, eventos promovidos pelo WRI Brasil |EMBARQ Brasil, que acontecerão de 9 a11 de setembro no Rio de Janeiro. Os eventos fazem parte das comemorações de aniversário dos 10 anos da EMBARQ Brasil. Para mais informações e para realizar sua inscrição acesse cidadesetransportes.org.

Confira a entrevista exclusiva de Ken Livingstone ao WRI Brasil | EMBARQ Brasil:

Quais são os maiores desafios que as cidades enfrentam a fim de melhorar a equidade e a qualidade de vida?

Os maiores desafios são o rápido crescimento das cidades em um momento de aumento da poluição e das mudanças climáticas. Isso requer um plano estratégico de 20-30 anos, que reúne empresas, comunidades locais e os trabalhadores. 

Como as cidades podem se tornar protagonistas na arena política e serem bem sucedidas para implementar inovações e novas ideias de gestão? Qual é o papel dos líderes e das cidades na agenda econômica e de desenvolvimento internacional?

Em todo o mundo, frequentemente, são as cidades que iniciam a mudança antes dos governos nacionais, principalmente nos países com forte presença do governo regional como a Alemanha e os EUA. O regime de taxação de congestionamento de Cingapura (usado por Londres como modelo) está lentamente se espalhando ao redor do mundo à medida que as pessoas percebem que funciona. As mudanças surpreendentes, implementadas pelo governador da Califórnia, Jerry Brown, estão definindo padrões mais altos no combate às mudanças climáticas.

O que as cidades podem fazer para combater as mudanças climáticas?

As cidades são a resposta para combater as mudanças climáticas. A concentração de milhões de pessoas permite a eficiência do transporte público em detrimento dos veículos particulares e viabiliza o fornecimento de energia sustentável. Nos últimos 15 anos, Londres apresentou um aumento de 50% no uso de transporte coletivo, muitas vezes, nas áreas mais ricas da cidade. Nós estamos vivenciando um grande crescimento no uso do transporte coletivo.

O senhor foi capaz de reduzir o congestionamento em Londres, limitando o acesso de carros ao centro da cidade. Como lidou com taxação de congestionamento? Quais foram as lições aprendidas como prefeito?

Como a taxação de congestionamento vinha funcionando há décadas em Cingapura, fomos capazes de aprender com essa experiência e trabalhamos arduamente com o planejamento e a implementação da medida para assegurar que nada desse errado na data de início. O que eu aprendi como prefeito foi manter um controle firme da burocracia, a atenção aos detalhes e garantir que meus principais assessores acompanhem o desenvolvimento dos planos.

Quais são as ideias que sustentam a afirmação de que os prefeitos estão muito melhor colocados do que os governos nacionais para intervir com ações sobre os problemas do século 21?

Os governos nacionais e os parlamentares debatem as leis, mas prefeitos e governadores têm de lidar com os problemas do dia-a-dia na gestão das cidades. Muitas vezes, anos de debate são gastos até que uma política seja elaborada e implementada, enquanto que um prefeito que é incapaz de resolver o problema dos buracos de rua ou congestionamentos muito provavelmente não será reeleito. 

Neste sentido, quais são suas expectativas para a Cúpula de Prefeitos e para o Congresso Internacional Cidades & Transportes que serão realizados em setembro, no Rio?

Cidades de todo o mundo se reunirão no Rio para trocar ideias e experiências e dar um exemplo de liderança para seus governos nacionais. Ao longo das próximas décadas,  eu espero que haja uma mudança irreversível do poder dos governos nacionais para as cidades. 

Qual é a frase ou a ideia que gostaria de espalhar para o mundo?

Devolva o poder às suas cidades, se você quiser salvar o planeta. 

Participe do Congresso Internacional Cidades & Transportes, dias 10 e 11 de setembro, no Rio. Inscreva-se.

Chegou a hora de pensar no futuro das cidades

20/05/2015

O Congresso reunirá prefeitos, especialistas de reputação internacional e organizações da sociedade civil para debater e pensar coletivamente alternativas viáveis para o futuro das cidades. Mais de 80 palestrantes irão participar de conversas interativas com o público e compartilhar ideias e projetos de sucesso na construção de soluções inovadoras. 

Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil “O Congresso será uma grande oportunidade para toda a sociedade recriar as cidades. Diversas ideias para melhorar as áreas urbanas já foram aplicadas em cidades pelo mundo, com resultados concretos e positivos. Os especialistas apresentarão soluções técnicas e criativas para os problemas e os tomadores de decisão terão elementos para implementá-las”, aponta Luis Antonio Lindau, diretor-presidente da EMBARQ Brasil. 

Os tópicos abordados no Congresso serão: transporte e mobilidade urbana; vulnerabilidade, resiliência e adaptação; desenvolvimento urbano sustentável; políticas públicas inovadoras; equidade econômica e novas tecnologias. Além de fóruns e debates simultâneos, o Congresso também irá oferecer palestras com ex-prefeitos de renome internacional que conseguiram inovar na gestão das cidades. 

O Congresso Internacional Cidades & Transportes faz parte das comemorações dos 10 anos da EMBARQ Brasil, que também incluem a Cúpula de Prefeitos em que líderes locais de várias partes do mundo dividirão o palco em uma conversa inédita e interativa sobre o futuro das cidades. Jaime Lerner, Ken Livingstone, Enrique Peñalosa e Mary Jane Ortega irão compartilhar experiências e oferecer caminhos para melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas. A Cúpula será um evento fechado, destinado a uma audiência de 300 prefeitos convidados dos cinco continentes. Estes eventos reforçam a visão da EMBARQ Brasil de cidades para todos. Há dez anos a organização auxilia grandes e médias cidades brasileiras a desenvolverem e implementarem soluções de mobilidade urbana sustentável. 

“Vamos celebrar os 10 anos de atuação da EMBARQ Brasil reforçando nosso compromisso com as cidades. Nosso maior presente será ver os municípios investirem  em mais projetos que melhorem a qualidade de vida da população”, comenta a Diretora de Relações Estratégicas & Desenvolvimento da EMBARQ Brasil, Rejane D. Fernandes. 

A inscrição para o Congresso Internacional Cidades & Transportes deve ser feita pelo site www.cidadesetransportes.org. Técnicos, funcionários e gestores das prefeituras, governos estaduais e federal não pagam a inscrição. Professores de universidades e estudantes têm desconto de 50%. Membros de organizações não governamentais têm desconto de 25%.

As inscrições para o Congresso Internacional Cidades & Transportes estão abertas. Se você se interessa pelo assunto e quer agir na construção de cidades para todos, inscreva-se em cidadesetransportes.org. O Congresso acontecerá nos dias 10 e 11 de setembro, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. 

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